domingo, 14 de agosto de 2011

PASSADO NÃO PASSA, PASTA


o passado está morto
o presente está torto

lembranças quentes permanecem presentes
previsões frias preferem esquecer

uma certa continuidade domina
uma destra ruptura adormece

tudo é palpável
nada é palatável

a pasta homus come todos [que]
querem destaque, e até conseguem, mas dá mau hálito
eles pregam homogeneidade
não há idade
pra liberdade de fachada,
fechada em si mesma
ou só de aparência.

isto é atitude?!
Aporrinhação.
isto não é revolução!

queria que minha praça fosse a Tahrir
lá, querem que o passado passe
e que fique bem passado
aqui,
ele pasta,
ruminando
num eterno fim de tarde ensolarado
nunca superado
vivo demais
morto o almejamos
necrófago...


Referência:

PEREIRA, Álvaro Júnior. O YouTube matou o passado. Folha de S. Paulo. Ilustrada de sábado, 6 de agosto de 2011, E16.