segunda-feira, 12 de março de 2012

Meu sonho é ser corno!

Meu sonho é ser corno!
Corno manco duma perna só.
A vagabunda, que o Diabo leve,
Pois de chifrudo ela gosta.

Quem ama acaba criando esperança.
Mas se o amorzinho acaba, ainda mais numa galhada, tome pau, desgraçada!

O Filhote de Cruz-Credo é meu amigo.
Ambos coxeamos por aí neste mundão!
Ele por ter caído do céu,
Eu por ter subido ao léu –
Peguei flagrante e me lasquei.
Ele contestou e se danou!

Que fique com ele a rapariga,
Quero mais não esse trambolho!
Pois desse sonho já vivi e inté me diverti.
Quero menos imaginação,
Quero mesmo é carnificina!

Vou lavar minhas mãos de sangue;
Praticar mais uma chacina,
Pois só tava de guardo dum mote
Pra escalpelar os dois num pinote!

Vou arrancar couro até umas horas,
Vou decepar membros aos bocados,
Vou esmigalhar crânios;
Vou curtir a vida adoidado!!

E se o Demo quiser devolver a alma da rameira,
Porque aquilo, tu tá ligado, não presta nem pra supositório de purgatório,
Direi sem vergonha ou afetação:
Põe num vidrinho,
Tem um vizinho aí qu’eu tô de olho...

E assim vou indo nesse esquema.
Sou assassino que carece dum motivo justo.
Carrego anátema...
Sou mais um taciturno,
Sou justiceiro de quebrantos!
Sou do tipo que o Diabo gosta:
Um caso sério,
Um caso perdido.