segunda-feira, 6 de agosto de 2012

À cama


Minha Solidão ficou M A I O R depois que eu ganhei a cama de casal.


Sofro ultimamente de insônia aguda.


E mesmo nas trevas, ou banhado em pelo pela luz lunar, não me sinto confortável, não me sinto deveras acolhido, protegido.


Sinto falta da antiga cama de solteiro.


Sinto falta do seu cheiro característico – meu perfume corpóreo!


Sinto falta dos rangidos que ela fazia quando recebia de bom grado meu corpo cansado de mais um longo dia de trabalho.


Sinto falta da cama que ninava meus sonhos; da cama que afastava os pesadelos e da cama estreita dividida numa noite com concubina.


Sinto vontade de escrever uma ode àquela minha antiga estrutura acolhedora. Se até Neruda escreveu uma para sua querida mesa, por que não posso eu fazer o mesmo em homenagem a minha velha cama?


Porém, pensando bem, uma ode não seria suficiente.


Minha velha e querida cama era exigente; ela exigiria algo com mais extensão.


Talvez uma epopéia fosse mais condizente há todos esses anos passados sobre ela, minha velha cama de solteiro.


A você,

que mesmo que não tenha sido a primeira, foi a mais duradoura, a derradeira, a mais resistente, a verdadeira companheira fiel que, apesar dos pesares, sempre me recebia bem.


Desarrumada ou arrumadinha, você foi a minha preferida, pois só você mesmo pra aguentar, dia após dia, esta minha frágil carcaça de solitário hemorrágico.


Espero, sinceramente, que você esteja bem.


Te vi d e s m e m b rada pela última vez, mas para sempre lhe serei grato.


Muito obrigado, velha cama!!


Que você possa ainda acalentar os sonhos de outro desgraçado por aí.