sexta-feira, 20 de outubro de 2017

RACISMO

palavra idiota
atitude pior
cabeça menor
de sociopata

se acha o melhor
se vê na alta
porém, o lhe que falta
sobre em horror

infelizmente ainda existe
em todo o mundo persiste
essa ideia de palpite

racismo é coisa séria
tipo superbactéria
que só atinge os acéfalos

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

EFEMÉRIDES (1)

sem o que fazer,
escrevo
sem compromisso
com a realidade ou
com a ficção
simplesmente
escrevo
sem intenção,
só quero
aqui
passar o tempo
enquanto ele
não passa
por cima
de mim





tempo passou e
eu aqui à vapor





quem corre muito
vive muito pouco





sortilégio é
não ter brincado de Lego





passar desapercebido
hoje
é a morte

se sou
lembrado,
tenho sorte

se não,
não me importo,
curto a minha própria arte

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

CRESCER E SER ADULTO NÃO SÃO A PIOR COISA DO MUNDO

Por mais estranho que possa parecer,
É inevitável, temos que crescer.
Adulto nos tornamos (quando)
A gente menos espera, somos.

Até o nosso papo muda.
Da diversão às contas preocupa.
Rolês não mais, só deprê.
A vida parece um degradê.

Perde-se muita coisa,
É verdade.
Porém, também se ganha
A realidade.

Ser adulto é ser mais triste sim,
Mas não é só isso, não.
É tudo no ser em ebulição;
É uma bela história em formação.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O SINO QUEBRADO DO DESTINO

o sino toca
e todos param
ficam imóveis
esperando o
sino tocar
de novo
o sino para
e todos se movem
vão andando até
o sino tocar
de novo e
de novo e
de novo e
o sino não toca
e todos morrem —
esperaram demais
o sino quebrado do destino

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ARTE PARA LEIGOS

imagine a cena:
uma criatura alva
isolada, cercada
por portas de madeira
que flutuam
a sua volta
observando
a criatura alva
sendo soterrada
por guarda-chuvas negros
amontoados sobre ela
a criatura alva
tentando evadir
seu braço direito a subir
com a palma aberta
cinco dedos expandidos
tentando sair, se libertar
tua boca aberta
tentando gritar
sem sucesso
muda
seus olhos vagueiam
entre as portas de madeira
suspensas
ao seu redor
entre elas há
brechas e
nessas brechas há
o grande segredo do mundo
que
seres sinistros
guardam
com unhas e dentes bem afiados
na esperança pagã aguardam
até o famigerado dia
em que
a criatura alva
enfim se liberte
dos guarda-chuvas negros
e adentre uma das
portas de madeira
suspensas
ao seu redor e
enfim brigue
com eles pelo
grande segredo do mundo
imaginou a cena?
pois então pegue o seu guarda-chuva
e encare a verdade:
são poucos
muito poucos
os que
tentam entender
a arte

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O AMOR NÃO TEM GÊNERO

tem homem que é homem e gosta de mulher
tem mulher que é mulher e gosta de homem
tem homem que é mulher e gosta de homem
tem mulher que é homem e gosta de mulher
tem homem que é homem e gosta de homem
tem mulher que é mulher e gosta de mulher
tem homem que é mulher e gosta de mulher
tem mulher que é homem e gosta de homem
tem de tudo neste mundo
tem amor também
— e como tem!
o amor NÃO tem gênero

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O MONÓLOGO DA MÃE NATUREZA

Eu a vejo séria
Diante da platéia.
Ela está muda,
Parece até surda.

Ela não se mexe.
Espero que não se queixe
Do horror que é
Ver gente que diz ter fé,

Mas da alma não faz luz,
Só ódio e dor reproduz.
Ela vê lá tudo isso

Imóvel do palco fixo.
Fica lá só observando
Suas próprias crias se multiplicando.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A PERUA DO 4G

Exibi-se que nem puta
Em Amsterdã.
Faz academia, faz dieta
E posta tudo no Instagram.

