![]() |
Imagem: cornershopapp.com |
entre o vigarista
e o oportunista
prefira o chuchu
![]() |
A Casa da Baba Yaga / coleccionmuseoruso.es |
Em casa
Num feriado
A gente sente mais
A casa da gente
Sozinho só
Ou acompanhado
O silêncio é raro
O barulho é fato:
Só sozinha
A geladeira geme
Estrala!
Emite uns sons estranhos
Às vezes parece que tem
uma moto lá dentro!
A máquina de lavar então
Toda vez parece que quer
fugir!
É só liga-la e pronto:
Um dia desses
Bancando a marginal
Ela vai atravessar sozinha
a parede de drywall!
A televisão também
Sempre estala
Uns barulhos lá internos
Quando está desligada
Parece até que está protestando
Quando a gente decide ler
Em vez de ver tevê
Outros barulhos
A gente sempre ouve
Do piso
Das paredes
Do teto
Do vizinho
...
Vixe!
Desse aí (de cima) a gente
sempre ouve
Vizinho sempre faz muito
barulho
A gente é que não
A gente só ouve e se
incomoda
Às vezes, bate até uma revolta
É cada barulho barulhento,
viu!
Ou ouviu?
Enfim
Não tem lugar melhor
Do que A Casa própria da
gente mesmo
Lá a gente vive
E Ela também!
![]() |
Pintura: Cisnes refletindo elefantes (1937), de Salvador Dalí / todamateria.com.br |
Rapaz,
é impressionante a quantidade de gente, aparentemente, bem preparada, ou com
lugar de fala, que manja super-bem de um assunto muito comum, ou não, por aí
pelas timelines das redes sociais!
É
tanta gente que sabe bem O QUE tá falando, e COM QUEM tá falando, que fico
besta com a minha falta de tato e com a minha incapacidade profissional e
pessoal.
Sério “memo”. Se eu não “saibo” fazer um
ovo cozido, por exemplo, nas redes, tá cheio de gente profiça que sabe e o faz
de um jeito bem único! Uns até nem sequer usam o próprio ovo pra fazer o “tar”
do ovo cozido, acreditas?! Pode procurar por aí.
Outra coisa, ou coisas: se eu sou um “noob”
em mercado de ações, em usar uma vassoura piaçava, ou, ainda, se eu sou um burro
em seguir uma dieta, ou em fazer os exercícios físicos que o meu médico
recomendou, ou, pior, se eu sou um idiota completo em lidar com as pessoas a minha
volta ou em fazer um bolo Red Velvet de quase trezentos paus, nas redes, há uma
infindável lista de gente mui gabaritada que me ajudará a fazer tudo isso aí
que eu comentei acima e, lógico, me revelarão diversas outras coisas que eu não
fazia a menor ideia das suas existências e que eu já não as sei fazer direito,
tipo: colocar a meia do jeito correto.
Mano, é tanta gente que sabe bem mais do
que eu, que eu fico até meio triste.
Mas triste mesmo é perceber que por aí
no mundinho virtual, ou por aí no metaverso, que seja, há tanta prosperidade, há
tanta ciência (de consciência mesmo) e, enquanto isso, por aqui no mundo real,
há tanta miséria, gente passando fome, desemprego, desespero, violência, roubo,
impunidade, má administração pública, corrupção e muito mais desgraças conforme
você vai descendo a ladeira...
O que está acontecendo?! Por que a conta não fecha? Como explicar essa disparidade, essa discrepância?? Tantos por aí tão bem e tantos outros tão mal. O que há além, muito além, da tela-terra-plana?