segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um pouco do que vi no Ceará (4)

Frango fresco na bodega da esquina (Foto: Bruno Oliveira)

Uma fachada de Sobral (Foto: Bruno Oliveira)

Igreja da Sé de Sobral, em obras (Foto: Bruno Oliveira)

Minha vó, e companheira de viagem
(Foto: Bruno Oliveira)

Árvore de Natal na Praça Portugal de Fortaleza
(Foto: Bruno Oliveira)

Ela era toda de redes brancas e mudava de cor
(Foto: Bruno Oliveira)

Palmas no Monumento Natural das Falésias de Beberibe
(Foto: Bruno Oliveira)

Buraco da sogra no Monumento Natural das Falésias de Beberibe
(Foto: Bruno Oliveira)

Um pouco do que vi no Ceará (3)

Churrasco à moda sertaneja (Foto: Bruno Oliveira)

Seriguelas ainda verdes (Foto: Bruno Oliveira)

O bichano sem nome (Foto: Bruno Oliveira)

Baladeira ou estilingue (Foto: Bruno Oliveira)

Velhas companheiras (Foto: Bruno Oliveira)

Flora local (Foto: Bruno Oliveira)

A rosa do sertão (Foto: Bruno Oliveira)

Coco babaçu com pena de galinha capote
(Foto: Bruno Oliveira)

Manga rosa ainda verde (Foto: Bruno Oliveira)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Um pouco do que vi no Ceará (2)

Minha prima Vanessa (Foto: Bruno Oliveira)

Ela é modelo (Foto: Bruno Oliveira)

Miss Meruoca 2012 (Foto: Bruno Oliveira)

Meu padrinho Zé Bandeira (Foto: Bruno Oliveira)

Ele costuma caçar no mato (Foto: Bruno Oliveira)
Ele já viu o Caipora, ou Homem-do-Mato (Foto: Bruno Oliveira)

Alguns dos seus instrumentos de caça (Foto: Bruno Oliveira)

Só mostro os que ele me autorizou mostrar (Foto: Bruno Oliveira)

(Foto: Bruno Oliveira)


Um pouco do que vi no Ceará (1)

A mãe (Foto: Bruno Oliveira)

Ciscando em família 1 - O filho desgarrado (Foto: Bruno Oliveira)

Ciscando em família 2 - A segunda rebelião (Foto: Bruno Oliveira)

Ciscando em família 3 - O retorno do rebelde
(Foto: Bruno Oliveira)

Ciscando em família 4 - Todos juntos enfim
(Foto: Bruno Oliveira)

Alerta de digressão!


Passados quase 30 dias do meu retorno ou, se preferir, passado um mês da minha volta, resolvi aqui compartilhar as fotos que lá tirei. Se não ficou claro logo de cara, meu caro, já lhe explico. Do dia 11 ao 30 do mês de novembro passado, eu estava de férias no Ceará. Sim! Eu, um paulista branquelo típico, estava tirando onda lá pros lados do Nordeste. Já logo resumo que foi bom demais! Vi e presenciei coisas deveras mui interessantes e instigantes. Aproveitei bem mais essa nova experiência, afinal, a gente nunca volta igual depois de uma viagem, uma boa viagem, não é mesmo? Dito isso, acho que valeria a pena publicar aqui algumas fotos que lá tirei e que foram tiradas de mim por lá. Como não tenho mais Orkut, não tenho Facebook e muito menos Twitter, cabe ao meu queridíssimo blog a peleja da divulgação. Sabemos bem que esse não é o foco dele, mas, como já mencionei acima, a viagem foi marcante, e essa experiência acarretou boas influências na minha vida e, consequentemente, contaminou, no bom sentido, os meus escritos. Então, espero que gostem do que vão ver por aqui, aos poucos eu vou postando as fotos, ok? Aguardem.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Liberte o galinha que há em você

