quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mácula

E, num dia fatídico, você se pergunta: quantas pessoas eu magoei até hoje? Difícil resolução, mesmo para alguém de bom coração. Mas é algo que te faz meditar por um bom tempo. Revirar a memória é um exercício lento e, às vezes, até prazeroso, porém, sempre encontramos aquele resquício acinzentado de outrem do passado, e que foi, infelizmente, magoado. Mas o que causou essa mágoa? Uma indiferença? Um descaso? Um atrevimento? Uma decepção? Ou uma facada no coração? Pode ser tudo ou nada disso aí dito. Mas uma coisa é certa: foi forte. Doeu. Mágoa é isto: um coração ferido boiando no próprio sangue. E mesmo que você tente resgatá-lo, anos depois, não adianta, já era. Para um coração ferido não existe curativo que estanque o sangue. Não dá pra desmagoar alguém, nem mesmo quando morto está, pois os desalmados do passado estão por aí, soltos pelo ar. Mágoa é que nem tatuagem: dói, sangra um bocado e fica fixado na pele, só que, diferentemente daquela, fica impressa na região interna. Eh, mágoa não tem cura, só há por aí tratamento preventivo e alternativo. Cura não existe. É mancha que fica e não sai.