quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dando um upload na cadeia


Tão dizendo por aí qu’eu sumi,
Tão me procurando num arquipélago,
Já consultaram São Pedro,
Até São Paulo consultaram.

Tão fazendo buscas nas Galápagos,
Há várias expedições no meu encalço,
Um tal de Darwin jura que me viu,
Aos bocados e sem anil.

Mas, na real,
Não encontrarão nenhum exemplar,
Tô noutra, xará!

Saí dessas ilhotas,
Não tô mais bancando o idiota.

Tô cá no Paraíso,
Com todos os sisos.

Sem lambança ou discrepância,
Deixo cá, no ar, a minha provável extinção,
E com a minha imaginação,
Vou alimentar a minha própria ânsia.

Afinal, sou tubarão dos bons,
E não vacilo, não!

Podem continuar dizendo:
O bicho sumiu!
Eu não me arrependo.

Se é o meu declínio,
Vou satisfeito feito fera selvagem.

E por isso mesmo, cá não fico muito tempo,
Não sou de curtir deveras paragens etéreas, nas férias,
Já, já mergulho fundo e sorridente,
Dante me aguarda no Inferno escaldante.


Referência:

MIRANDA, Giuliana. Espécie de tubarão é extinta no Brasil. Folha de S. Paulo. Ciência de sábado, 22 de outubro de 2011, C11.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SSMS (67)


No ano passado, pedi uma namorada de presente de Natal, e ganhei só a meia soquete. Este ano, tô afim mesmo é duma periguete! Quem sabe assim ganho um boquete.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

CALANGO ENGRAVIDA MAIS UMA

Nesta terra de ninguém,
A vítima retém a lágrima,
Pois, quem está aquém,
Pra si há de ter estima.

E se um, dentre todos,
Demonstrar simpatia,
Não se engane, não se iluda, não, minha fia,
O vilão se esconde em toldos.

A esperança pode ser a última que morre,
Mas é de fome que vamos primeiro,
E aqui, nesta terra árida, é certeiro:

Ou você corre,
Ligeiro e sem vergonha,
Ou fica danada, esperando cegonha.

A escolha foi tua,
Quem mandou ficar nua?

E se me disser que foi de lua,
Cá em casa não fica, não, é rua!

A pica pode ter sido dura,
E você de bom-bocado,
Mas eu não fico calado,
Agora vais ver a vida sem verdura.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um esporro de poema


Seu corpo não está mais ao meu lado,
Há um silêncio indecente no quarto,
Ainda estou atordoado,
Sua ausência em cada metro quadrado.

Enquanto eu cá suspiro,
No escuro,
Você aí, provavelmente, geme, grita e se diverte,
No alegrete.

Mas tudo isso aí é passado,
E passado não passa, pasta.

Até ontem sentia saudade da sua felicidade,
Porém, hoje, eu sei que a tal da felicidade não é suficiente,
E, mesmo ausente fisicamente,
Minha querida e grande cidade,
Teima em ti resgatar,
Seja num canto cá de casa,
Seja numa rua, numa praça,
Seja na estrada, num estrado vago,
Ou até mesmo no presente poeminha,
Pois, meu bem,
Cansei de bater punhetinha,
Pra você,
E pra qualquer zinha aí à vista.

Amuado.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

A isca

- Cara, essa mina já tá me enchendo o saco! Não a suporto mais. Cara, mó chiclete, tá ligado? Antes, ficava me ligando e me mandando mensagens de texto direto. Agora, ouve só: tá numas de me mandar fotos. Eh, fotos de determinadas partes do corpinho dela; só de certas partes, manja? Mano, essa mina é doida! Eu bem que poderia postar essas fotos na net, né não? Mas, pô, tu e ela sabem qu'eu não sou disso. Não tenho essa puta falta de caráter. E justamente por isso mesmo, por saber direitinho como eu sou, ela abusa, lambuza. E dá-lhe fotos promíscuas! Ela fica me tentando, é óbvio. Na certa tá ciente que ando numa seca braba de mulher. Ela tá é me torturando, isso sim. Brincando comigo, saca? E isso tá me irritando... Meu, tô quase arrancando os pentelhos de tão brabo qu'eu tô. Dá mó vontade de abordá-la na rua, ela mora cá nas proximidades, e puxar-lhe os cabelos; dar um bom sacode nela, pra ver se se toca. Véio, nunca senti isso por mulher alguma, sério. Nunca fiquei nervoso assim. A irritabilidade me cega. Entro em Dândi. Quero dar-lhe um bom boxe no meio da fuça. Essa tipa mexe comigo. Não sei bem o porquê... Talvez seja aquele cabelo fogaréu que ela tem. Ah, sei lá! Só sei que ela tem o dom de me deixar puto, até ranjo os dentes quando ela me manda mais fotos indecentes. Essa putinha é dose. Olha só a última que ela me mandou. Veja que ela não tá mostrando o cofrinho, mas dá pra ver o caminho. E esses grafismos aí tatuados só insinuam até onde mais eles se estendem. Puta provocação, num é não? Diz aí: e agora, o que você me sugere qu'eu faça? Ei, meu, se liga! Tá moscando aí, é? Xará, pare de babar. Tremendo vacilão, hein!