- Meus filhos, vivemos tempos difíceis, tempos imprevisíveis. O mundo não é mais como era antigamente. Vivemos uma era cuja renovação se faz necessária, cada vez mais necessária. Estes novos tempos demandam novas atitudes. Precisaremos de muita força espiritual para ajudar, para contribuir para com esta transformação mundial. Atualmente vivemos uma Era do Caos. E, sabemos bem, que depois do Caos surge uma Ordem, surge o princípio da vida e de todo o resto. Nossos atuais sofrimentos acabarão neste novo dia que se aproxima. Ninguém aqui ficará mais sozinho quando a Nova Ordem se manifestar. Dias prósperos se tornarão frequentes. A Solidão se extinguirá. O mundo que conhecemos não mais existirá quando vocês, e todos os demais semeadores desta terra, libertarem o galinha que há em cada um. O velho mundo está com seus dias contados. Falta pouco para ele se tornar passado – passado hipócrita do bom relacionamento entre os gêneros. O futuro é libertino! O futuro é o cafajeste do umbigo. O futuro é o cachorro orgulhoso bem alimentado. O futuro é o tarado do seu lado. Este tempo mesquinho de hoje se findará logo. O tempo opulente do amanhã se tornará constante graças à ideia de compartilhamento que vigora: o que é meu é seu também, o que é nosso é de todo mundo. Amarras e mordaças não mais existirão. O novo mundo que se aproxima é de libertação! Esqueçam tudo que vocês aprenderam. Esqueçam os conceitos, pré-conceitos, que a nossa cultura nos ensinou. Sigam vossos instintos; sigam aquilo que vós tendes no recôndito mais fundo de vosso ser; sigam vossos desejos mais ocultos, mais íntimos. Falta pouco pro mundo que conhecemos acabar. Não há mais tempo a perder. Temos que libertar o galinha que existe cá dentro da gente. Libertem o verdadeiro alter ego de vós mesmos. Deixem esse galináceo alçar voo e sair bicando todas as pequenas que aparecerem por aí. Sigam a verdadeira natureza de vós. Esqueçam os chifres dados e recebidos; esqueçam dos pés na bunda; esqueçam a possibilidade de serem pretendentes; sejam um cafajeste presente! Mostrem a pegada de suas patas. Arrastem asa aí afora. O mundo acabará, previu um maia aí, mas vocês não precisam se acovardar por causa disso. Não! A causa aqui é por algo maior. Nosso destino é gozar sem remorso. Consequências não existem num mundo pós-apocalíptico. Se já estamos danados, meus filhos, que a pegação se inicie. Devorai a carne com gosto! DEVORAI A TODAS!!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Status: inexistente

Pensar é surpreendente, principalmente se você alimenta, constantemente, esse hábito. Mas pensar, também, pode ser inconveniente, incômodo mesmo, dependendo daquilo que você pensou.

Por exemplo: às vezes me pego pensando em como minha simples existência não encaixa na vida que levo, ou carrego. Intuo que por existir aqui e agora acabo não agradando aquelas pessoas que me rondam. Parece que, por existir, essa minha presença física é algo desagradável a quem a presencia.

Para ser mais preciso quanto ao que estou tentando discutir aqui, assim, o negócio é o seguinte: não sou normal. Quer dizer, não sou um brasileiro típico. Não curto futebol, não curto telenovela e não tenho interesse pelas desgraças alheias – fofocas não me agradam. Digo isso porque o interesse da maioria dos concidadãos, donde vivo, versa sobre essas coisas. Por isso, quando me apresento logo com um assunto diferente, meus compatriotas me olham torto. Vai ver me acham um doido, sei lá, ou um puta dum chato, vai saber...

O fato é: sinto-me deslocado. Como se a vida que levo não fosse minha. Como se a vida que tenho, que é minha, foi de outro que me deu sem eu poder escolher. A gente realmente escolhe a vida que tem?

Esse papo me lembra do pouco que sei sobre Jesus Cristo. Não sei lá muita coisa, reafirmo. Porém, o pouco que sei, talvez, me ajude como exemplo. Ah! E já vou dizendo, sou ateu (como se isso fosse importante...).

Jesus não foi concebido, foi encarnado, no sentido de encarnar mesmo, tornado carne. Seu pai, mesmo onipresente, não se demonstrou presente fisicamente para ele. Deus é um pai ausente. Como o meu é (talvez isso sim seja importante...). E, mesmo que ele, Jesus, tenha seguido fielmente os preceitos desse pai distante, ele só foi junto dele na morte. Talvez, quando eu falecer, encontre o meu verdadeiro pai, ou outra coisa... Está lá, no meu registro de nascimento, mãe, fulana de tal, pai, inexistente.

