segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gemidos na chuva

ouço gemidos escondidos na chuva que cai... são gemidos tímidos, femininos, sutis a cada milhar de gota pequenina que cai... a noite, esta noite, de verão está fria. vejo gotículas no vidro embasado da janela do meu quarto. o vento sibilante balança a árvore frondosa num ninar tenebroso... suas folhas cintilam prata a todo vai-e-vem... a sombra fantasmagórica desse ser vegetal impregna minha cama; toma todas as paredes brancas do meu quarto solitário. não vejo o luar. só ouço gemidos escondidos na chuva... e esses grunhidos me dilaceram aqui dentro; esses sons incomodam minhas entranhas vazias e desgastadas... não são gemidos de prazer esses que estou ouvindo agora. são mais gemidos de dor. a desgraçada que atirei a pouco pela janela do meu quarto teima em gemer nua e ensanguentada no chão encharcado e lamacento dos fundos da minha morada. lá se vai mais uma ex-namorada.