terça-feira, 16 de outubro de 2012

carência sua, minha Solidão

De boa na lagoa... (photo by: @cutewildbaby / @havenearth)


estava eu à toa
de boa
na lagoa
de papo pro ar eu estava
quando a descarada apareceu
apareceu assim do nada
não me pediu licença coisa nenhuma
e foi logo entrando
no meu isolamento,
nadando ao meu encontro
visita indesejada era ela
ela era a carência se apresentando,
invadindo a Solidão do eremita aqui
aqui fiquei perplexo:

carência não se faz presente, é falta
Solidão sim é aquilo que a gente sente, é presença
carência é ausência
Solidão é presente
carência é passado, passa
carência vêm em doses homeopáticas
Solidão é superdosagem,
e mata,
se você não tiver cuidado
carência é que nem cárie, dói, incomoda,
pois descuidado foi outrora,
quem sente carência agora
carência sente quem deixa da amar
Solidão é que nem a imensidão do mar,
é azul,
é profundo
e escuro,
quem sabe mui bem disso é Epicuro

essa carência que vejo se aproximar,
escorre pobre e sinuosa,
nada gostosa
até a minha Solidão eminente
Solidão é constante, permanente
é um estado latente, entende?
Solidão fica em Pernambuco - 
carência em estado bruto!
quem nasce em Solidão,
como eu,
é solidãoense,
quem nasce sem afeto,
na privação,
é carente

assim, querida amiga,
quando tua carência se revelou
só me mostrou
o quão solitário agora eu sou

metafísica alguma me adianta se
o sapo-rei aqui não tem
perereca nenhuma pra sorver
ou ao menos uma mosquinha sequer
pra belisquete
a carência profanou a minha quitinete
meu reino por uma periguete!!!


Nota:

O germe do poema acima veio de um bate-papo despretensioso com minha amiga Bruna Rafaella, por isso este poema é para ela.

Toma um aí pra você, sua doida!!