Se Jesus, mesmo conhecendo seu destino, afinal, tinha lá suas relações com o divino, escolheu a vida que teve, e até a morte que acabou tendo, como eu devo proceder já que fui contemplado com a dádiva da vida? O que isso significa??

Certo, tu dirás, me falta um propósito, um objetivo; falta-me um algo pra me apegar de vez e não desagarrar jamais! Pergunto: mas isso é obrigatório? Isso faz parte do pacote ou eu posso combinar de outra forma isso aí??

Se eu estou vendo o incômodo que minha simples existência desencadeia, devo eu mesmo dá-la por encerrado? Papo estranho esse aí... Suicídio não combina com quem é vivo. Certo. Devo eu então eliminar os incomodados? Esse papo aí já é mais sinistro... Matar também não combina com os seres vivos. Quer dizer, minha existência não depende da morte de outro humanoide; não é questão de instinto de sobrevivência, é de simples convivência mesmo. E isso é igualmente complexo.

Se o incômodo que vejo nos outros é o fato de eu estar aqui, presente neste mundo, devo então agradá-los de alguma forma? Tipo: demonstrar interesse pelas coisas que esses curtem? Hum... Sei não. Aí estarei indo contra a mim mesmo. E mim mesmo não é lá tão amigável com quem deixa de ser a si mesmo pra satisfazer outrem.

Conviver é foda!

Conviver com as diferenças é difícil, mas possível quando se tem respeito, tolerância e discernimento. E eu tenho isso tudo! O problema é que os outros não têm. O que fazer então? Ignorar? Não se preocupar tanto? Difícil. A vida que há em mim clama por mais vida que vem dos demais.

Vai ver estou ruminando bobagens. Dirão: viva a sua vida e que se dane o resto; não se importe com que os outros pensam de ti, se é que pensam alguma coisa; a vida é sua, ora, não deles! Aí direi: certo, certo, está bem, mas a vida que tenho não me satisfaz; a vida dos demais também não me agrada em nada.

Vai ver a vida vivida é um nada perpétuo que se perde no além; é um arquivo inexistente depois da busca implacável no inconsciente...

Ah! Não adianta, eu não consigo!! Penso que se eu não estiver vivo, um aqui e agora inexistente, os outros seriam mais felizes, até mesmo eu.

Pensar coisas assim realmente (me) incomoda.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O bebum da cara vermelha

Sexta-feira. Fim de expediente. Horário de verão local. São seis da tarde e o sol teima em queimar a pele flácida e pálida dos assalariados que ficaram o dia inteiro enfurnados em salas refrigeradas. As ruas estão cheias de gente; cheias de gente que pinga veio pelas glândulas sudoríparas – o sol castiga essa gente vespertina. A sede é gustativa e a cerveja paliativa. Ou convite obrigatório depois de uma semana caustica no escritório. É o happy hour! Ou a hora feliz pra você aí linguista que detesta neologismos primaveris. Toda sexta é festa. O bar, ou barzinho, é parada indispensável nessa hora de recreação. A necessidade clama por satisfação. Vários colegas se veem sentados sem pratos sobre a mesa. Garrafas e copos são compartilhados, gargalhadas e olhares são transmitidos – o prazer de liberdade é visível. E quase tudo nesta vida é imprevisível. Até o bebum da cara vermelha é discutível. Você não o encontra assim toda sexta, não. Ele surge de surpresinha, uma verdadeira gracinha! E nem sempre na cara de um conhecido seu ele aparece. O bebum da cara vermelha pode ser você ou mesmo eu. Ele se manifesta assim de moderado, não aparece logo de supetão. Ele é download na face via acesso discado, é programa viral executável. Ou um aplicativo gratuito sem restrições; um ícone rubro (muito) sensível ao toque. É a carinha smile etílicada. A pessoa que a tem é a melhor pessoa do mundo! Não manifesta irritação, estresse ou dor de barriga. É uma pessoa bêbada bem-humorada, mesmo que a namorada, ou o namorado, a tenha chifrado ao quadrado no quarto conjugado. O bebum da cara vermelha não pega criancinhas que tem medo de careta, ele não é o boi da cara preta! O bebum da cara vermelha pode até pegar umas ninfetas ou uns homens novinhos, bebezinhos, mas ele sempre pega uma dose de carinho – a birita lhe satisfaz a carência por gozo. O bebum da cara vermelha acha gostoso demonstrações de fraternidade! Amizades verdadeiras ele alimenta. Todo álbum de fotos tem um bebum da cara vermelha. Ainda mais nesses dias de redes sociais. Ele é aquele cara, ou aquela mina, que exagerou demais na balada prometida. O bebum da cara vermelha é aquela pessoa fotografada com uma latinha, ou copo, ou garrafa em uma das mãos; na outra, sempre faz um gesto saliente condizente com a emoção do momento. O bebum da cara vermelha é tudo isso e muito mais! Ele é aquele que agrada bonito e satisfaz. Ele é quase um papai noel de férias no nordeste!!

Bebe, bebe, bebe, bebum da cara vermelha!
Pede mais uma breja
e não se esqueça de dar gorjeta!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Como nascem os deuses: uma saga

Quando eu fugi da Selva de Pedra,
Não imaginava existir abrigo mais seguro.
Eu estava em apuros!
Desesperado por uma Nova Era,
Desesperado por uma centelha pra ser só minha.
Porém, no fim, foi tudo mentira.
Cruzei céus, arranha-céus, em poucas horas,
Atravessei nuvens sem pudor, incolores
E, quando a chuva desabou,
Matei a sede gratuitamente –
Tem vezes que a gente fica contente
Só por se sentir presente.
Em território seu, quando pousei,
Logo fui atacado por hematófagos,
As bestas-feras me arrodearam –
Fui atacado sem dó!
De mãos nuas me defendi,
Sempre pensando nela, em seus possíveis odores
E no seu alento prometido...
Foi isso que me deu sustento.
Graças a essa ilusão saí quase ileso –
Poucas feridas apresento.
Em território seu, território hostil, retirei-me.
Retirante me tornei,
Peregrinei na terra desolada dela.
Terra quente e abafada essa,
Mas encantada era.
Linda mesmo de se ver.
Quando uma idéia alimentada –
Uma previsão de estação –
É constantemente invocada
Na cachola tola de um herói solitário
(ou mais um otário de passagem),
Tudo é lindo e colorido!!
Bobagem.
Fiz reciclagem, bati perna adoidado
Pra não esmorecer até ver o sol nascer,
Crescer
E renascer...
Fome quase passei,
Não me alimentei assim tão bem.
Sim, sacrifícios foram feitos...
Não teve jeito, partes de mim ficaram
Pelo caminho...
Muito sangue derramei também,
Por ela, sempre por ela, e
Por mim, e do meu, muito do meu também.
O desejo me estimulava;
Minhas provisões, escassas começavam.
Eu queria estar nas graças celestiais logo!
E quando me postei diante da
Sua Fortaleza de Sol, mesmo
Cego, suspirei.
De alívio, óbvio, sem remorso ou ódio no coração.
Mas a visão era ilusão,
O prometido não existia,
O que vi eram cinzas...
Eu ainda estava sozinho;
Eu estava diante dos escombros de um romance bobo.
A miragem que alimentei se fez presente,
Minha esperança se fez ausente,
E minhas forças me abandonaram:
Caí de joelhos sobre os destroços de um sonho em ruínas.
Meu corpo, desidratado, começou a vazar...
Pequeninas lágrimas escorreram
Sobre a minha face batida – lágrimas doces,
Iludidas.
E quando a primeira gotícula atingiu
O solo
Uma coisa estranha se sucedeu:
Um buraquinho foi se formando,
Minha lágrima, solidificada,
Pesada,
Foi se afundando...
De repente, uma tromba d’água!!
Fui arremessado longe.
A água não parava de jorrar,
Uma água doce e fria me envolvia rápido –
Eu estava muito cansado pra fazer algo,
Deixei a água me acalentar.
Boiando me deixei.
Eu não queria nadar;
Eu não estava assustado;
Eu estava é muito cansado –
O cansaço tinha superado o meu medo.
E sem medo e previsão alguma
A visagem apareceu.
A princípio pensei que fosse o Sinal da Morte.
Meus olhos marejados estavam semicerrados,
Bem abertos nessa hora ficaram.
O que vi, acima de mim, não tinha corpo,
Era um troço luminoso e vaporoso,
Que se deitou sobre o meu corpo boiante,
Ondulante,
Não mais um retirante.
A sensação era de conforto,
Um gozo delicado que me revigorava lentamente.
Esse troço tinha me penetrado pelos poros,
Sentia isso muito bem;
Sentia-me flutuar sobre o mar que se formara...
Adormeci além.
Quando dei por mim, parecia madrugada ainda.
Pude ver, ao me levantar, bem a minha frente, um filete
De Sol
Sobre a linha
Do Mar...
Olhei ao redor.
Estava numa terra amanhecida,
Aparentemente fértil e intrigante,
Havia Silêncio por todos os lados.
Só ouvia a mim mesmo:
Eu ouvia claramente meus pensamentos;
Eu ouvia minha respiração limpinha;
Eu ouvia as batidas calmas do meu coração...
O Sertão, onde me refugiei,
Tornei-o Mar –
O Mar das Dores Manifestadas.
Agora, o que me vier daqui pra frente encararei de
Alma lavada.
Quem eu sou agora já me basta.
O Novo Mundo é uma (a)ventura inesperada!!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O olhar da cadela no cio

