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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

FUI TENTAR A VIDA NO WORDPRESS

Imagem surrupiada de algum lugar da net.

Manter um blog não é fácil.

 

Ainda mais um que se pretende ser literário.

 

Boas ideias sempre vêm, já a Inspiração só aparece de vez em quando, que nem aquela visita interesseira bem na hora do almoço, ou bem na hora do café da tarde.

 

Alimentar um blog requer várias coisas. Não só isso aí dito acima. O Tempo também é um ingrediente importante. Há de se ter tempo pra fazer tudo, e disposição também.

 

E esses dois, também, andam raros, cada vez mais raros...

 

Nesta Era do Caos, a vida, a nossa vida, anda muito atribulada; fazemos tantas coisas, que as outras coisas, que também precisamos fazer, ficam acumuladas, esperando aquele tempo vago, que não temos, e, talvez, nunca teremos, pra fazê-las.

 

É complicado, né?

 

Muito.

 

Por isso, estou de mudança. Sim! Deixarei o Blogger pra tentar a vida lá no WordPress. Isso mesmo. Se até o onipresente Google deixou de cuidar do Blogger pra cuidar de outras coisas mais lucrativas, vou eu também abandoná-lo pra me enveredar no WordPress. Mas sem ganância em mente, é claro. Blog literário não dá dinheiro, sabemos bem. Quem o faz, faz por prazer, ou por pura desocupação mesmo.

 

Mas por que o WordPress?

 

Ora, como eu disse antes, o Blogger está abandonado, tá tipo o Centro de São Paulo, sabe? E é de código fechado. O WordPress não, é de código aberto e tem uma comunidade gigante, bem mais ativa. Sempre há algo de novo por lá. E renovar é preciso, certo? É tempo de renascer, como bem diz a Rede Globo aí ultimamente.

 

Bora pra lá então??

 

As novas publicações deste blog serão todas por lá a partir do mês que vem, fevereiro. Espero ver seus rostos, e novas carinhas por lá então, hein!

 

Inté!

  

sábado, 19 de agosto de 2023

O QUE HÁ DE SER DO CENTRO DE SP?


        Já faz um tempo. Todos sabem. O Centro de São Paulo anda abandonado.

        Seja ali nos arredores do Terminal Parque Dom Pedro II ou, ao lado, nos arredores do Mercadão ou, mais pra cima, ali na Praça da Sé e adjacências ou, mais pra baixo, no Glicério ou, voltando, na Santa Ifigênia, na Luz ou no Bom Retiro mesmo, tá tudo uma tristeza só. Tudo sujo, maltrapilho, caindo aos pedaços e muitos outros mais adjetivos pejorativos ou ofensivos demais para se pôr aqui nesta simples crônica.

        Lojas fechadas, prédios invadidos, megalojas falidas tentando vender os produtos megacaros que ainda têm e poucas, poucas pessoas naquele vai e vem característico dos grandes centros comerciais das capitais. E o que fazem essas parcas pessoas? Trabalham, dizem. Ou melhor, tentam trabalhar. As que trabalham, insistem em estar ali encarando a violência armada crescente e a falta de gente com dinheiro disponível pra gastar. Já as que não trabalham, estão lá tentando arranjar um trabalho ou estão lá por estar, não fazendo nada de importante mesmo, ou estão lá pra roubar o pouco dos que ainda têm muito pouco pra roubar, entende?

        O Centro de São Paulo já não é o mesmo há muito tempo. A pandemia só escrachou mais a fatídica situação. Hoje em dia, muito mais gente faz as suas próprias compras on-line, as coisas de supermercado e até roupas as pessoas estão comprando mais na internet, em lojas virtuais oficiais ou de fachada. As pessoas que insistem em ir às lojas físicas e compram o que querem comprar e veem e pegam essas coisas, estão diminuindo. A praticidade venceu, e o sedentarismo também.

        Quer um bom exemplo? Pois bem, dia desses dei um rolê ali pelo Centro. Meti na cabeça que eu precisava de uma torradeira nova e na cor vermelha (não me julguem). Aonde fui? Na 25 de Março, claro! Encarei metrô lotado em um dia de sábado e bati perna praqueles lados. Entrei e saí de várias lojas, mas não encontrei a bendita da torradeira vermelha. Vi muita gente por ali, mas aquele epicentro de gente comprando já foi mais movimentado, mais abarrotado de gente. A Ladeira Porto Geral, por exemplo, tinha mais gente gritando, vendendo sei-lá-o-quê do que comprando. Passei pela General Carneiro também, essa estava mais vazia do que costumava ser quando eu era pequeno, lá pros anos 1980 e 1990; procurei pela torradeira vermelha e nada. Só vi umas sanduicheiras e fritadeiras, a famigerada e tão deseja ultimamente air fryer; e uma torradeira preta. Passar a pé ali pelo Centro Histórico de São Paulo é ver uma cidade que morre; que está morrendo aos poucos. Como eu disse antes, muitas lojas fechadas, ruas sujas e gente aos trapos; as pessoas passam por ali apressadas, preocupadas, muito preocupadas com algo (salário, saúde, roubo ou tudo isso junto e misturado?). Passei ali em frente à Prefeitura, pelo Teatro Municipal, entrei numa dessas galerias da Barão de Itapetininga e, enfim, encontrei uma torradeira vermelha! Paguei mais de cem paus numa que fora fabricada na China, acredita?!

        Mas que raios quero eu aqui dizer com tudo isso?

        Oras, as coisas mudam.

        E o Centro de São Paulo merece mudar. O lugar precisa de mais moradia. Gente atrai gente que atrai mais comércio, mais serviços e, consequentemente, mais segurança e bem-estar.