Diz que é liberal, de direita;
Faz da rede seu divã.
Dá patada, dá coice de jumenta
E se diz viver num afã.

Tremenda idiota é!
Trai o marido com o Zé
E explora a empregada.

Não cuida da própria mãe,
Trata os filhos pior que os cães
E ainda se afirma empoderada — SAFADA!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A ISCA

Feixe de luz ilumina o caminho
A criança de gatinhas caminha,
Segue até o fim do feixe
Para lá enfim encontrar um peixe.

Que é de borracha, claro
É um bicho emborrachado
A criança não se espanta,
Pega-o grosseiramente e o levanta.

Sentada sobre a fralda,
A criança brinca, se balança,
Não sente a linha que se estica...

Um puxão só e a criança some
De cena, da vista, da vida
Feixe de luz se apaga, lentamente.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O EJACULADOR

Pode ser qualquer um
Teu pai, teu irmão, teu filho
Todos têm a munição
E uma mão para tal fim
Não é direita, nem esquerda
É uma tremenda falta de decência
E respeito pelo gênero alheio;
É ausência de caráter,
É doença degenerativa mental
Um cara, um moleque — sexo-viral —
Pegar no pau
E ejacular
Em público
No corpo ao lado privativo
Achou isso “engraçado”?
“Normal”?!
Ou apenas um “desvio leve de conduta”?
Então, trate de capar a mula,
Pois quem faz isso,
Não pode ser considerado civilizado
É bicho do mato;
É coisa do dêmo
Do tempo da pedra
Antes dos santos
Ou de qualquer deus aí em voga
Ejacular em praça pública
Nem os cães mais fazem
A Natureza dá o seu alarde
E o Homem se torna encarte.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

POR QUÊ?

É a pergunta que
Ninguém hoje se faz
Tá na merda
Tá doente
Mas não entende
Não se questiona
Fica à toa sobre as ondas
Surfa no embalo dos outros
É trouxa
Em vez de pensar, raciocinar
Prefere logo julgar e condenar
Insiste na burrice tola de cada dia
Não faz nada
Só assiste
Nem sequer faz
O que, para uma criança, é intrínseco:
— Por quê?

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O PRIVILÉGIO DA UTOPIA

países se unem
povos se separam
o Homem faz aquilo que lhe convém
porém, o Homem de verdade,
faz aquilo que tem de fazer,
não fica de nhém-nhém-nhém
assim, então,
os
povos se unem
e os
países se separam
o Mundo só fica melhor
quando é compartilhado

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O AMANHÃ QUE NOS PERTENCE

Haverá um dia
Em que a Morte
Será a companhia
Dejeta do passante.

Haverá, nesse dia,
Gente se dizendo sem sorte,
Apavorada e à revelia,
Querendo um passaporte.

Mas fugir não adiantará,
Seja aqui ou em Miami,
Todos já estão num cordame.

Pendurados ao Deus-dará
Só no aguardo do atirador
Ou do próximo ejaculador.

sábado, 30 de setembro de 2017

QUATRO PATAS NA RODOVIÁRIA

Embarcou e não disse tchau
Foi-se’mbora pra nunca mais
Disse, antes, que não aguentava mais
Partiu partindo um coraçãozinho — au, au.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Fragmentos do cotidiano (9)

— Sim. É verdade. Tenho uma tara descarada por comentários. Não que isso seja um grande problema. Na real, aprecio o parecer alheio. Curto uma troca bem-humorada de opinião, gosto e visão de mundo. Acho que todo mundo, que tem um blog ou um perfil em alguma rede social, gosta de comentários. Afinal, quem comenta se importa com aquilo que comentou, não é? Posso estar enganado me enganando, mas isso faz todo o sentido pra mim. A Internet é uma troca constante de informações, dados e experiências, não é? Pena que, ultimamente, ou desde sempre, não sei bem, mais se vê a ojeriza do que a beleza própria da nossa vida. Compartilhar com todos, todos os nossos momentos, sejam eles bons ou maus, só vale a pena, só faz sentido se tem, ao menos, uma pessoa visualizando tudo isso. É preocupante que a maioria queira sempre mais e mais testemunhas praquilo que posta, faz. Acho que a rede social só dá certo se o indivíduo que se coloca nela é um ser bem resolvido consigo mesmo. Se não é, baterá muita a cara até se descobrir.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

MORTE ARMADA

Não é ela, mas leva a fuça
Atira, mata, veste a carapuça
Você a vê na rua
Sob o sol, sob a lua.

