sexta-feira, 19 de março de 2010

Diagnóstico, por ora

Não olho mais nos olhos dela. Não suporto mais ouvir a sua voz me interrogando. Não suporto mais sua presença no fim do dia – só no fim do dia -, seu corpo já não enxergo mais, e nem quero enxergar. Longe dela quero estar. Longe de seus afetos femininos. Longe daquele odor que só ela exala. Pr’aquela casa não quero voltar. Pra minha, que não existe, quero residir. Mas, esse querer, inconstante é, pois passa o passado, passa o presente, passa o futuro e dela o filhinho querido sempre serei. Não dá pra fugir, o cordão umbilical é longo, invisível e eterno e uterino. Mesmo quando findar esse físico relacionamento materno / moderno, o cordão ainda nos unirá. Ela, via placenta espectral, ainda alimentará meus sonhos, minhas escolhas, meus projetos... Tomara que tudo isso, um dia, resulte num cordel ao menos, pois basta de carência poética, ou anemia lírica, quero uma epopéia singela, digna de mim e dela, principalmente dela, minha Mãe!