sábado, 28 de maio de 2011

Incubadora

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Incubadora
InCubadora
Incubadora
Incubado

Até a pouco tempo, pensava eu, que se eu permanecesse neste exílio voluntário, eu ficaria bem. Que nada! Recentemente descobri e vi na minha própria carne, que este isolamento está é me fazendo um grande mal. Tão mal que não passa um dia se quer sem eu ver o meu próprio sangue. É que aqui, onde estou cativo, anda fazendo um frio danado! Tão frio que ele, o frio, fere minha pele. Quando vi as manchas vermelhas pelo meu corpo, levei um baita susto. Até pensei que fosse algum bicho daqui que tinha me picado, mas não, foi o frio mesmo. Minha pele ressacada prova que foi ele, o frio. Estou cheio de feridas. Meu corpo todo está salpicado, parece até que me queimaram com cigarro. Coisa grave. E essas manchas são tão perceptíveis, pois tenho a pele mui alva, quase transparente. Tento não coçar essas feridas, pois sim elas coçam, e muito, mas à noite, inconscientemente, às coço, freneticamente. Eh, eu acordo todo dia sujo de sangue seco. Eh, não estou lá, digamos, mui apresentável. Mas isso passa, certo? Talvez eu devesse passar alguma coisa, né? Mas aqui não tem nada! Aonde arranjar alguma coisa que não coça? Não posso sair daqui. É questão de vida ou morte. E, sem dúvida, se eu sair daqui, morrerei. Preciso dar mais um tempo. Não tô afim de topar com a Morte logo ali na saída. Posso estar passando por provações epidérmicas, mas isso passará mesmo eu não passando nada. Tudo passa, certo? Até o passado passa... Se bem que é justamente por causa do passado que o meu presente está como está. O passado não deixa o meu presente passar. Se continuar assim, não terei um futuro-mais-que-perfeito. Provavelmente só lamento. Dor. Dor. E mais dor... Não posso sair daqui mesmo assim! Careço esperar. Preciso esperar o tempo passar, ou melhor, o clima mudar. Ainda é muito cedo. Tenho que aguardar que minhas feridas cicatrizem. Não posso arriscar sair daqui com elas abertas. Eh, preciso me salvaguardar, ainda mais um pouco.