Ela não é bando, é unidade
Que fica ali na atividade
Buscando meliantes, traficantes
Pra por na cova dos indigentes.

Pode correr, se esconder,
Pode até atirar de volta
Porém, cara pálida, tua hora chega.

Tua vida, se não é direita,
Perde-se à toa na prega
Cosida de balas no poder.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CÓLERA

Não é banda, não é doença,
É o estado crítico atual.
Tá todo mundo dando pau
Em qualquer um aí de outra crença.

É crente? Diferente pensa?
Prepare-se para o bacanal
De ofensas, bombardeio do mal.
Ninguém mais respeita a diferença.

Os ânimos estão inflamados,
Tá todo mundo pilhado
Numa neurose rancorosa.

O discurso de ódio é rotina.
Há por aí muita gente desgostosa.
É a Cólera se tornando sina.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

QUANDO A CRIATURA SE ENXERGA A OBRA PRIMA DE DEUS

Eu me vejo no espelho
E não vejo nada de errado.
Eu me sinto abençoado
Toda vez que me vejo no espelho.

Não vejo defeitos, nem pêlos.
Sou perfeito! Fui criado!
Respiro bem, estou curado?
Eu estou vivo pra caralho!

E isso é o mais importante.
Estou bem, estou feliz,
Convivo bem com a cicatriz.

Não me sinto impotente.
No espelho, eu me vejo
E nele eu reconheço o desejo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SONO DA PORRA

Quem aí é homem sabe,
Depois de uma boa gozada,
O sono vem logo após a trepada.
O corpo amolece, não mais se cabe.

Com a mulher, idem, baby.
Ela, se realizada, fica encantada.
Se não, pobre coitada!
Fica a ver navios com pica mole.

Não importa a idade,
Todos dormem, sucumbem à porra!
Sono vem, vai-se à hora.

O odor impregna, cheiro de vontade.
Milhões de flagelos morrem
Enquanto dois corpos nus dormem.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

AULA DE HISTÓRIA

Pegue o livro didático
E o jogue fora.

Pixi a sala de aula
E não saia correndo.

Tua história é essa
Que você mesmo
Desenhou na parede.

Quer mesmo que todos
Fiquem cientes dela ou
Quer sair da sala de aula
E viver de vez fora da toca?

Para todas as respostas possíveis,
Apenas aqui um aviso amigo:
Não jogue fora o livro
Sem antes lê-lo.
;)


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

COMBOIO DO INFERNO

Amontoados uns sobre os outros,
Assalariados, desempregados e estudantes
Sofrem a agonia sem precedentes;
É a luta diária dos eleitos.

Dentro, aqui, não é pra poucos,
Cheio vai o bucho das serpentes
De aço e ferro escaldantes
Sangrando por terras afastadas só de cacos.

Seu destino é o centro do diabo,
Repleto de gente condenada sem saber,
Que respira ar seco e fede de doer.

Lá, o pandemônio é completo:
O comboio só mais cresce, segue ereto
Até adentrar fodido no próprio rabo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ABANDONADO

Partiu sem olhar pra trás,
A Esperança em desesperança
Correu a toda feito criança
Que foge com medo dos metais.

Da Vida, não vê mais graça
O Homem a desfaz
O Homem é Alcatraz
Por isso, partiu em desgraça.