Nem sempre escrevo sobre aquilo que me incomoda, apesar de andar muito incomodado com certas coisas que por aí ando vendo, sabendo a respeito... Tem vezes também, raras vezes, que tenho vontade de escrever sobre coisas que me agradam. Escrever é uma dessas coisas. Mas o que tenho guardado cá na cachola, e que gostaria de libertar nestas linhas libertárias, é um olhar muito peculiar, é um olhar libertino. Já ouvi por aí que é nos olhos das pessoas que a alma dessas reside. Não tenho certeza se isso é realmente verdade, crendo que temos algo de imaterial dentro da gente ou se isso é mais uma especulação imobiliária, vá lá. Mas, fato é, que nos glóbulos oculares vemos as reais intenções daquela pessoa que estamos observando. O olhar entrega os pensamentos da pessoa vista. E quando digo olhar me refiro também às pálpebras, aos cílios, às sobrancelhas e à testa. A boca igualmente contribui para a decifração do olhar avistado. Já o nariz, mesmo ali no meio de tudo isso, não contribui satisfatoriamente. Está lá mais de penetra mesmo. Sem participação efetiva. Apenas um olhar pode entregar uma pessoa. Mas quando essa pessoa já está entregue, de corpo e alma precisamente, o olhar que nos é ofertado, é um olhar de pura e maliciosa intimidade. É um olhar sacana. E você que me lê sabe muito bem como é esse olhar. É aquele olhar meio fechadinho, semicerrado, geralmente de lado, soslaio e sempre acompanhado de uma testa levemente franzida e um sorrisinho arqueado de um dos lados dos lábios. Quando é que vemos esse olhar provocativo, hein? Bem, podemos vê-lo em várias situações diferentes, mas a que tenho cá fixa na minha memória é um olhar feminino direcionado diretamente a mim na posição cachorrinho, ou, se preferir de outro jeito, numa angulação de quatro bem proporcionado. As feministas, as moralistas e os acionistas que me desculpem, mas quando a gente, homem, põe de quatro uma mulher, a coisa invoca o nosso lado mais animal, primitivo e bruto mesmo. Tâmo ali numa posição ancestral. Metendo pau na mulher amada, sem dó nem piedade, porém, tem vezes, às vezes, que metemos gentilmente, devagarzinho... São dois animais gemendo e suando com gosto, e pra valer, durante esse ato libidinoso. E é você que enraba que tem a melhor visão da coisa. Você vê o longo dorso da pequena; você tem as ancas dela nas palmas das mãos; você penetra aquela bunda com emoção. Uns dizem que essa posição é de humilhação. Outros dizem que você está subjugando a mulherzinha querida. Mas isso aí é intriga da oposição. Quem diz isso não aprecia a coisa, não curte o ato democrático em si. De quatro o troço engrena. É a consumação plena da confiança alheia. E quando a guria te olha, com aquele olhar, quando tu tá penetrando-a de quadro com o seu caralho, aquele olhar, é o mais terno, delicioso e malicioso olhar de aprovação, de cumplicidade e aceitação que você verá na tua breve e depravada vida. Você tá ali, fudendo ela de quadro, e ela fica te olhando, te provocando, te encarando, como se estivesse dizendo tudo sem dizer nada. Contudo, há mulheres que dizem mesmo algumas coisas, umas provocações sem pudor algum, sabe? Do tipo: Me come, desgraçado!!! Fode direito essa porra!!! Me fode com força, caralho!!! Vai!!! Mais forte!!! Vai, amor!!! Aí, meu caro, você a obedece, que nem um cachorrinho bonzinho. Afinal, é ela quem manda. Aí, amigão, você morde os lábios, cerra seus olhinhos, ajeita o quadril e envia a vara na desgraçada. A vagabunda da tua esposa ordena e você obedece. Quem disse que a vida de cão é foda? O olhar da cadela no cio é o melhor amigo do homem. Melhor que isso só urinar junto dela na rua de madrugada, pode crê.