        Duvida?

        Por que você acha que foi anunciado mais uma unidade do SESC bem ali aonde era a loja das Casas Bahia que, antigamente, era a loja do mítico Mappin? O SESC 24 de Maio, que fica ali próximo, por exemplo, tomou o lugar da Mesbla, lembra? Essa era outra grande loja de departamentos que faliu, tá ligado. Então, o futuro é cultural, cara! Mais e mais livrarias estão se abrindo ali no Centro, restaurantes hypados estão surgindo ou se persistindo por ali, bares também, até o Edifício Martinelli vai virar café, pô!

Percebes?

O comércio de rua está em derrocada. O que você compra já fica em galpões, o item sai do estoque direto pra sua casa, mano. Por que você acha que essas empresas de entregas só crescem?

Falta humanidade no Centro da cidade. E serão eles, nós, os seres humanos, e não os reptilianos, que farão dele um verdadeiro Centro de acolhimento para as nossas necessidades mais básicas.

Você acredita nisso também? Ou não? Comente-se.

 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

UMA CRÔNICA TRISTE

Imagem: significados.com.br


A crônica é um gênero, é um tipo de texto que preza, na sua essência, no seu cerne, por assuntos mais leves, por temas mais amenos e até divertidos, engraçados de ler.

A crônica ideal tem que ser curta, breve, sem enrolação. Quem a lê, já logo a entende nas primeiras linhas, afinal, esse gênero textual, é próprio de jornal, impresso ou virtual, e lá, nesse ambiente rico em textos, quem por lá se embrenha, logo lê o que quer, ou o que lhe chama mais atenção, para, em seguida, ler outra coisa ou não, certo?

Pois bem.

Uma certa poética também é esperada numa crônica típica. Aí vai do gosto ou da capacidade inventiva, e imagética, do seu autor a adição desse “tempero” ou não na crônica — bons e maus cronistas são, ou deveriam ser, verdadeiros mestres nisso.

Contudo, porém, entretanto, tá muito complicado redigir uma boa e otimista crônica seguindo esses pressupostos aí de cima hoje em dia.

Cá no Brasil, e no mundo, excelentes humoristas, comediantes estão nos deixando deste plano físico para fazer graça em outros planos, em outras paragens metafísicas aí infinitamente existentes.

Fake news adoidado anda rolando a rodo aí pra tudo que é lado! Difícil está entender um e outro aí na praça. E este ano então, 2022, ainda tem um agravante: ano eleitoral eleitoreiro.

Há muita gente por aí e por aqui também passando fome e em situação de rua. Já estamos cansados de saber que a pandemia aí que passou, e ainda passa passando, agravou ainda mais uma situação vexatória existente em um país promissor que estava erradicando isso. Porém, não progredimos, atrasados ficamos e ainda estamos. Você aí que me acompanha aqui sabe bem: muitos prédios são aí construídos enquanto mais e mais gente não têm um teto sequer pra se abrigar.

Guerras e conflitos armados ainda são noticiados à exaustão e a violência urbana é cada vez mais uma certeza certeira que não tem fim!

E olhe que nem comentei sobre os preços das coisas aí no mercado, hein! Tudo indica que os anos 1990 estão de volta e junto com eles a inflação e o sequestro das contas bancárias dos fatídicos anos Collor!!

Até peço desculpas aí pra vocês leitores e leitoras amigas, mas precisava registrar aqui a mudança histórica do tom da crônica desta segunda década do presente século.

Tá difícil pra mim! E pra todo mundo.

Espero, de verdade, que esta seja a única crônica triste deste blog.

Anseio por tempos melhores.

Quero, desejo crônicas mais leves, mais divertidas e engraçadinhas como sempre deveriam ser.

Mas tá osso, viu!


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

É RARO ENCONTRAR ALGUÉM PENSANDO

Imagem: blog.cicloceap.com.br

Quem aí me lê, sabe bem do meu hábito saudável e aventureiro de caminhar a pé pela cidade. Mesmo ela, a cidade, parecendo, cada vez mais, mais hostil e intransitável, com a violência urbana nas alturas e as calçadas parecendo verdadeiros campos minados de merda humana e animal e buracos de seres abissais, teimo em desbravá-la a pé, seja como uma forma despretensiosa de lazer ou como desculpa crível para arranjar um mote para uma crônica ou para um poema.

E esta crônica se encaixa perfeitamente nesse caso.

Sem um tema sequer na cabeça, saí à rua em busca de um. Saí aberto ao que a cidade me oferecia, vendo tudo e todos, ouvindo de tudo um pouco e sentindo a vida ao meu redor. E, nem precisei andar mais de duas quadras pra perceber o que há muito eu não percebia: gente pensando.

Explico-me: estava eu lá andando e de repente, sempre é de repente, avisto uma mulher sentada de costas para mim numa mesa de calçada num restaurante de esquina. A menina estava só e, por mais incrível e fantástico demais que possa parecer, estava sem o celular de estimação (ou do ladrão) na mão e olhava para cima, naquela posição típica de estar pensando em algo, sabe? Cabeça de lado, nariz levemente empinado, saca?

Confesso que achei essa postura dela inacreditável! Sério mesmo. Quando foi a última vez que vi alguém assim pensando? Não me lembro. Não me recordo. Só vejo gente olhando pro próprio celular ou do alheio e até muitas vezes confundindo o aparelho com um sanduiche vegano — sério, cara; já vi gente segurando um e outro em cada mão e deslizando o dedinho sujo no pão-baguete e mordiscando que nem hamster fominha o último lançamento sul-coreano!