Ela, a Esperança, foi-se embora
Seu tempo passou mal passado
O Homem, agora, vive curvado

Em si, conectado, desplugado de fora
Quando a Esperança se vai,
O Homem sozinho cai.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O MÊS DO GRITO

Mais um acaba
E é com gosto!
Agosto se vai
E que venha setembro!
Se bem me lembro,
Este mês é mais festeiro
Do que àquele agourento.
Agora, tudo andará nos eixos;
Chega de andar a esmo,
Sem dinheiro ou sem parceiro!
Setembro vem pra renovar.
Quem acredita nisso,
Pode continuar.
Setembro o libertará!
Pois então grite
A plenos pulmões!
Este mês é dos bufões.
Pedro I foi o primeiro,
Quem aí será o próximo?
Dica amiga:
Fique de olho no retórico.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

DOR

Por mais que a gente tente evitar,
Ela vem sem tardar,
Pois, sem ela, não estaríamos vivos,
Seríamos apenas espíritos

A vagar por aí à esmo...
Até quem já morreu quer senti-la,
Afinal, dor é vida!
E estando vivo tudo têm sentido.

A carne é sensorial,
É o objetivo do Mal
Para ofender seu criador.

Por isso, não seja tolo:
A dor é sinal de vida,
Sem ela, tu estas morto.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O CANDIDATO ETERNO

Eu o vejo por aí
Todo asseado,
Parece até que saiu do banho,
Tá sempre limpo e bem vestido
Até quando de gari se veste
Sem aparente compromisso.
Eu o vejo viajar um bocado
Aqui, na sua cidade,
Quase não aparece.
Porém, manda scrap
Via aplicativo e
Assim
O que presente não resolve,
O faz remotamente, diz.
Eu o vejo por aí afora
Ganhando títulos de outras cidades,
Que certamente ele nunca foi,
Se passa agora por elas,
É porque tem coligação de olho gordo
Nesse presidenciável de rodízio
Que roda a roda
Mas não ganha Jequiti.
Propaganda enganosa esse é!
Esse cara tá de cara
Na própria privada
Confabulando outros meios
De encher os bolsos de dinheiro
Dele e dos camaradas
Que moram no Morumbi
E que tão pouco de lixando pro Itaim.
Que não é o Bibi, veja bem,
É o Paulista, meu bem.
Ora, taí uma coisa que esse aí
Não é e nunca vai ser,
Porque paulistano genuíno
Trabalha para o seu sustento, claro
Mas pro familiar também
E sempre colabora
Com TODO MUNDO
Que aqui aporta
Pra sonhar, se desenvolver.
Esse eterno candidato
Tá mais pra bandeirante
Do que pra assentado.
Quem o acolher,
Já se prepare,
Pois, que nem aquele outro,
Esse vai nos abandonar
Pra alimentar
Sonhos enrustidos de presidencialismo.
Então, meu amigo cidadão,
Fique esperto e
Não dê bobeira.
O José já nos deixou,
Do João é só se lembrar
Daquela canção do Gil.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LITERAL

Quando digo que
Afoguei o ganso,
Afoguei-o mesmo,
O bicho penoso morreu.

Se eu digo que
Dei nó em pingo d’água,
Pois o dei mesmo,
Até dois, pra não soltar.

Agora, quando eu vejo/leio por aí,
Gente corrigindo
O que foi dito/escrito,

Logo sinto pena
Desse indivíduo
Carente de sulfito.

sábado, 19 de agosto de 2017

A CHANCE

Ele está lá fora. Pronto pra me pegar. É só eu pôr os pés na rua que ele vem e me pega. Não quero sair. Mas devo. Penso em sair correndo. Talvez eu tenha melhores chances, afinal, ele não é de correr. Porém, tenho medo. E o medo me paralisa. Não sei se vou conseguir correr. Mesmo aqui, escondida, sinto a paralisia, o medo me congela toda. Droga! Eu tenho que sair daqui. Não dá mais. As que ficam direto aqui, já estão desconfiando. Vou sair. Vou correr. Minha vida depende disso. Enfim saio. Olho ligeiro para todos os lados e, ainda com medo, corro. Desembesto em pêlo pela rua, mas, antes de terminar a primeira quadra, eu o vejo surgir de braços abertos e sorriso largo meio vil, pronto pra me pegar e me levar de volta pro canil.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O LATIDO

