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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A periguete (primeiro esboço)

Meu amigo,

Mulher, hoje em dia, está difícil de definir.

Ou está fácil demais, dependendo do caso do acaso.

O negócio é: tome muito cuidado com a periguete. Esse novo espécime do gênero feminino se disseminou por aí afora; virou praga, virou vírus viral fora de época. Sentimos o inverno presente, mas esse ser não; calor constante é o que esse ser sente, e isso é sinal evidente de evolução, adaptação. Periguete não pega resfriado ou uma virose qualquer, pega tudo e todos que quiser numa só dose. Periguete não está nem aí pra você ou pra mim. Periguete só pensa em se satisfazer. Parece vampiro no cio ou morto de sede; é desgraça escrachada num corpo quente.

Por isso, muito cuidado, meu amigo, com seus poderes de atração. Aquela borboleta não cheira só flor, não. Periguetes exibem um comportamento e um visual muito diferente do que costumamos ver. Ousadas elas são, umas até nem tem coração, muitas se proliferaram aí na televisão. Na tevê aberta, é claro, porque periguete genuína pode até pegar num cabo, pagar calcinha, mas ficar fechadinhas isso lá não ficam, não. Periguetes não tem medo, não receiam ser criticadas pelo que são, são assumidas sim, principalmente no verão.

E daí que se paramentam com roupas decotadas e coladas ao corpinho delicado? Qué que tem usarem e abusarem de vestidinhos justos e curtos que modelam seus corpos sarados? Sutiã é coisa do passado, meu caro. O que vemos por aí é consequência direta da emancipação feminina. Elas começaram mostrando os seios, agora mostram todo o resto indiscreto.

Periguete é mulher do futuro, que sabe bem o que quer e como conseguir aquilo que deseja. Periguete é mulher de atitude. Mulher que sabe muito bem como usar o poder que tem. Periguete pode ser menina-mulher ou mulher-menina. Estudiosos dizem que o espécime periguete atingi seu auge libidinoso quando está entre os 18 e os 28 anos. Antes disso podem ser precoce. Precocidade altamente perigosa. Depois disso é perigo volátil até a menopausa. Já lhe disse e muitos colegas acadêmicos meus concordam: a periguete é a mulher do futuro. Agora, de futuro eu e alguns aí já não sabemos bem ao certo...

Periguete só conheço na teoria. Minha tese prática está carecendo de dados satisfatórios. Pedi uma amostra grátis no Natal, mas ainda não fui contemplado. Periguete costuma dar cano. E outras coisas também. Periguete é a rainha do desdém.

Desgraçada gostosa é foda, né não, meu amigo?!

Abraço!!

Mr. Boo

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Caixa de saída (6)

“Desuniverso”

Cara amiga ausente,

Neste grande dia de festa, espero que, ao ler esta cartinha, você esteja bem e uma gracinha.

É o teu aniversário. PARABÉNS!!! É dia vinte de julho e tu fazes vinte e poucos anos. Que maravilha! Que belezura! E ainda é, dizem por aí, o Dia do Amigo. Então, neste caso, PARABÉNS novamente, minha saudosa amiga.

Adoraria ti dar um forte abraço agora, e um beijo casto em cada bochecha rosada, mas, infelizmente, estamos muito distantes um do outro. Eu cá cativo e você aí alternativa. Este nosso relacionamento fraterno e paralelo tem lá suas vantagens e desvantagens, mas, ultimamente, temos mais dessa do que daquela.

Já faz meses que não vislumbro a janela de acesso a seu mundo. Estará fechada? Ou você, minha cara, a fechou na minha cara? Bem, enfim, a minha janela está aberta e sempre estará aberta pra você. Afinal, você sabe bem, aprecio me relacionar com outros mundos, e o teu é tão fascinante, tão ofuscante, purpúreo e macio.

Assim, me despeço aqui de ti. E com estimativa estatística de que esta folha arrancada do meu caderno de vidro chegue inteira em suas lindas e delicadas mãos esverdeadas.

Até breve então e, mais uma vez, aceite aí meus sinceros PARABÉNS!!!

Cordialmente,

BRO


P.S.: somos vizinhos, mas somente tua ausência me visita regularmente. E isso, definitivamente, não é a mesma coisa!

domingo, 14 de novembro de 2010

Caixa de saída (5)

“Amanda”

Amanda,

Fico profundamente triste, chateado deveras por saber que você não gosta de mim e nem tem interesse sincero em manter contato comigo. Se insisti em ter, foi mais pra alimentar a amizade entre a gente, pois, a amizade, esse sentimento cada vez mais raro, é essencial a todos os seres humanos. Não tive e nem tenho segundas intenções para com sua ilustre pessoa. Só queria mesmo tua estima e teu respeito.

Bem, sinceramente, espero que você esteja com pessoas de seu agrado. Espero que estes seus eleitos, estes seus escolhidos a dedo estejam ti fazendo muito feliz. Espero mesmo que eles também gozem de seu amor e bom-humor, pois, se estão contigo, se você as tem próximas, pessoas maravilhosas e de profunda confiança devem de ser.