SSMS (80)

Meu, acho que virei bebum de vez. Após a overdose do dia de finados, já tô mandando breja goela abaixo. Se eu não tomar jeito, tomo todas com gelo mesmo!!

SSMS (79)

Este SMS que lhe envio eh um teste interurbano. Logo, logo deixarei esta minha selva de pedra pra me abrigar contigo na tua fortaleza de sol. Dia 11 taí.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Anotações de um bebum introvertido (1)


O verdadeiro charme da Augusta é beber uma breja gelada na calçada de um bar.





Acho que quando uma mulher solta os cabelos, acaba soltando outras coisas...





Não adianta, eu não consigo, eu babo toda vez que vejo uma mulher de vestido!





Ela que está com o celular na mão, disfarça muito bem a sua solidão.





Ela me ronda feito uma leoa no cio. Ela tá querendo algo de mim. Ela tá com fome. Ela tá de renda, prontinha pra me fuder. Se eu vacilar agora, já era, não terei uma segunda vez. Minha mulher está de olho na minha timidez.





Estes que sobem e descem a minha cara Augusta estão com seus rostos e caras cada vez mais redondos e cada vez mais quadradas. Não sei bem o que são, ou o que representam, mas não gosto do que me apresentam. As faces descoladas não encontram serventia, empatia. A apatia domina, é carnificina eminente.





A periguete oriental não chupa logo o meu pau.  É chique demais pra tamanha extravagancia. Mas a hippie nipônica - do cabelo roxo - sabe mui bem como não manter o decoro, num banheiro coletivo ou num pardieiro hospitaleiro. Ah! Pra que um puteiro, se eu te tenho junto ao meu rego.





Um boquete num banheiro misto só não é bom quando o boquete não foi feito naquele que viu tal sucção.  Nem sempre um voyeur se satisfaz. Quem chupa o dedo é satanás!





sábado, 27 de outubro de 2012

SSMS (78)

Minha mãe diria que você daria uma boa nora. Meu pai discutiria tua doutrina na cara dura. Sem usura minha vó ti aceitaria numa boa. Minha rola já fez sua escolha. Cabe a mim obedecê-la, então aceito tua buceta como única e derradeira companheira!!

Nego Santo Antônio

Ao
Jaderson, 
colega do trampo e amigo


O Nego Santo Antônio (Foto: Bruno Oliveira)