Mas enfim. Voltemos à mulher pensando, ou melhor, voltemos às gentes que pensam livres pela rua. Aquela cena foi um baque. Onde mais há gente assim, pensando?

Andei mais duas quadras e nada, ninguém.

Andei dois quilômetros, quatro, nada, nada.

Nem mesmo nesses bairros descolados (leia-se endinheirados) encontrei aquelas pessoas ditas intelectuais que mordem uma perninha de seus óculos maneiros quando estão pensando ou fazendo uma observação digna de nota.

Ao menos encontrei a máxima que é o título desta humilde crônica.

  

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

VERTICALIZAÇÃO

Imagem: dvdsofaepipoca.blogspot.com

        Parece até coisa de anime japonês (Neon Genesis Evangelion) ou coisa de filme norte-americano de ficção científica (2001: Uma Odisseia no Espaço), mas, fato é: enormes torres, grandes monólitos, estão surgindo do chão, ou do nada mesmo, em todos os cantos da cidade.

        As estruturas de metal e o concreto armado de numeração raspada estão pipocando geral no horizonte da cidade cinza, tornando-a ainda mais cinza e cada vez mais sem horizonte algum.

        Pode ver aí: prédios e mais prédios, enormes condomínios simplesmente aparecem em cada quarteirão megavalorizado, ou não, da cidade de São Paulo.

Existe até um padrão. Repare bem: a cada mercadinho da Oxxo que surge, ou da franquia-cubículo da The Coffee que se concretiza estrategicamente numa rua, ou numa esquina, ou num beco, uma “nova oportunidade de negócio”, ou “o lançamento do ano”, ou “o empreendimento imobiliário de que todo mundo tá falando”, tá lá também lhe desejando boas-vindas com uma maquete bonitinha, ou um vídeo virtual de realidade aumentada, ou com aquela minhoca de pano fino que se retorce toda com um jato de ar quente que mais parece aquele bonecão de posto de gasolina à lá Cristo Redentor, porém, sem os braços.

E como são esses novos prédios? E como são esses novos condomínios prometidos? Ora, você aí já sabe! São empreendimentos direcionados para quem pode pagá-los. Quem realmente precisa de moradia digna, e é muita gente, viu, não têm essa “sorte”.

Mas repare bem nesses futuros condomínios. Um ou outro tem porteiro físico; tem um cara ou uma mina lá de prontidão. Contudo, a tendência é portaria remota, isto é, quem tá ali é um aparelho tipo interfone que te conecta com alguém que tá sabe-se lá onde, que te escuta mó mal e que tá pouco se lixando se você é cadeirante ou se você até tá cadastrado no sistema deles e tal, mas, se a sua digital não tá funcionando direito, isso é um problema só seu, compreendes? E ainda tem aquelas caixas de vidro, aqueles aquários humanos de quando você se adentra pelo portão do prédio e fica lá esperando que abram o próximo portão e passa por esse para depois passar por um outro, sabe? Segurança sempre em primeiro lugar é claro.

 Enfim, acho que estou me estendendo por demais nesta crônica. É necessário concluí-la. Tudo isso aí dito é preocupante. A cidade inteira está se fechando. Tem muito condomínio por aí que se fecha inteiro para uma rua e que se fecha em si mesmo, sabe? Você aí deve conhecer um. Mas aí te pergunto: isso é civilidade? Isso é realmente um sinal de progresso? Até hoje acho estranho, quando tô ali no metrô sentido estação Corinthians-Itaquera e, da Patriarca ao Artur Alvim, à esquerda eu vejo aquele morro repleto de casinhas, sobrados e, de repente, bem no meio desses, um troço estreito, que mais parece uma imensa barra de chocolate do Willy Wonka lá fincada destoando geral da configuração local. Vejo aquilo e penso: tem coisa muito errada aí. Será uma invasão extraterrestre? Será?

 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O Bagaço da Laranja Mecânica

Imagem: Seda vegana feita com o bagaço da laranja / hypeness.com.br

Quem aí, como eu, têm o saudável e aventureiro hábito de andar a pé pela cidade já deve ter reparado numas obras de grande porte que estão mudando, drasticamente, a rotina da comunidade do entorno.

        Que fique claro: não estou falando dos prédios, das enormes torres, dos condomínios-formigueiros que estão brotando a rodo pela cidade (disso podemos falar em um outro post), falo é mesmo do metrô.

        Uma tal de Linha 6-Laranja está ganhando cara e forma pela cidade. Numa rápida pesquisa no Google dedo-duro você encontrará muitos problemas, muitos perrengues relacionados a esse futuro ramal do Metrô. O da enorme cratera cheia até o topo de esgoto ao lado da Marginal Tietê é o caso mais recente e o mais midiático. Contudo, se você aí pesquisar mais a fundo, quase chegando ali na borda da dark web, você verá outros podres: essa linha é promessa desde 2012, as obras só começaram em 2015, e está prometida sua conclusão, até o momento, para 2025; o imbróglio, ou o empurra-empurra, é coisa da direita (desculpa aí pessoal da direita), Serra, Kassab, Alckimin e Doria já embalaram esse bebê de Rosemary; e há umas paradas aí da Lava Jato, de superfaturamento e da troca de concessionária que é melhor nem comentar!

        Melhor falar da linha em si. Tá lá: terá 15 km, 15 estações. Ligará o Centro (São Joaquim) até à Brasilândia (Zona Norte) e fará conexões (sugestiva palavra) com as linhas 1-Azul e 4-Amarela do próprio Metrô e com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante do pessoal lá dos trens – não sei mais quem tá administrando a antiga São Paulo Railway.

