quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Cara-a-cara

- O que você está me dizendo?! O que é isso que você está falando? Quem você pensa que é pra me julgar assim? Quem você pensa que é pra me dizer o que devo ou não fazer? Por acaso você gosta de me ver infeliz? Gosta que eu fique aqui trancado, enfurnado à sua inteira e única disposição? Não sou um garoto, não sou um garotinho medroso, receoso do que você pensa a respeito do que faço ou deixo de fazer, não mais. Sou homem. Tenho liberdade de fazer o que bem entendo. Não estou prejudicando ninguém, nem eu mesmo dessa vez. Aliás, estou é fazendo bem, estou agradando, e saber disso já é maravilhoso. Vizinhos? Não me importo e nunca me importei com eles. Nem sei quem são e nem quero saber. A vida deles não me interessa. Prezo a minha própria. O que é tudo isso afinal?!? Está com ciúmes, é? Tá se sentindo rejeitada, é? Problema seu. Sempre estive aqui. Sempre te disse que poderia contar comigo pra qualquer coisa. Sempre me apresentei, e me apresento, disponível. Nunca faltei com ninguém nesta minha vida. Foi você e os outros aí que faltaram; aliás, sempre faltam. Cansei! A vida é minha. Faço o que eu quiser e como eu quero. Não tenho que lhe dar satisfações. Odeio isso. Odeio você. A responsabilidade é minha. Tudo que me acontece de bom ou de ruim é por causa direta ou indireta de mim mesmo. De mim! A Felicidade tá aqui, ó, cá na palma da minha mão! Vê? Em mim. Eu a espremo até do pâncreas, até do apêndice, este órgão inútil. Não me venha com aporrinhações. Basta! Não agüento mais isso aqui. Vou-me embora. Teu egoísmo me dilacera a paciência. Sai da minha frente! Me solta. Escafeda. Pare de chorar. Tuas lágrimas não fazem de você a pessoa com razão aqui. Você é a única aqui que não a tem. Você está desequilibrada. Você está perdendo a noção das coisas. Sabe, pra quem assiste à MTV diariamente, tua visão de mundo é muito limitada, estreitinha. Tenho pena de você. Você é uma puta-machista. Essas suas atitudes não condizem com a tua idade. Tô aqui, diante de ti ainda, e só vejo um ser desprezível, que não entende e nem tenta entender o que está se passando, o que é realmente importante. Tu achas que estou desperdiçando minha vida, é? Engana-se. Eu a estaria desperdiçando se eu continuasse aqui, com você, somente com você. Não dá mais. Liberte-me. Deixe-me viver a minha vida do meu jeito. Deixe-me em paz. Deixe-me! Você me atormenta, me aborrece, me enfada. Estou cansado, cansado de você e de suas opiniões, de seus julgamentos sem sentido, sem provas, sem fundamentos empíricos, sem nada relevante. Tu não tens credibilidade, não tens moral, mesmo sendo minha mãe. Adeus.