sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Alma de borracha

Já faz um tempo que eu não escrevo em prosa. E não é por falta de tempo. Nada disso. É por gosto pela poesia. Explico: escrever em prosa demanda um tempo maior de reflexão, demanda um compromisso mais duradouro e sério com a palavra escrita. Quanto à poesia, pelo menos pra mim, o tempo é mais espontâneo, direto, sem poda nas palavras que insistem em convidar umas as outras. A poesia, pra mim, é uma rapidinha. É uma atividade que faço sem hora marcada. Pintou uma ideia, já a ponho no papel e tento desenvolvê-la ao longo dos versos. Ultimamente, ando escrevendo sonetos. Contudo, quem sabe já viu que eu não faço sonetos puros, com métrica e rimas perfeitinhas. Não. Os sonetos que faço são apenas aparentes, são apenas uma estrutura por onde ouso trabalhar para melhor acondicionar aquela minha ideia que pinta. Sim, meu caro leitor, até a recente ideia tem que ter um limite de espaço. E pra ser bem-sucedido nisso, sempre utilizo uma folha de sulfite como suporte de meus espontâneos poemas. Utilizo aqueles 30 x 21 cm pra centrifugar a ideia de passagem na minha cabeça transviada. E admito, esse troço é danado de bom! Há sempre o desafio de encaixar a palavra certa ali no poema nascente. Às vezes, as palavras vêm fáceis, sem grilo, é bem natural, mas tem vezes que o bagulho fica doido, difícil mesmo, a ideia não desenrola, trava e, quando isso acontece, tento mais um pouco – não desisto assim tão fácil. Porém, nem sempre dá pra superar o bloqueio criativo, aí ponho de lado o poema inacabado, pra só voltar a ele outro dia. Não tem jeito. Tem poema que precisa de um tempo de maturação. Tem poema que exige um pouco mais de tempo e dedicação. Curioso, não? Mesmo assim, ando ultimamente privilegiando a poesia por ver nela a possibilidade de síntese, de resumo, de algo curto. Isso é outro desafio, bem sei, mais é sempre bom praticar sua concisão num poeminha aí de descontração. Ah! Outra coisa. Aquela folha de sulfite que utilizo inicialmente pra desenvolver o meu poema, eu a jogo fora. Sim! Não arquivo rascunhos. Privilegio mais a ideia do que o suporte físico. Por isso, não sou encucado como alguns amigos meus em publicar um livro e coisa e tal. Concordo com eles, o livro é um bom registro de que aquele autor existiu, mas, pra mim, este espaço virtual já tá de bom tamanho. Não quero que mais árvores morram por um escritor tão medíocre como eu.