        Agora, leitora e leitor amigos, se possível, peguem o mapa da tal linha. Vocês verão algo muito legal, muito interessante: da São Joaquim, que é bem aqui próximo de casa a propósito, a linha pegará parte da Liberdade, bairro turístico muito popular ultimamente; passará ali na Bela Vista, ou seja, o Bixiga (bairro mítico paulistano) ficará mais acessível, quem aí curte massa tá ligado; passará lá no Higienópolis-Mackenzie, na Angélica-Pacaembu e na PUC-Cardoso de Almeida, que é lugar de gente “diferenciada” e tal, mas o Estádio do Pacaembu, felizmente, ficará mais acessível também; passará pelas Perdizes, pela Pompeia, pela Água Branca, aproximando o italiano e um SESC ainda mais da gente; e, cruzando o Tietê, passará pela Freguesia do Ó, lar de uma Meca nordestina e, ainda, seguirá até a querida irmã Brasilândia.

        Mas por que raios estou a dizer tudo isso, vocês aí se perguntam me perguntando, ou não, vai saber. Simples: eu vejo o futuro! Vai vendo: essa linha, apesar dos pesares passados e dos vindouros, implicará umas mudanças radicais na cidade. Vocês aí conseguem ver também? Umas dicas: se os cabeças que administram essa porra toda, insistir em se amigar com a especulação (que é quase uma ejaculação) imobiliária, elitizando bairros antes industriais, por exemplo (oiê, Barra Funda!), e não concretizando de vez o que está escrito bem bonitinho lá no Plano Diretor e fazer boas moradias populares, para quem realmente precisa, quer e pode pagar, a nossa cidade, essa megalópole, continuará injusta, discriminatória e lar doce lar de poucos, muito poucos privilegiados, entendes?

        Prevejo muita coisa boa num futuro próximo, e gostaria, quero, que muito mais gente tenha acesso a isso. O futuro não é de Deus, é nosso!

 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

ESPECIALISTAS DO CAOS

Pintura: Cisnes refletindo elefantes (1937), de Salvador Dalí / todamateria.com.br 


Rapaz, é impressionante a quantidade de gente, aparentemente, bem preparada, ou com lugar de fala, que manja super-bem de um assunto muito comum, ou não, por aí pelas timelines das redes sociais!

        É tanta gente que sabe bem O QUE tá falando, e COM QUEM tá falando, que fico besta com a minha falta de tato e com a minha incapacidade profissional e pessoal.

        Sério “memo”. Se eu não “saibo” fazer um ovo cozido, por exemplo, nas redes, tá cheio de gente profiça que sabe e o faz de um jeito bem único! Uns até nem sequer usam o próprio ovo pra fazer o “tar” do ovo cozido, acreditas?! Pode procurar por aí.

        Outra coisa, ou coisas: se eu sou um “noob” em mercado de ações, em usar uma vassoura piaçava, ou, ainda, se eu sou um burro em seguir uma dieta, ou em fazer os exercícios físicos que o meu médico recomendou, ou, pior, se eu sou um idiota completo em lidar com as pessoas a minha volta ou em fazer um bolo Red Velvet de quase trezentos paus, nas redes, há uma infindável lista de gente mui gabaritada que me ajudará a fazer tudo isso aí que eu comentei acima e, lógico, me revelarão diversas outras coisas que eu não fazia a menor ideia das suas existências e que eu já não as sei fazer direito, tipo: colocar a meia do jeito correto.

        Mano, é tanta gente que sabe bem mais do que eu, que eu fico até meio triste.

        Mas triste mesmo é perceber que por aí no mundinho virtual, ou por aí no metaverso, que seja, há tanta prosperidade, há tanta ciência (de consciência mesmo) e, enquanto isso, por aqui no mundo real, há tanta miséria, gente passando fome, desemprego, desespero, violência, roubo, impunidade, má administração pública, corrupção e muito mais desgraças conforme você vai descendo a ladeira...

        O que está acontecendo?! Por que a conta não fecha? Como explicar essa disparidade, essa discrepância?? Tantos por aí tão bem e tantos outros tão mal. O que há além, muito além, da tela-terra-plana?

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

UM SESC CADA VEZ MAIS PARA POUCOS

Imagem: g1.globo.com

        Todo mundo aqui conhece o SESC, certo? Ah! Peraí. Tem gente aqui que é diferenciada, que não conhece nada do famoso Terceiro Setor. Esse pessoal de clubes exclusivos não conhece direito o próprio país. Melhor deixá-los de lado, por ora.

        Voltemos ao SESC. Quem os conhece, quem os frequenta sabe que é mó barato aquela estrutura, certo? Tem quase tudo por lá. Excelentes exposições, peças de teatro, shows e atividades esportivas e culturais que dão orgulho de ver e participar, correto? As piscinas então são um grande chamariz em dias muito quentes, que até tevês de helicópteros adoram exibir em seus telejornais da hora do almoço, não é mesmo? Sempre mostram aquele horror de gente ali fora ou dentro das piscinas se divertindo a valer naquele caos aquático típico de paulistano bem ou mal pago. É um programa democrático, convenhamos. Eu, por exemplo, adoro praticar a minha natação obrigatória em qualquer piscina semiolímpica do SESC. E comer aquela comidinha de seus restaurantes, comedorias, lanchonetes é um programa baratíssimo, saudável e muito bom de conhecer, desfrutar.