Ao me deitar, para enfim dormir, eu sempre ouvia ele, o cachorro do vizinho, latir. Não importava o horário. Mais cedo ou mais tarde, ele, o cachorro, sempre latia. O latido em si não me incomodava. Ao contrário, achava esse fato muito curioso e até mesmo brincava, comigo mesmo, que o latido do cachorro do vizinho era uma espécie de alerta, uma espécie de chamado sobrenatural para algo específico da minha vida. Então, todo dia, com a cabeça no travesseiro, eu imaginava o que poderia ser esse tal alerta. Eu me entregava à especulação imagética, todo dia, antes de dormir. Era divertido isso. Só dormia bem assim. Contudo, um dia, o cachorro não latiu, tampouco no posterior e nos demais seguintes. Fiquei muito preocupado com isso. Meu sono não foi mais o mesmo. Era aterrorizante me deitar sem o latido do cachorro do vizinho, o silêncio era sepulcral. Não me aguentando mais de angustia, fui, pessoalmente, na morada do vizinho perguntar do cachorro. Desse vizinho, eu nunca soube nada, nem nunca o tinha visto vivo. Bati três vezes na porta e ela se abriu num grito coletivo: VAMPIRO!!!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A ÚLTIMA

À meia-luz enfim ela vem, caminhando, a passos lentos, próximo ao meu leito. Não a vejo sorrir ou chorar, a burca negra lhe cobre a face, e o corpo anoréxico de outras misérias. Tento lhe dizer alguma coisa. Talvez um último pedido ou clemência, mas a sua foice me rasga que nem corte de papel.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

TIA SULEIKA

Tia Suleika tinha fama de alcoviteira. Nos tempos da juventude, diziam que ela chegou a namorar sete mancebos ao mesmo tempo. Também se falava, à boca pequena, que a tia teve um grande amor proibido. Desse, não se fala muito. Suas amigas, que sobraram, tocam, mas enceram logo o assunto. A fama de biscate é mais divertida quando se dão as parcas visitas. Todavia, tia Suleika sempre chora quando lê ou assiste a Otelo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ME SINTO UM PANACA QUANDO...

Leio os comentários de uma matéria/crítica jornalística


Vejo vídeos fofinhos de pets na net


Ouço o som alto e tosco do vizinho


Respondo que “não sei”
ao ser perguntado
aonde fica tal lugar/rua
estando eu bem próximo desse/dessa


A cerveja que peço vem congelada


Sinto o cheiro de merda
Bem próximo de casa


O mesmo pedinte,
Todo dia,
Me pede um trocado


Não me dizem “obrigado”


Me perguntam se eu estou bem


Não me respondem nada
Na vez d’eu perguntar


Provam que eu sou um idiota


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

DÁ VERGONHA

Quando alguém
mais exaltado/a
começa a falar de política
do seu lado

Quando um/a amigo/a seu/ua
faz uma piada idiota
denegrindo uma etnia
ou uma classe social

Quando o/a chefe
te cobra
por algo que
nem mesmo ele/a
faz

Quando você é pego/a fazendo merda
ou tentando escondê-la

Quando alguém te faz
elogios falsos

Quando a única coisa sensata a fazer
é ficar calado/a
ouvindo um/a idiota
falando merda
o dia inteiro

Quando alguém é sincero contigo,
pois franqueza
é coisa rara
hoje em dia

Quando alguém é gentil contigo,
pois gentileza
também é coisa rara, viu

Quando admitimos que
estamos errados,
pois nós,
reles “serumaninhos”,
somos orgulhosos pra caralho

Quando esquecemos
algo importante
pra alguém
que amamos