sábado, 19 de abril de 2014

A garota da banana

Bebia eu uma breja próximo ao trampo,
Quando uma mina encostou junto a mim,
Assim num tremendo espanto!
Parecia com fome esse encanto,
Pois via afoita as frutas lá expostas,
Todas na vitrine de vidro sobrepostas.
Não pensou muito, nem um segundo,
Pediu a banana lá amanhecida.
Essa era um monstro amarelo de enorme,
Coisa essa fora deste trópico!
Pediu, pediu, mas não foi atendida,
Os atendentes ali estavam noutra sina.
Então eu disse:
- Chama o Bebê que ele te dá o que você deseja.
Ela não me botou fé,
Me olhou com aquela cara desconfiada de mulher,
Mas, mesmo assim, chamou pelo Bebê ali de prontidão
Que, quando ouviu o seu pedido,
Dito assim, de carinho, lhe encheu logo a mão
Com aquele puto bananão!
Ela sorriu.
Agradeceu-lhe bonitinho e saiu
De fininho
Com aquele troço torto e monstruoso!
Após pagar pela fruta,
Essa mina me olhou de soslaio e,
Antes de ganhar a rua,
Me lançou um olharzinho de tarada recatada...
Ah, aquela banana ia se dar bem na puta farra!