        Infelizmente, ultimamente, coisas muito estranhas estão acontecendo em todas as unidades desse empreendimento do chamado Terceiro Setor. Hoje, pra entrar em qualquer unidade aí é obrigatório o tal do Passaporte da Vacina. Até aí, tudo bem. O ambiente é fechado e, com a pandemia, não dá pra vacilar, não é? Porém, se você deseja usufruiu melhor das atividades lá existentes, você é obrigado a baixar no seu celular de estimação ou no do ladrão, um aplicativo específico. E é por ele, somente por ele, que você faz tudo: agendamento de exames dermatológicos, agendamento pra renovar a credencial plena e pra agendar algum horário pra praticar a atividade física do seu gosto. Aliás, é justamente esses agendamentos o pior problema do SESC ultimamente: você tem que ficar ligadão nos dias e horários específicos pra poder pegar, literalmente, os dias e os horários que melhor se enquadrem na sua atribulada rotina. E já aviso, viu: é muito difícil! É mais fácil ganhar sozinho na mega sena acumulada do que conseguir um dia e um horário bons pra você. E tem mais! Se você, por milagre, consegue marcar um agendamento, você é mais uma vez obrigado a levar o celular (àquele mesmo de estimação ou do ladrão) até a unidade para que, na entrada, eles lá possam ler o QR Code que é disponibilizado no APP deles quando você enfim conquista um horário disputado! E, olhe: nem toda unidade têm o dispositivo pra ler o tal do código, viu. Se você não sabia, agora saiba: o SESC é uma rede, mas cada unidade trabalha de um jeito, cada unidade têm uma administração própria; se numa têm uma coisa, numa outra pode não ter, entendeu?

        Essa parada tecnológica parece legal coisa e tal; surgiu aí por causa da pandemia e isso e aquilo, porém, na prática, é uma tecnologia excludente. Você não vê mais os tios e as tias avulsos, isto é, você não vê mais o pessoal da melhor idade que não estão inscritos em algum curso, os que usavam o SESC livremente, pelas unidades. E o uso obrigatório do celular favoreceu mais àqueles que têm um celular parrudão (aquele modelo bem mais caro mesmo) e os que têm uma internet top, ultra-mega-blaster de rápida.

        E, enquanto isso, a grande maioria da população, que já não têm acesso a essas boas estruturas de lazer e cultura, fica, cada vez mais, mais segregada, impossibilitada de usufruir o pouco do bom que ainda existe nesta cidade, neste país cada vez mais exclusivo de uns poucos.

        É realmente lamentável.

  

quarta-feira, 9 de março de 2022

GUERRA AO FÁLICO

Imagem: pt.vecteezy.com


“Aceita um canudo?”, pergunta o atendente simpático do restaurante pé-sujo daqui do bairro. “Não. Obrigado.”, respondo com a mão espalmada tipo stop. Nunca fui de utilizar essa ferramenta curiosa e prática pra sugar o líquido, geralmente gelado ou frio, da vez. Hoje em dia então, nem morto uso um troço daqueles de papel. Sim! Canudo hoje é só de papel. É mais biodegradável, certo? Ecologicamente correto, aliás. Isso é bom. Mostra uma sincera evolução no mercado capitalista selvagem. E quem aí não se enquadrar no esquema, sofrerá sanções ou coisa pior: linchamento virtual.

Termino o meu refresco e procuro o palito pra palitar os dentes. Cadê? Só saquinhos de sal e adoçante milimetricamente enfileirados numa caixinha sobre a mesa ao lado dos guardanapos de papel tipo celofane. Chamo o mesmo atendente simpático de antes. Faço do meu dedo indicador um exemplo visual, e muito idiota, do que eu estou precisando no momento. Ele me responde: “Ih, chefia! Não trabalhamos mais com isso, não”. Solto um: “Ah, tá! Valeu.” e um joinha meio murcho de decepcionante.

Levanto. Pago a conta. Da porta do estabelecimento, quase na calçada, pego um cigarro inventado no bolso (eh, eu não fumo), procuro o isqueiro igualmente inventado no outro bolso (repito: eu não fumo) e não o encontro. Dou meia volta e peço, por obséquio, à moça do caixa se ela tem fósforos. Ela é jovem e me responde com uma pergunta: “Fósforos? O que é isso?”. Engulo o cigarro imaginário junto com o peso da minha idade e saio para a rua ensolarada.

Na rua, suando feito um porco pururucado de Minas, lembro que tenho que passar na farmácia, ou numa perfumaria qualquer, pra comprar cotonetes de ouvido. Entro em várias e em todas não têm, tá em falta, e todas as atendentes sorridentes que me atendem me lembram que os especialistas no buraco do ouvido não recomendam o uso desse objeto arcaico e vilanesco do nosso meio-ambiente global globalizado.

 Muito traumatizado e triste pra caramba, percebo que a minha bexiga está cheia (eh, bebida diurética é dose, ou é efeito colateral de algum remédio aí renal). Vou num banheiro público e susto, horror: NÃO HÁ NADA ALI PRA PEGAR!!! Sumiu! Cadê? Onde foi parar??

E assim termina mais um dia neste mundo do além da imaginação. 

terça-feira, 8 de março de 2022

PARANOIA PAULISTANA

Imagem: pt.wikipedia.org

Hoje em dia, é muito comum dizer aos quatro ventos que ama ou odeia alguma coisa, certo? Até mesmo pessoas, seres vivos, são alvos fáceis de amor ou ódio, hoje em dia, não é mesmo? Pois então. Eu odeio! Eu odeio pessoas. Peraí. Melhor eu me explicar direito, e esquerdo, antes de ser linchado, ou pior, cancelado.