Você é um pouco mais jovem do que eu, por isso, também espero que, quando ficar um pouquinho mais velha, perceba que na verdade, na dura realidade, estamos sós nesta vida. Eu queria mesmo era dividir um bocadinho da minha contigo, sem libido, mas você deixou bem claro que não quer e nem deseja isso. Sendo assim, vou respeitar essa sua vontade aparentemente sincera.

Cuide-se bem então, pois ninguém, acredite, ninguém cuidará de você, só você mesma.

É isso.

Este é o último e-mail que envio a você. Não vou mais ti aborrecer.

E não aguardo resposta.

Cordialmente e consciente,

BRO

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Caixa de saída (4)

“Antônia”

Olá, cara Antônia!

E aí, mulher, comé que tu tá?

Puxa, faz mó tempão que a gente não se fala, que nós não nos correspondemos, não é mesmo? Deixamos de freqüentar a mesma academia, deixamos de transpirar juntinhos (desculpe-me desde já a gracinha) faz é meses e, ainda assim, mantivemos contato. Um contato tímido, é verdade, mesmo assim, um contato honesto, simpático e agradável. Entretanto, não trocamos recadinhos há uns bons meses. Tá certo que há uns bons meses eu não acesso o ORKUT. Praticamente abandonei-o. Mas você bem que poderia ter me enviado um e-mail ao menos, né não? Pôxa vida, mó saudade de tu. Sério. Apreciava pra caramba os nossos papos curtos, ligeiramente insanos até. Temos que voltar à atividade, à pro-atividade, minha filha!

Você anda muito ocupada? Será mesmo que não dá pra dar uma saidinha? Bem que poderíamos combinar pra bater um papo, bebermos um chope, ou uma cervejinha, ou uma água com gás mesmo, depois dos nossos expedientes, que tal? Por que não? Garanto o bom-humor. Pense bem a respeito, sim? Prezo tua amizade e tua presença física também, claro.

Eh isso. Fico no aguardo então das tuas respostas.

Beijo na bochecha direita e um forte abraço aí procê.

BRO

sábado, 28 de agosto de 2010

Caixa de saída (3)

“Fabíola”

Ora, ora, ora, mas se num é a saudosa Fabíola que surge de repente do nimbo do passado! Há quanto tempo, minha cara. Tudo bem contigo?

Bem, bem sei que o convite (Facebook) que tu me mandou é automático, coisa essa do automatismo atual, entretanto, aceito tal convite pra tentar reatar contato contigo. Lembra-se que nos conhecemos num chat? Acho que foi num da Globo.com... Lembra-se que trocamos e-mails depois? Lembra-se que trocamos telefones também? Conversávamos via e-mail e por telefone toda semana. Aliás, tu ainda moras próximo ao PARQUE IBIRAPUERA? Ainda passeia com o teu poodle? Ainda tens um irmão?

Puxa, mó saudade de tu! Há muito tempo perdemos contato. Há muitos anos, quer dizer. Precisamos voltar a papear. Seria bom saber como você tá. Saber o que andas aprontando... Teu estado civil não importa (muito)! O que prezo mesmo é a amizade, a estima, o interesse genuíno e casto, dependendo do caso.

Ah, nunca nos vimos pessoalmente, é verdade. Não sei quanto a ti, mas eu adoraria ti ver! Sentir tua presença física. Saber que tu és real, não ficção virtual, sabe? E pode ficar sossegada, não sou um tarado. Não vou ti agarrar feito afoito farrista. Um abraço bem apertado pode? E um beijo na bochecha direita, tá autorizado?

Fico no aguardo então.

Inté breve.

BRO

terça-feira, 6 de julho de 2010

Caixa de saída (1) e (2)

“Cadê?”

Oi, cara amiga! Tudo bem contigo? Espero que sim.

Sabe, estava cá pensando numas coisas... numas coisas que tu me deves... Lembra-se daquele saudoso dia em que fomos ao ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO? Pois então, esse passeio grupal foi há anos atrás e até hoje não vi as fotos que lá tirei do pessoal que foi! Isso é inaceitável. Não posso mais admitir tamanho descaso teu, cara amiga.

Por isso, aproveite que estás de férias e passe aqui em casa portando tais fotografias. Aliás, aproveite também para trazer os negativos dessas fotos e daquelas do PARQUE DO CARMO, as do BOSQUE DAS CEREJEIRAS, que eu tirei de você em 2004. Tá lembrada que eu as emprestei a você, né?

Bem, é isso, por enquanto.

Beijos pra tu e um forte e demorado abraço!!

Aguardo resposta.

Inté mais.

BRO

...