Para as desesperadas presentes que almejam se casar, tenho uma boa-nova digna de nota: o Nego Santo Antônio existe! Ele, diferente daquele pequenino de madeira entalhada, que fica geralmente afogado de cabeça para baixo, consegue matrimônio em menos de um ano; é fato. E, para que o fato de fato seja definitivamente consumado, não é necessário interpelá-lo ou castigá-lo, basta encostar nele; tocá-lo mesmo, sem receio ou afetação. Com o Nego Santo Antônio é assim: encostou, casou. Para você que não me acredita, mencionarei coisinhas sobre sua vida peregrina. Nego Santo Antônio é pai. Tem dois filhos o digníssimo. O primeiro foi um menino, rechonchudinha criatura. O segundo foi menina, espevitada que só vendo. Porém, curiosamente, essa é mais velha que aquele. E como se explica esse atentado à lógica do tempo? Bem, digo apenas que o Nego Santo Antônio é arteiro, artilheiro dos bons ele é; sempre mete um gol nos jogos carnais dos quais participa – fértil goleador esse devoto. Este Nego Santo Antônio não tem relações com peixes, mas as sereias o ouvem bem. Nego Santo Antônio é rei dos xavecos; entretêm e diverte nos botecos da cidade sem o menor alarde. Pode não ser lá tão eloquente aparentemente, mas carisma ele tem de sobra, isso lá ele tem mesmo. Este meu santo, que vos apresento, não carrega Menino Jesus junto ao peito esquerdo; não carrega livro ou cruz de baixo do braço, nem ramo de açucena como referência, mas traz consigo a humildade no coração; ele é palhaço da turma por vocação, e entrega a ti, sempre que lhe convier, uma rosa branca, umazinha apenas – pura demonstração de inocência! Cidade alguma o tem como padroeiro, mas isso é questão de tempo e dar-se-á um jeito. Pegue aqui o seu santinho do Nego Santo Antônio! E por favor, minha gente, não o jogue na rua displicente, pois santinho em grande quantidade mata; mata muita gente de vergonha e desgraça. Venham! Venham todo mundo que quer casar num minuto!! Encostem nele e, num segundo, o sonho casamenteiro é certeiro. Se no próximo Carnaval tu te divorciarás, no Natal casada já estarás. Não é enganação ou promoção de fachada, é a graça de graça do Nego Santo Antônio. Você que está aí encalhada, que é zica do pântano, coisa mui ruim, se não me engano, saia dessa neste instante. Nego Santo Antônio se garante. Vocês ouvirão por aí que ele é corno. Mas, vocês estão ligados, nem santo novo e forte tem a sorte de fugir desse quebranto. Mesmo assim, Nego Santo Antônio é um encanto, que canta as mazelas da vida numa boa – desafinado sim, canta mal pra caralho esse aí, mas ultrapassa o esperado, você sempre se surpreende com o danado, podes crer. De casório marcado ele já está, mas disso eu não vou comentar porra nenhuma, a vá!!!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SSMS (77)

E lá se vai mais uma semana, e você nenhum telegrama. Mensagem alguma recebi, e assim me perdi em atacado. De bom-grado me ressenti, mas insisto em ti ter aqui!!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

carência sua, minha Solidão

De boa na lagoa... (photo by: @cutewildbaby / @havenearth)


estava eu à toa
de boa
na lagoa
de papo pro ar eu estava
quando a descarada apareceu
apareceu assim do nada
não me pediu licença coisa nenhuma
e foi logo entrando
no meu isolamento,
nadando ao meu encontro
visita indesejada era ela
ela era a carência se apresentando,
invadindo a Solidão do eremita aqui
aqui fiquei perplexo:

carência não se faz presente, é falta
Solidão sim é aquilo que a gente sente, é presença
carência é ausência
Solidão é presente
carência é passado, passa
carência vêm em doses homeopáticas
Solidão é superdosagem,
e mata,
se você não tiver cuidado
carência é que nem cárie, dói, incomoda,
pois descuidado foi outrora,
quem sente carência agora
carência sente quem deixa da amar
Solidão é que nem a imensidão do mar,
é azul,
é profundo
e escuro,
quem sabe mui bem disso é Epicuro

essa carência que vejo se aproximar,
escorre pobre e sinuosa,
nada gostosa
até a minha Solidão eminente
Solidão é constante, permanente
é um estado latente, entende?
Solidão fica em Pernambuco - 
carência em estado bruto!
quem nasce em Solidão,
como eu,
é solidãoense,
quem nasce sem afeto,
na privação,
é carente

assim, querida amiga,
quando tua carência se revelou
só me mostrou
o quão solitário agora eu sou

metafísica alguma me adianta se
o sapo-rei aqui não tem
perereca nenhuma pra sorver
ou ao menos uma mosquinha sequer
pra belisquete
a carência profanou a minha quitinete
meu reino por uma periguete!!!