        Eu odeio pessoas que andam atrás de mim! Sério mesmo. Sabe aquelas pessoas que ficam bem atrás de você quando você está andando na calçada, subindo ou descendo uma rua? Cê tá ali de boas, fazendo a caminhada a pé que você sempre faz, ou só de bobeira mesmo, pondo em prática a caminhada obrigatória que o teu médico recomendou pra baixar o colesterol ruim e elevar a sua absorção de vitamina D e, de repente, você sente aquela sensação estranha, incômoda, que tem alguém bem atrás de você, quase no seu encalço, quase no seu cangote, sabe? Odeio demais isso! Poxa vida! Mantenha a distância, pô! Num sabe respeitar o espaço do outro, não?

        Claro. Você aí vai me dizer que isso aí é paranoia de paulistano. Você aí vai dizer que a gente aqui é paranoico com isso, que a gente aqui tem medo de ser assaltado, roubado, morto, assassinado, não é? POIS SOMOS MESMO!!! A gente aqui é meio de interior, meio do nordeste, tá ligado? A gente aqui desconfia até da sombra. A gente aqui quase nem confiamos na própria mãe, cara! Cê acha que a gente vai confiar num desconhecido que tá bem atrás da gente? Nós aqui não caímos no golpe da fruta, não! De mortadela conhecemos até o tempo de maturação de cada marca aí do mercado. Todo paulistano que se preze, digo, os que podem bater no peito e dizer com orgulho e lágrimas nos olhos que é paulistano de raiz, é desconfiado!

        Trabalhamos pra caramba? Sim! Medo é um sentimento constante pra gente? Sim! Todo mundo aqui usa camisa polo? Eh, veja bem. Um e outro aí sim, mas... Não mude de assunto! Foca em mim! Não me faça perder a mão da crônica aqui, cara.

        Pra resumir, só dar um Google aí e ver a bandeira da nossa cidade. Já deu? Pois então veja lá o braço direito armado. Tá vendo? O que tá escrito logo abaixo? NON DVCOR DVCO, né? Meu latim é péssimo, mas acho que se traduz mais ou menos assim: NÃO SOU CONDUZIDO, CONDUZO. Agora você nos entende, meu amigo?

segunda-feira, 7 de março de 2022

PEDINTIS

Imagem: Personagem Chiqueirinho (Pig-Pen) do cartunista Charles Schulz / guiadosquadrinhos.com

Quem aí pega metrô, ou trem, tá ligado: a quantidade de pessoas pedindo uma ajuda pelo amor de deus, ou vendendo alguma coisa, comestível ou não, aumentou drasticamente de uns tempos pra cá. Óbvio, a pandemia é a causa principal dessa situação. Porém, não podemos negar, sempre existiu isso, sempre se viu vendedores ambulantes pelos corredores deslizantes do metrô e dos trens; um pedinte e outro também sempre se via por lá.

        Os que a gente quase não vê hoje são os seguranças. Antes, sempre se via dois, no mínimo, ali pelas catracas ou até mesmo andando pelos vagões. Hoje, aquelas pessoas de preto carrancudas e de porte intimidador só são vistas em dias de grandes jogos futebolísticos, ou de grandes eventos musicais, que ocasionalmente ocorrem pela cidade. No dia-a-dia é muito raro ver um par desses.

        Mas voltando aos pedintes. Você aí já deve ter reparado: têm muito pai e muita mãe levando seus filhos nesse corre. Se não viu, logo aviso: sempre é uma criança de colo. E essa, geralmente, tá com muito sono, ou muito puta da vida, em estar ali com o pai ou com a mãe. Um mau-humor é sempre visível nesses pequenos. Ou um puta de um celular grandão em suas pequenas mãozinhas. Você aí já viu isso? Não? Pois eu sempre vejo. Esses pais, ou mães, estão sempre com um mochilão, tipo mochila de mochileiro do leste europeu nas costas, ou uma sacolona de lona a tiracolo típica das sacoleiras da 25 de março, do Brás e/ou do Bom Retiro. É coisa muito comum vê-los por aí pedindo uma ajuda, uma moeda de cinco, dez centavos neste mundo cada vez mais hiperconectado que não utiliza mais dinheiro vivo, sequer moedas. Aliás, até por isso mesmo, muitos desse pessoal aí já aceitam PIX de caridade. Um e outro vão falando suas chaves ou ostentando plaquinhas no pescoço para o caridoso não errar o seu tão necessário donativo. Até a esmola já virou high-tech.

        Coisa de louco? Coisa trivial de um sistema capitalista selvagem? Bah! Esses não diferem em nada do pessoal aí das redes sociais que pedem à exaustão para nós, seus simples seguidores, darmos um like, um joinha, para nos inscrevermos no canal, que nós precisamos ativar a porra do sininho e compartilhar a merda toda para todos os nossos contatos.

        É gente demais pedindo coisas que quase ninguém tem.

sexta-feira, 4 de março de 2022

SUPORTES DE CARNE

Imagem: g1.globo.com


Celular é acessório muito comum hoje me dia, certo? Vira e mexe, ou melhor, pra tudo que é lado, você vê alguém vendo pro próprio celular, seja parado em um canto suspeito ou bem no meio da rua mesmo. Há, por aí também, uns mais radicais que ficam olhando pro dito cujo enquanto estão andando, caminhando em baixo de sol, chuva com ou sem guarda-chuva. É coisa de louco. A telinha luminosa fisga a nossa atenção plena. É no metrô ou no busão, sempre tem alguém olhando pro próprio aparelhinho ou pro alheio, o do vizinho.

