segunda-feira, 26 de maio de 2014

Trapaças, Tretas e Trepadas (2)

Amanda é leviana,
Amaro é descarado,
Armando é trapaceiro
E todos estão relacionados.

Amanda ama Amaro,
Que é amigo de Armando,
Que come a Amanda do Amaro...
Eh, o Amaro é um puta desgraçado!

Armando a traça de manhã
Quando Amaro sai pro lambe-lambe.
Amanda também trabalha,
Mas entra mais tarde noutra praça.

Armando arma sua barraca logo cedo
E não tem medo
Da bagaceira que faz
Com a mulher do amigo que sempre lhe satisfaz.

Amanda é tipo inocente,
Finge-se de burra e é convincente.
Na cama, dita a regra e o ritmo.
Essa mulher carece de muitos mimos.

Amaro sempre dá duro
No trampo durante o dia inteiro e
À noite na Amanda em desespero –
Armando é displicente, às vezes deixa sinais de seu presente...

Amaro parece ser cabra honrado.
Tem lá seu par de chifres,
Vale salientar,
Mas não parece crer ou desconfiar.

Armando é pau pra toda obra,
Não deixa o amigo Amaro na mão.
Tampouco a mina desse na autossatisfação!
Armando é parça e acha graça da situação.

Amanda também se diverte.
Tá sempre na febre da próxima consumação.
Dá de dia e dá de noite e
Não tem sequer uma reclamação!

Amanda curte muito tudo isso.
Acha excitante todo esse perigo,
Mas é leviana, eu já lhe disse.
Então, se prepare pro sensacionalismo:

Amanda se deu folga;
Amaro deu pra trás e
Armando folgou demais!

Amaro chegou mais cedo,
A Amanda estava no banheiro,
Enquanto Armando armava o cerco:

Armando não se encapou por inteiro,
Pois viu o amigo Amaro de olhos bem arregalados...
Amaro não lhe disse nada.
Percebeu logo a sua desgraça e
Sacou rápido a faca!

Armando também tinha uma.
Sei lá porque dessa conduta,
Mas foi ligeiro em pegá-la ali no chão,
Junto da sua calça e da calcinha de estimação!

O risca faca rolou feito raio!
O Amaro atormentado foi certeiro:
Cravou a sua faca bem no meio do peito do dito parceiro.
Armando foi morto num susto,
Não conseguiu desviar ou mesmo bloquear a fúria fria
E felina
Do amigo parricida...

Os dois tinham lá seus laços sanguíneos.
Porém, nada disso foi dito porque,
Veja bem, nem mesmo eu sabia disso!

A puta da Amanda era a próxima!
Amaro sequer esboçou remorso
Ao arrancar sua faca do parente lá estrebuchado.
Amaro recolheu também a faca desse diacho.

Amanda no banheiro estava,
Tomando banho, óbvio,
Não se ouvia descarga.

Amaro abriu a porta,
A infeliz não tinha o hábito de trancá-la –
Pobre desgraçada!

Amaro a abriu com calma,
Deu passos leves até o chuveiro.
Porém, diante da cortina, se pegou pensativo:

Amaro amava Amanda por demais!
Teria ele coragem em fazer essa barbeiragem?
Ok. Amanda fez uma puta sacanagem,
Mas ele a amava por demais, poxa vida!

Amanda não percebia sua presença,
Estava de costas para a porta,
Lavando os cabelos,
Que eram de um ruivo vivo, diga-se agora a tom de gracejo.

Amanda era uma putinha do cabelo fogaréu,
De pele alva, muito alva, de tom pastel.
Seus pelinhos também eram vermelhinhos...
Amanda era peça rara, muito rara, de se encontrar.

Amaro pensava nisso ali estagnado, indeciso.
Ensaiou em puxar a cortina d’uma vez e
Interpela-la ali mesmo de surpresa,
Mas ao ouvi-la cantarolar,
Teve a certeza:

Puxou a cortina de uma vez e
O grito que a Amanda deu
Não durou nem dois segundos.

Amaro enterrou as facas,
Uma em cada orelha,
Da pobre coitada
Agora toda vermelha...

Mas o que a Amanda cantarolou?
Bem, eu já não sei bem, dotô.
Eu tava com o diabo no corpo.
Já não me alembro direito do sucedido.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Pica-Pau Crucificado

Eu sou um ser sozinho
Que vaga perdido no infinito.
Eu sou aquele sem carinho
Que ainda ri em ser benedito.

Eu sou um planeta sem sol,
Eu sou uma comida sem sal.
Eu sou um planeta órfão
Que caminha sem rumo e sem companhia...

Eu não tenho estrela-mãe.
Meu voo é solitário e frio.
Eu sou filho da puta que pariu!

Dizem que não sou um planeta,
Dizem que sou outra estrela –
Eu sou um astro abortado que não se ascendeu.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Anotações de um bebum introvertido (18)

Calça de couro reluzente
Não disfarça a barriguinha sexy saliente.





Três pares de pernas alvas
Não denunciam a enorme falta
D’umas boas estocadas
No ponto de intersecção
Com interjeição!





A noite está só começando
E eu aqui só observando...





Homem é tudo igual; dizem que pensa com o pau, mas não é verdade. Veja bem: o homem vale bem mais que um vintém, o homem pensa com a cuca, mas tem vezes, convém admitir, pensa na filha da puta que a de vir.





Ah, o outono! Bendito sejas tu entre nós. Te agradeço sempre quando vejo um brotinho agazalhadinho mordiscando um chocolatinho.





Amor só existe um, o resto é tapa buraco.





Ah, a Felicidade se mostra toda sorridente às 11h30 d’uma terça-feira ausente!... Se chove lá fora, não me importa mais agora, pois ela está aqui, batendo timidamente à minha porta.





- Um olhar sem olhar, sabe? Um olhar sem que você precise entender, apenas ver para crer naquilo que você sinceramente já conhece e entende, entende? Não é assim tão complicado. O caso só se descomplica quando você dá o primeiro passo. Depois, das duas uma: ou você despenca de vez em um abismo de lamentos, ou você finalmente toma jeito e conhece aquela pessoa que você tava afim de conhecer faz é tempo.