“Hibernar é a solução”

Sabe, minha cara, ando pensando numas coisas cá comigo... numas coisas relacionadas ao nosso relacionamento fraterno. É, veja bem, disse fraterno e não amoroso. Enfim, acho, desconfio que o nosso relacionamento fraterno anda capenga, coxo, na verdade. Se num relacionamento saudável, estimulante e sincero, caminhar lado a lado, sem tropeços e sem prumo é bom sinal de amizade e estima, mas, quando fica evidente um desnível, uma sombra manca e nítida, certamente, não é um bom sinal, mau agouro na certa! E isso vem acontecendo com a gente, com a nossa casta amizade, há muito tempo. Bem sei que tu és uma mulher ocupada, com compromissos a cumprir e com prioridades a zelar. Contudo, dado o meu último telefonema a ti (ontem), e muitos outros, e, esses, sempre com as mesmas desculpas doutro lado da linha, não vejo alternativa a não ser hibernar. Isso mesmo. Você, minha cara, leu bem, hibernar. Ficarei um bom tempo (muito tempo) sem me comunicar contigo. Não agüento mais ser rejeitado, deixado de lado como um carrapato. Se minha companhia não é bem-vinda, tampouco necessária em sua vida citadina, creio ser melhor me isolar de vez de você, me esterilizar de forma paliativa.

Hibernar é a solução para dar cabo de meus tormentos afetivos.

É isso. Inté um dia adiante, minha cara.

Não aguardo resposta.

BRO

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carta aberta à ex

Olá, minha cara!

Espero que ao ter esta carta em mãos, tu estejas gozando de plena saúde física e mental. E que teus inesquecíveis familiares também estejam saudáveis e felizes.

Escrevo-lhe com o intuito de desvendar o mistério que ainda nos rodeia; escrevo-lhe para expurgar de vez os fantasmas que ainda me assombram; enfim, escrevo-lhe para tentar sanar nosso caso mal resolvido. Sim, mal resolvido, pois, mesmo que tu estejas praticamente casada há pouco mais de um ano, e, talvez, por isso mesmo, não tenhas respondido minhas correspondências anteriores, ainda sinto certa pendência entre nós.

Dois anos atrás, terminei contigo. Bem sei que a forma desse rompimento não foi lá muito digna de um cavalheiro (já ti admiti isso, na época). Dei por fim o nosso relacionamento promissor baseado em observações empíricas: não ti fazia mais feliz, não ti satisfazia como tu carecias e merecias, não ti inspirava mais... Tu já sabes disso tudo, só quis aqui resumir. Continuando. E, mesmo depois do desfecho surpreendente, lembro-me bem, tu disseste pra sermos amigos ainda (curioso isso, não?). E, aqui, discuto um ponto importante, bem que eu tentei ser teu amigo, minha filha! Pena que tu não quis. Afirmo isso, pois, antes mesmo do teu caso atual, eu tentava manter contato contigo. Mas tu me ignoravas; não me dava mais oportunidades nem nada. Tamanha desfeita me deixou surpreso e profundamente chateado, pois, se querias ser minha amiga realmente, como tu mesma disse, desprezo não condiz com a amizade, né verdade? E tu sempre foste amável, afável e leal. Pois então, por essa atitude turva tua e da minha (em romper indignamente contigo), creio, estarmos em igualdade imoral, ou seja, juntos na mesma barca do inverno! Não ria, é sério. Por mais que a mágoa tenha ti contaminado, isso não justifica a falta de amabilidade, a falta de benevolência, afeição. Se não querias mais contato comigo, bastava ter sido sincera com o teu coração. Ter me iludido não foi legal.

Outra coisa tua me atormenta: o teu fantasma. Quando namorávamos, tua ausência era-me suprida bastando recorrer às belas e fogosas lembranças na tua presença. Agora, ou melhor, há dois anos, essas mesmas cálidas recordações transmutaram-se num fantasma áureo e inconveniente. Nas horas mais inoportunas, ele exibi-se para mim feito uma stripper vulgar e nociva. Danado fico, danado me entrego. Minha melancolia, tu sabes bem, é mais forte, por isso acabo aturdido com essas lembranças no meu colo, me encarando, me acariciando maliciosamente... Anseio que, ao deixar isso aqui impresso, esse teu resquício espectral deixe de me assombrar. Não agüentarei mais dois anos! Meu coração é demasiado frágil, tu sabes.

Por fim, espero francamente que esta seja a última carta que lhe destino. Sei que tu não a responderás, como as anteriores. Contudo, sinto-me mais aliviado, sinto que uma praga se desgarrou do meu pé, da minha alma imortal. Calma, calma, coração, não quero dizer que tu és uma praga parasita. Longe d'eu fazer uma ofensa dessas ao teu ilustre nome! Só exemplifiquei, nada mais. Não quero ti dar mais essa decepção.

Acho que ficou claro que eu ainda te adoro, apesar dos pesares, não é? Se não, digo descaradamente, explicitamente: TE ADORO!!!

Vejo-te por aí, ou não.

Beijos nas maçãs e um forte e demorado abraço pra tu, do lunático, mas inofensivo e sempre teu

Mr. Boo.