        Contudo, porém, entretanto, o fato mesmo curioso é onde as pessoas os apoiam.

        Você aí mesmo já deve ter visto, ou até faz o que vou aqui comentar, têm muita gente por aí apoiando o bichinho no bucho. Sério. Já vi gente olhando pro celular na altura dos zóios, que é prática mais comum, já vi gente olhando pra ele mais abaixo, num ângulo de noventa graus mais ou menos, também já vi gente olhando pro celular o apoiando na cabeça do/a filho/a impaciente, que também quer porque quer ver também o que o/a pai/mãe tá vendo sobre ele/a, mas, sobre o próprio bucho, era caso raro de presenciar.

Hoje, isso tá mais comum, bem mais. E tal fato não é só caso exclusivo de homem, não, viu. Já vi muita mulher apoiando o celular espalhafatoso de colorido sobre a saliência aparente. Ambos os sexos estão mais buchudos mesmo, e mais encurvados, corcundas também. Pergunte aí pro seu alfaiate pessoal, ou pra sua costureira profissional, eles vão lhe confirmar: hoje tá todo mundo mais cheinho e dobrado sobre si. Décadas atrás, as pessoas eram mais esguias, retas, de porte e estatura varapau, olhavam mais para frente, e não para baixo. Pessoa corcunda só se via quem tinha algum problema de saúde. Os buchudos então eram bem raros. Tempos difíceis eram. Chocolate, sorvete, que vinha em pote de isopor (!), eram artigos de luxo. Coisas consideradas de presente para o fim do ano apenas, sabe?

Enfim, tudo isso aí dito, parece até uma involução, não achas? Você já deve ter visto por aí nas estampas das camisetas da molecadinha esperta, aquele desenho do homem caminhando que representa a evolução humana, certo? Lá, na estampa, nos encurvamos aos poucos numa tela de computador, não é? Acho que até esse desenho crítico tá carecendo ser atualizado. Até onde nós nos agacharemos, hein? Tô achando que acabaremos rolando, que nem aquela pedra do Sísifo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O CHAMADO DE URGÊNCIA

Foto: super.abril.com.br


É de repente. Coisa imediata e envolvente. Num átimo, tu se vês numa parada mais do que lógica, moral. É um troço ancestral que te pega e que te move assim ligeiro sem ser rasteiro ou embusteiro. É uma força que vem de fora, reverbera e te toca, bem lá no fundo do teu ser. É coisa de viver, de vivente crente na crença-esperança do próprio Homem. É coisa de bicho sem grilo naqueles que pensam diferente e faz, assim mesmo, aquilo que deve ser feito, e logo. Por isso, é mais do que lógico, é totalmente humano. É um encanto. Mais do que um canto de sereia que te leva à morte. É um canto sim, mas um que te faz querer viver e salvar todos que estão ao seu lado ou do outro lado do mundo. É imediato. É um ato isolado que se torna coletivo e visa exclusivamente quem é e quer estar vivo — e quem tem que estar vivo. É uma luta. Muitas vezes injusta, desleal e covarde, mas, quem a enfrenta, sabe, e vai, assim mesmo, sem receios ou medo, pois vai, por si mesmo e pelos outros, seus irmãos locais, mundiais. Não é histeria! Não é vuco-vuco. É um poder humano mais próximo do divino. É o querer fazer por ser essencial. É uma coisa assim especial, espacial. É a luz da criação alumiando mais uma vez o barro do que somos feitos. É a poeira cósmica estimulando todos os nossos átomos! É a vida humana em toda sua essência, em toda sua existência. É o chamado de urgência pra você, eu e todo mundo, mudarmos de vez, e pra melhor, as nossas vidinhas humanas. É o velho verbo mostrando sua força diante do jovem tempo que regrediu. É a natureza humana querendo ser melhor do que dizem que ela é. É a evolução. Então, sai da frente!

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Do meu processo (5)


Há muito concebi uma história. Foi em 2015 que a criei e, de lá para cá, mostrei-a a alguns amigos a fim de ver com eles o que eles achavam dessa história. Ponderei as opiniões e sugestões e deixei de molho essa história — não queria eu bancar o afoito. Recentemente, pensei em publicá-la no Wattpad, mas vi que ela, essa minha história, talvez não se desenvolvesse bem por lá (eh, eu ainda acredito no meu querido blog). Aquele lugar é para jovens! E eu sou velho... Pois bem, essa minha história é um folhetim. Desde o princípio, quis eu fazer capítulos pequenos, bem curtos mesmo, e, de propósito, deixar um gancho no final de cada um. Folhetim é isso, certo? Também eu quis abordar esse nosso imaginário coletivo, esse tal nosso inconsciente coletivo. Na história, há muitas referências culturais distintas. Fiz isso por achar que isso tornaria a história interessante, mais plural, entende? E, claro, essa história é meio ficção-científica, meio pós-apocalíptica e fantástica demais. Afinal, lá em 2015, essas temáticas estavam ganhando público e gosto, como acabou se vingando hoje em dia. Enfim, fiz uma história curta um pouco longa pra entreter, pra instigar e se perder. Quem a ler, verá que ela não é sempre linear e nem auto-explicativa. Ela é um quebra-cabeça. Minha ideia era que o próprio leitor montasse essa minha tal história. Pus nela os elementos essências para isso e, claro, pouca coisa lá é es-ten-di-da — em todo o enredo, sugeri mais do que exemplifiquei. A ideia, outra ideia, era instigar, incomodar o leitor. Fiz tudo isso numa pegada retrô: classificar essa minha história de folhetim já denota isso e as palavras lá postas comprovarão essa minha classificação. Disse que ela é um folhetim, mas ela é também uma saga, uma novela, essa minha história. Seu mote me veio gravado numa porta automática de trem, do Expresso Leste. Vi lá riscado o título e criei toda uma história em cima dele. Quanto às imagens colocadas antes de cada capítulo, ponho aqui, desde já, uma ressalva: na caça desenfreada que fiz em busca delas pela net, acabei não pegando a procedência das mesmas. Desculpai-me, sim? Mês que vem, então, começa as postagens (toda terça, quinta e sábado). Espero que gostem! :) 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

