quarta-feira, 18 de abril de 2012

Dos arquivos da guerra dos sexos: o caso do sapato feminino

Tem homem que não entende certas coisas. Coisas simples de mulher. Tá certo, até concordo, mulher é bicho complicado, mas tem coisas, coisinhas mesmo, que não são tão complicadas assim para um homem hetero entender. Ou tem? Veja bem, dizem que os homos conhecem bem o segundo sexo, afinal, tem muita mulher aí que tem unzinho pelo menos como melhor amigo ou melhor amiga, dependendo do ponto de vista. Mas meu assunto é simples: calçado feminino. Se você, meu amigo leitor, não sabe ou desconhece as razões ocultas de um bom pizante feminino, vou lhe dizer agora: é coisa séria e, ao mesmo tempo, coisa muito divertida! Pergunto-lhe: por que sua adorável mulherzinha tem praticamente uma obsessão por sapatos? Se você acha que é por causa do modelo, do desenho, da cor, do brilho, do conforto (isso existe?) ou do preço, você, meu amigo, é um tremendo vacilão! Tu és, praticamente, um cara inocente, um dos últimos aí ainda soltos. Cara, digo-lhe já: sapato é arma. E não só é quando elas os atiram nas nossas cabecinhas, não. Menos ainda quando nos dão um belo dum chute no traseiro com bico fino e tudo. Ou ainda quando pisam sobre a gente calçando salto agulha numa sessão exclusiva de S&M... Coisa essa que dói pra burro, mas, enfim, tô pensando alto... O caso é: sapatos femininos são uma arma de encantamento. Sabe quando o flautista indiano toca sua flauta mágica e, daquele cestinho, sai uma cobra ou uma corda, e ela vai subindo, subindo devagarzinho?? Pois bem, é a mesma coisa!! Imagine a cena: tamo lá, você, leitor, e eu, numa boa, papeando numa mesa de bar ou numa sarjeta mesmo e, de repente, avistamos a vilã. Pô, cá pra nós, como bons brasileiros, focamos a bunda na hora, mas, por favor, caro compatriota, representemos direito o nosso papel aqui neste devaneio, sim? Assim, tamo lá e tal, a vilã surge e, de repente, nossos zóios grudam naquele salto matador. Nossos ouvidos também ficam sintonizados, pois os danados emitem um som igualmente hipnotizante. E aí nossos olhos de condenados instintivamente vão escalando aquela criatura... Eles rodeiam os calcanhares; deslizam nas canelas; atolam nos joelhos; apalpam as panturrilhas delicadas; abraçam - apertado e demoradamente - o par de coxas; orbitam a órbita do umbigo; zigzagueiam entre os seios; escorregam no dorso alongado e caem satisfeitos e maliciosos sobre as nádegas; quicam num átimo até os ombros; circundam o pescocinho e se perdem, feitos bolinhas de pinball, naquele rostinho lindo e desdenhoso... Tem olhos aí que preferem se esconder, e ficar por um bom tempo, sobre a cabeleira vistosa da vilã passante – ótima pretendente! Então, meu amigo, percebe o perigo? Toda essa viagem ocular por causa dum par de sapatos femininos!! E cuidado: há tênis que conseguem provocar o mesmo efeito hipnótico, fique esperto. São esses pequeninos objetos de culto feminino que fazem a gente perceber o nosso verdadeiro lugar. Somos uns desgraçados mesmo! Mas até que a gente gosta, né não??