sábado, 12 de outubro de 2013

A porta dos fundos


Nesta sociedade em que vivemos, há algo que sempre me instigou o cenho, e desde muito pequeno, é a danada da separação de entradas e elevadores sociais e de serviços. Você aí, amigo leitor, já deve de ter trombado com essas ditas cujas em algum momento da tua vida. Se você aí, que me lê, mora ou conhece alguém que more em prédio, já sabe muito bem que elevador social é por onde os moradores do prédio e seus convidados adentram o condomínio. O elevador de serviço é destinado aos empregados assalariados que trabalham no prédio. Curiosa também é a diferença estética desses meios de transporte. Enquanto um e espaçoso o outro é estreitinho, enquanto um tem um enorme espelho embutido o outro é todo forrado, de cima à baixo, de um acolchoado de uma cor meio assim acinzentada, neutra.

As entradas sociais e de serviço também têm lá suas diferenças. Um bom exemplo disso são as entradas dos hospitais. Penso aqui nesses hospitais de renome, que são referências em determinadas especialidades, sabe? Pois bem, a entrada social é a principal. É por ela que os doentes cheios da grana adentram a instituição médica em busca de tratamento. Já os medicamentos, os equipamentos usados por esses a fim de se curarem de suas enfermidades, entram pelos fundos do hospital, entram pela entrada de serviço, ou melhor, entram pela entrada de nome sugestivo: área de carga e descarga.

Agora você, amigo leitor, entende o que eu estou tentando expor aqui? Vejo bem, aqueles e aquilo que realmente faz(em) a diferença ou bota a porra pra funcionar direito no recinto hospitalar e residencial, entra pelos fundos, pela porta dos fundos.

E, uma analogia aqui é inevitável, todo mundo tem uma tara por fundos, ou melhor, todo mundo curte um fundão. Quem aí sentava no fundo da sala de aula? Você aí ainda se lembra de que era lá que a turma do barulho, os bagunceiros de plantão, sentava? Era por lá que os mais populares ficavam de pirraça e palhaçada também. Outro exemplo explicativo: você aí quando vai ao cinema, ainda prefere se sentar, com a sua namorada ou com o seu namorado, lá no fundão da sala de projeção? Cê tá ligado comé que funciona o esquema, né? Lá no fundo o bagulho é doido! É quente de gostoso! Cê aí já manja do negócio, né não?? Safadão. Safadinha...

Enfim, tenho outro comparativo aqui na manga. Peço desculpas desde já pela minha falta de vergonha na cara. Mas o que eu gostaria de invocar aqui é algo muito sério. Quero aqui falar de cu, quer dizer, quero aqui falar um bocadinho de sexo anal. A gente tá cansado de saber que a maioria das mulheres aí soltinhas não curte essa modalidade da fornicação saudável. E até compreendemos o motivo: preconceito, falta de informação, experiência traumática no passado com um ex-namorado retardado, vá lá. Mas, meu caro amigo leitor angustiado, não se preocupe, o presente texto foi aqui redigido pra tu ter um bom argumento com a pequena excitante hesitante. Faça ela se lembrar, ou se tocar, que é na porta dos fundos que as coisas realmente muito boas, coisas importantes pra valer e coisas deveras vitais entram. A porta dos fundos não é só uma saída de emergência, uma saída de escape escatológico, ela é uma entrada de prazeres infindáveis, meu bem. Ela é o portal das sensações mais variáveis, pode crer. Amiga leitora, não renegue a si mesma mais esse prazer. Libere o cuzinho. Relaxe. Cê vai gostar.

Social rima com banal, trivial, coisa manjada de normal. Que tal fazer algo mais radical? Serviço dá mais trabalho, é delicado, é coisa que exige mais esmero e atenção, por isso mesmo vale o suplício, o sacrifício. Pense direitinho no que eu lhe digo. Pense melhor no furo, pois você sabe bem, todo furo é manchete, é algo que todo mundo gostaria de ter dado primeiro, só não teve a coragem, a sorte, ou a oportunidade para tal. Pense nisso, meu bem, e não me leve a mal. Eu te quero tanto bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário