quinta-feira, 24 de abril de 2014

Molhado de sol, queimado de chuva

Ele se foi, me deixou.
Dizia ser meu Amor,
Mas só me deu dor.

Agora, sozinho fico, sem ninguém.
Me isolo do mundo.
Ninguém me faz bem.

Meu mundo é o caos,
O fim de todo o sempre.
O apocalipse é o meu presente.

Estou nu nesse mundo de torpor.
O dia não é dos melhores.
Estou sem sorte.

Suo, molhado de sol,
Encharcado daquilo que dizem ser vital.

Sangro, queimado de chuva,
Torro sob minhas lágrimas de cristal.

Não sinto calor,
Tampouco frio,
Meu mundo é um nada de vazio.

A dor que sinto é sem igual.
Não há comparativo aceitável.
A minha terra é uma terra instável.

Não tenho mais nada,
Nem eu mesmo.
Me entrego sem lutar.

Cansado estou.
Já sofri demais.
Desejo somente a paz.

Não quero mais nada,
Nem mesmo o tudo de todos.
Me deixem ir além, sem ninguém...

Quem sabe assim eu aprendo
Que só se dá por satisfeito
Aquele que sabe respeitar o acaso
E a si mesmo, por inteiro.

Somente no fim
Consigo ver um começo.
Um começo pra mim,
Um fim pra você.

Eu vejo agora aquilo que não era entendido.
Eu vejo a solução sem dúvida absurda.
Eu não vejo mais você.

Molhado de sol, queimado de chuva
Faz todo o sentido agora:
Era só um sinal de melhora.