Nota:

O germe do poema acima veio de um bate-papo despretensioso com minha amiga Bruna Rafaella, por isso este poema é para ela.

Toma um aí pra você, sua doida!!

domingo, 14 de outubro de 2012

o amor: outro causo

do quem não ama a pessoa
do quem vos ama
do quem não amachuca
do quem não amais a pessoa
do quem não é amada
do quem não ama a pessoa
do quem não ama a pessoa
do quem não ama a pessoa
do quem nãodemais pessoa
e
essa pessoa
essa pessoaaquém
magoada
fica -
mácula desamada
- mais uma
desgraça

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Poetando

- Na verdade, não sei bem ainda o que é um poeta, o que é SER um poeta. Não sei se é profissão ou um bico de verão. Sei apenas que cada poeta canta sua própria voz, e quando essa sua voz única ressoa na gente, pobres mortais, é sinal de que o poeta alcançou o universal. Vai ver poeta é meio filósofo. Se esse ama o saber, aquele não só ama a mesma musa como apela pro sentimental. Mas não falo aqui de joguetes de caráter emotivo, falo daquilo mesmo que a gente sente a flor da pele ou aparentemente, entende? Entretanto, ser poeta também é ser meio picareta. Nem sempre o que ele canta é aquilo mesmo que a gente ouve. Poeta é fingidor, finge até a dor que deveras sente, como já muito bem disseram. Poeta também pode ser trambiqueiro. Ele pode nos dar algo que não é verdadeiro. Nem sempre o que ele sente é realmente o que ele sente. Aliás, hoje em dia, os poetas bancam os dissimulados. Nem sempre fica claro o que eles estão entoando. A arte de poetar ficou oculta, praticamente restrita a um determinado grupo. E esse grupo é quem consome esse tipo de poesia. Se hoje o verso é livre ou metrificado, quem o lê é abastado. Tá certo, o poema de antigamente, dos tempos áureos, era cultivo de cidadãos, não era cultura pra qualquer um, não. E o que lemos atualmente é corrente desse pensar. E desse pensar eu não concordo. Poesia, pra mim, tem que ter uma pegada popular. Poeta que usa é abusa de vocábulos rebuscados, extravagantes ou específicos demais, mais encuca do que educa. Tá certo, poeta que preza o conhecimento insere preciosismos no poema esquelético. Claro, assim, quem sabe, quem o lê fica curioso e procura o ditoso num dicionário próximo. Mas, às vezes, meu caro, isso não acontece, não rola, e o leitor frustrado, meio amuado, chateado pra valer, põe de lado o poema segregado. Poesia, pra mim, tem que libertar! E não só quem a escreve, mas quem a lê também. Certo, aí estaremos entrando em assuntos de ordem sócio-econômica. Mas o popular é área fértil, área transitável por muitos intelectos. Taí um caminho essencial pra poesia atual. Mas aí, tu dirás que estou me contradizendo. Ora, meu querido, se o poeta canta a sua própria voz, quem és tu pra palpitar na voz alheia? Direi apenas, meu camarada, que a individualidade aqui não deve ser almejada, mas sim a nata, mesmo desgastada ou reajustada, deve ser conquistada. A poesia salva! E o poema feito é oração, às vezes imaginado, às vezes do coração. O poeta é apenas um instrumento do divino, e o divino pode ser do fogo ou do fogão. Não importa o credo, mas o crédito é bem-vindo! Poesia não dá dinheiro, a gente tá ligado, mas enriquece quem a lê, produz e canta aí mundo afora, isso é fato! O poeta brinca com o óbvio, e é desse óbvio que ele se alimenta, mas ele vai além, do óbvio, e alcança o inimaginável, o imagético, o suprassumo da ideia. Assim, o poeta, vira gênio ou mais um atrevido bancando o engraçadinho. E isso não lhe tira o mérito, pois poeta é ousado, quebra a perna, se necessário for, mas não perde a inspiração fugaz. Poeta é párea da sociedade. Mas ele não liga. A poesia o consola. Amém!!