quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quando não sobram mais pétalas

- Estou farta. Já não agüento mais. Insisti em um relacionamento que eu suspeitava ser promissor, mas se revelou decepcionante. Não vi reciprocidade. Não vi o mesmo carinho que eu lhe dedicava diariamente de sua parte. Quando estávamos sós, lindinho, era tudo ma-ra-vi-lho-so, perfeito. Quando você estava ao meu lado, sentia que a Felicidade existia, era real, palpável e de face apaixonante. Você era apaixonante, especial, até te pedi de presente de Natal. Eu ti adorava, e muito! Mas você se revelou egoísta, sombrio... Você foi negligente com meus sentimentos, com o meu coração. E daí que eu ti ligava três vezes ao dia? E daí que eu sempre ficava esperando você sair de casa primeiro, do seu apartamento, pra depois eu sair do meu e ti encontrar no corredor? Sentia sua falta. Queria você a todo instante, e você não demonstrava o mesmo. Parecia até que eu estava ti aborrecendo, ti atrapalhando, ti enchendo o saco. Não sou carente! Vai à merda. Não sou possessiva ou paranóica, como você maliciosamente, e de certa forma até que infantil, me dizia que eu era. Palhaço. Desgraçado! Só estava expondo meus reais sentimentos a você. Eu aqui com o coração sangrando e você aí fazendo piadinha! Faz favor, foda-se, querido. Você persistia em uma aventura e eu torcia por um final feliz. Você dizia que toda aventura é imprevisível, e por isso mesmo instigante e apreciável, concordei, mas agora lhe dou uma definição: acabou. Chega de ilusões contigo. Quero sentir borboletas em meu estômago, e você não me faz sentir isso. Com outro sim, sem dúvida. E com você não, sem dúvida. Você me fez sofrer muito com esse seu jeito desencanado de ser. Às vezes, lindinho, a gente tem que ser firme, entende? Não veja aqui uma indireta ao seu desempenho sexual. Sei bem o quão dramático você é. Quero dizer apenas que planos você deve fazer. Planos concretos, tá? Possíveis. Chega de sonhar, rapaz! E de chorar. Siga em frente. Levante essa cabecinha tonta e doida. Caia na real, homem! Isso tudo me dá uma gastura, um siricutico cá no peito, sabe? Por isso, estou ti dispensando. Escafeda! Arreda! Cai fora! Vou pros braços de outro e você aí vai ficar chupando o dedo, literalmente. Você mereceu, você se merece. Volte pro colo frio da Solidão e não dê noticias. Não me ligue. Não quero nada contigo. Não banque o choramingas. Calhorda! Pulha! Filho-da-puta! Sai da minha vida, e não volte nem como fantasma de alcova. Tchau! Passe bem. Cuide-se. Adeus!