sábado, 5 de novembro de 2011

A isca

- Cara, essa mina já tá me enchendo o saco! Não a suporto mais. Cara, mó chiclete, tá ligado? Antes, ficava me ligando e me mandando mensagens de texto direto. Agora, ouve só: tá numas de me mandar fotos. Eh, fotos de determinadas partes do corpinho dela; só de certas partes, manja? Mano, essa mina é doida! Eu bem que poderia postar essas fotos na net, né não? Mas, pô, tu e ela sabem qu'eu não sou disso. Não tenho essa puta falta de caráter. E justamente por isso mesmo, por saber direitinho como eu sou, ela abusa, lambuza. E dá-lhe fotos promíscuas! Ela fica me tentando, é óbvio. Na certa tá ciente que ando numa seca braba de mulher. Ela tá é me torturando, isso sim. Brincando comigo, saca? E isso tá me irritando... Meu, tô quase arrancando os pentelhos de tão brabo qu'eu tô. Dá mó vontade de abordá-la na rua, ela mora cá nas proximidades, e puxar-lhe os cabelos; dar um bom sacode nela, pra ver se se toca. Véio, nunca senti isso por mulher alguma, sério. Nunca fiquei nervoso assim. A irritabilidade me cega. Entro em Dândi. Quero dar-lhe um bom boxe no meio da fuça. Essa tipa mexe comigo. Não sei bem o porquê... Talvez seja aquele cabelo fogaréu que ela tem. Ah, sei lá! Só sei que ela tem o dom de me deixar puto, até ranjo os dentes quando ela me manda mais fotos indecentes. Essa putinha é dose. Olha só a última que ela me mandou. Veja que ela não tá mostrando o cofrinho, mas dá pra ver o caminho. E esses grafismos aí tatuados só insinuam até onde mais eles se estendem. Puta provocação, num é não? Diz aí: e agora, o que você me sugere qu'eu faça? Ei, meu, se liga! Tá moscando aí, é? Xará, pare de babar. Tremendo vacilão, hein!