quinta-feira, 3 de maio de 2012

Quando Dona Baratinha resolveu pegar o metrô

Quando Dona Baratinha resolveu pegar o metrô
não imaginava como era o inferno na terra.
Se esperou muito na plataforma, ao menos
esperou sozinha, pois a todos assustou assim
logo que chegou.
Dona Baratinha não era feia ou horripiloza,
nada disso, era até uma gracinha
Dona Baratinha. Toda charmosa de vestido rosa,
ou era uma camisola (?), e com fitinhas coloridas
em cada anteninha. Nas seis patinhas se
viam seis sapatilhas. Branca, vermelha e preta,
um par de cada. Não queria parecer
ordinária; queria mostrar que era descolada.
Chegada a composição, não se preocupou,
se meteu entre as pernas da gente lá
enfurnada, e no corredor se instalou, ou
lá tentou ficar.
A gente suada não a viu entrar.
Mas quando a mulher de topete a
viu ali, junto a seu pé, deu um grito!
Aí foi uma confusão bem ali no meio
do vagão. Mulheres medrosas se afastaram
rapidamente. Trepavam nos ferros aos
berros. Alguns homens também
gritavam feito garotinhas. Outros tentavam esmagar a
podre da Dona Baratinha, que não entendia bem o que
acontecia. E assustada estava diante da
algazarra. Escapou por um triz de cada bofetada...
A confusão foi geral até a próxima estação.
Lá, Dona Baratinha saltou sem um arranhão.
Mas triste ficou Dona Baratinha, não
por causa do alarido feito, mas sim do
seu vestido desfeito... Das sapatilhas sobraram só
um pé de cada... E as fitinhas sumiram
das suas lindas anteninhas. Dona
Baratinha estava aos trapos, só
farrapos sobre a plataforma.
E mesmo assim, digamos, meio
peladinha, Dona Baratinha se foi assim
meio sorridente, pois sucesso fez, a
indecente. Sua alegria era assim transparente.
Porque ela gosta mesmo é de causar!
E se assustou em vez de provocar, tá
no lucro ainda, Dona Baratinha. Sua vida é
um eterno recreio, e cabe só a ela
preencher esse recheio. FIM.