quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Frustrações da Classe C (desabafo)

- Cara, essa estória de economia aquecida está se revelando verdadeira. Virei o ano já com tevê a cabo instalada lá em casa. Ainda bem que eu estava de folga, pois, foi mó trabalho pra instalá-la. Tu sabes, meu apartamento é pequeno, sou arrendatário, e a saída do cabo da tevê a cabo do meu apê fica na mesma saída da do telefone, e a tevê fica do lado oposto, ou seja, no fim das contas, tive que arrastar meus móveis até o meio da tarde. E o cabo da tevê a cabo acabou ficando exposto; ele ficou pregado sobre o batente, circundando metade da minha saleta de estar. Pelo menos, a imagem que vejo agora na minha tevê é de alta definição, é digital, coisa aí que tá na moda ter. Os canais novos são bons. Agora, assisto a mais filmes e a mais séries dos quais aprecio. Outra coisa: assinei banda larga. Recebi esses dias o tal do modem. Coisinha pequena aquele aparelho tão essencial hoje em dia. Porém, a conexão de rede do meu notebook era muito pequena. O meu note é pra lá de velho. Já ficou ultrapassado faz é tempo. Assim, dia seguinte à chegada do meu modem, fui às pressas comprar um notebook novo. Isso num domingo. Acabei encontrando um bom lá no centro. Dei mais de setenta por cento de entrada. O restante, parcelei em dez vezes mais uns acréscimos aí da garantia estendida, e sem juros. Comprei mais dois anos de garantia. Tu sabes, manutenção de notebook custa muito caro. Enfim, comprei o note assim mesmo, em cima da hora; ele já estava nos meus planos, só que bem mais lá pra frente, sabe? Beleza. Em posse dele, já no meu apê, ao desembrulhá-lo, surpresa visível: o cabo de força dele era daquele que agora é padrão brasileiro – três pinos. Porém em todo o meu apartamento, em todos os cômodos, não há tomada pra três pinos! Nenhumazinha. E lá vai eu, num domingo de puta sol, bater perna atrás dum adaptador. Acabei arrumando um, paguei doze conto. Absurdo! Enfim, mais tarde, consegui, finalmente, ligar, usufruir as minhas recentes aquisições: o notebook e a banda larga. Coisa fantástica! Impressionante mesmo. Fiquei muito tempo no discado e no ultrapassado. Navego mais tranqüilo, até mesmo sorrindo. Percebi que fiquei até excitado! Participar do tempo atual é realmente uma experiência intensa e satisfatória. Entretanto, tenho que ti admitir, antes desse frenesi, passei certo mal-estar. Nunca tinha gastado tanto num só dia! Eh, o note não foi lá mui barato, apesar de estarmos numa época de liquidações. Sério. Enquanto meu suado dinheirinho acumulado era debitado de forma espantosamente rápida, meus órgãos internos me incomodavam. Era mais como uma dorzinha incômoda cá na boca do estômago, entende? Algo deveras desagradável. E tem mais. As contas da tevê a cabo, do servidor de banda larga e do provedor de acesso à Internet, e mais as faturas do restante das parcelas do notebook estão pra chegar, impressionantemente a tempo de serem pagas antes de seus respectivos vencimentos, na minha casa. Casa essa que, aliás, ainda estou pagando... Vida nova é foda! Espero não precisar de atendimento médico particular tão cedo. Senão, estarei é mais lascado. Plano de saúde? Não. Chega. O trabalho aumenta gradativamente, o salário paulatinamente e as contas astronomicamente. Tem coisa errada aí!...