terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lady Laura

Ela, uma senhora simpática. Ela, uma van velha de guerra. Elas, Ladies. Elas, Laura. Lady Laura. Uma, frágil e muito de bem com a vida. A outra, forte e muito avariada ao longo dessa vida. Aquela curte se arrumar, se produzir até quando vai votar. A outra é quem garante a produção, seja musical ou qualquer uma aí que aparecer à mão. Essa, sabe de tudo que seu dono fez dentro dela, e poucos casos curiosos não foram! Aquela, sabe conquistar, adora paquerar, seja conhecido ou desconhecido que vai encontrando por aí. Uma agüenta o tranco. A outra já nem tanto. Essa, passeia pelo bairro, faz caminhada, anda até sobre o asfalto. Aquela, viaja muito por aí afora, tá sempre com pressa, corre, cruza retas sem fim; o asfalto já é um velho companheiro. Uma ainda tem cabelo, loiro, quase branco. A outra tá quase careca, vezes quatro, mas esbanja, no aro, tons prateados. Ela tem um companheiro? Não sei, acho que não. Ela tem um dono. Espécie de companheiro deve de ser. Segredos ambas têm? Claro! Mui provavelmente. Mas uma não os esconde, diz tudo pra todo mundo. Já a outra, como eu já disse, de tudo sabe, mas de nada pode dizer. Um segredo de ambas, eu vou lhe contar. Uma com uma mulher já fugiu, antes dos filhos, antes dos netos. A outra com várias mulheres ali se viu, depois vieram os filhos, depois vieram até netos. Ela fuma ou já fumou um? Não sei, mas é bem provável, sabe? E a outra? Bem, já fumaram muito nela. E por que ambas aqui são tratadas como ladies? Porque cada uma têm algo nobre e requintado, possuem um mistério que não pode ser aqui revelado, talvez, apenas, esboçado. Atenção: um segredo de cada foi comentado, e o presente narrador, ausente em breve se declarará. Ela está vendo. Ela está vindo. Essa me atropelará. Aquela, no asfalto, se debruçará, me beijará e envolto à aromas florais expirarei. E o que é isso?! Não sei. O texto degringolou, acabou!