PROJETO JOIA

Há muito gesto uma ideia. Uma ideia de respeito e admiração. Essa ideia, como todas que costumo ter, custa a se desenvolver. Toda ideia tem um tempo. E eu respeito esse tempo. Assim, quando eu percebo que a ideia quer finalmente sair e ganhar o mundo, eu a deixo ir. Essa, que agora sai, é a mais recente, isto é, tem só uns dois anos de gestação. A ideia em si não é nova, é resenha. Resenhas existem aos bocados aí no continuum do play das redes sociais. Tem muita gente boa por aí soltando o verbo e os emojis sobre os livros que leem ou vão ler. Isso é bom! Jovens falando de livro é coisa sempre interessante de se ver. Contudo, a ideia que libero agora tem outro enfoque. Primeiro, a resenha não será em vídeo. Eh, cara, não adianta. Eu não dou pra coisa. Prefiro a boa e velha escrita. Se todo mundo posta vídeo ou foto, eu posto texto. Sou assim. Acho que me saio melhor assim. Segundo, não é qualquer livro que será resenhado por mim. Não senhor! É uma joia. Daí o nome do projeto. Acho que o nome é auto-explicativo, por isso não vou enrolar tanto sobre isso aqui. Meus objetos de trabalho serão livros que contém aquilo que não se costuma encontrar com facilidade por aí. São obras raras, singulares em seus temas e conteúdo. Curiosamente, as primeiras três que quero aqui resenhar tratam sobre a cidade de São Paulo — cidade querida e odiada onde vivo e morro todos os dias. São obras que conheci de vista ou de falar a muito tempo, mas só agora bateu aquele desejo e oportunidade de dividir a minha visão sobre elas. São verdadeiras joias e eu quero que você entenda o porquê.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A FELICIDADE EM ESTADO SÓLIDO

O mundo inteiro anseia por felicidade, como se ela fosse algo impossível. Torram a semana inteira no aguardo tão esperado do fim dela; delegam ao famigerado “fim de semana” o supra-sumo da felicidade plena. Bobagem. Para ser realmente feliz, basta entender que esse estado de alegria só é uma coisa meio fixa quando a pessoa está em paz com a própria vida. A felicidade é só uma ideia que perdura quando a mente está madura.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Fragmentos do cotidiano (9)

— Sim. É verdade. Tenho uma tara descarada por comentários. Não que isso seja um grande problema. Na real, aprecio o parecer alheio. Curto uma troca bem-humorada de opinião, gosto e visão de mundo. Acho que todo mundo, que tem um blog ou um perfil em alguma rede social, gosta de comentários. Afinal, quem comenta se importa com aquilo que comentou, não é? Posso estar enganado me enganando, mas isso faz todo o sentido pra mim. A Internet é uma troca constante de informações, dados e experiências, não é? Pena que, ultimamente, ou desde sempre, não sei bem, mais se vê a ojeriza do que a beleza própria da nossa vida. Compartilhar com todos, todos os nossos momentos, sejam eles bons ou maus, só vale a pena, só faz sentido se tem, ao menos, uma pessoa visualizando tudo isso. É preocupante que a maioria queira sempre mais e mais testemunhas praquilo que posta, faz. Acho que a rede social só dá certo se o indivíduo que se coloca nela é um ser bem resolvido consigo mesmo. Se não é, baterá muita a cara até se descobrir.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Em meio aos escombros de um impeachment duvidoso, ergueu-se um presidente cheio de reformas. Ao poucos, ele foi quebrando tudo o que era assegurado pelas discussões e debates do passado — seu intuito era criar um novo mercado. Agora, após o furo do globo prateado, suas reais intenções e sua moral, enfim foram reveladas. Ele, nesse instante, foi rifado tão rápido, que até o cretino do seu lado, ficou deveras espantado. Renunciar, ele não renuncia, mas o que foi descoberto não é conto da carochinha; é coisa de polícia. O que esperar de alguém tão impopular, hein?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

frustração consciente, ou deu merda, e daí?

Pego uma folha em branco na esperança de escrever algo bom. Porém, no meu dilúvio interior, só sai coisa ruim. Mesmo assim, persisto no erro consciente, consciente da merda que vai dar. Ao término da contenda, avalio o resultado e, após uma pausa reflexiva, que dura poucos segundos, vocifero: que merda! A coisa toda já era prevista. Então por que insistir nisso? Ora, veja bem, da merda que fazemos, ora ou outra, sairá coisa boa. Só tentar encarar isso numa boa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

JOGANDO O JOGO DA CRIAÇÃO

Escrever poesia demanda uma criatividade tão excessiva que, às vezes, parece que o poeta está jogando dardo e tomando cerveja ao mesmo tempo. É tanta coisa que não faz o menor sentido pra gente que lê que ficamos besta diante do poema. Porém, isso é só no primeiro contato. Após reler e reler, a gente percebe outras coisas que faz a compreensão da gente crescer e enfim se expandir. Isso é ótimo! A criatividade só se completa quando o outro a pega/toma para si. Ler poesia é um bom exercício de empatia.