quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

RATO MORTO

Passeando a pé pela rua,
Eu o vejo lá estatelado,
Parecendo panqueca, imprensado,
Criatura descomunal está nua.

Perdera tudo que fora sua,
Só o rabo se faz notado,
Bucho, crânio esmagado
Em noite escura, noite de lua.

Vejo suas tripas ao relento;
Não vejo ninguém em sofrimento;
Só o nojo paira sobre o asfalto...

Rato morto não causa comoção.
Restos desse tipo não tocam o coração.
Sigo reto. Pode ser armação.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

LIXO VIVO

Descartada por quase todos
Que nela vivem,
A cidade,
Grande cidade,
Agoniza sozinha na sarjeta e
Enquanto uns e outros
Dizem defendê-la
(Salve! Salve!),
Na culatra,
O negócio,
Mau negócio,
Anda torto, capenga,
Dando lucro àqueles que
Nela dizem morar,
Ocupar.

A cidade,
Grande cidade,
Só reflete os que nela vivem, sobrevivem.
Se ela está suja, imunda e feia é por que
Nela sobra gente altiva
E falta gente digna.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

GORDO, VELHO E BROCHA

O pau já não vê mais,
A barriga bloqueia a visão.
Se duro fica,
Já nem mais sente,
Ereção é coisa ausente.
Prazer sente mesmo é quando come.
Seja um petisco, um crustáceo vivo
Ou uma bandeja cheia de salgadinhos!
Por passar de certa idade,
Nem mais se importa com isso ou aquilo outro,
Quer mais é beber, se empanturrar
Até o cinto da calça estourar!
Ser gordo não é problema,
Problema é querer ficar magro.
Porém, disso, não sofre, é enfado.
Agora, do pau não levantar...
No início, sofreu,
Mas, se viu sozinho,
Então, se esqueceu.
Ser homem, hoje em dia, não é mais isso.
Ser homem, atualmente, é ter muito di$$o, muito daquilo...
E de tudo ele tem.
“Não preciso de ninguém!”, ele diz.
Ele é desses que você vê na rua.
Você o vê e o vê feliz,
Mas quem em sã é assim sendo
Gordo, velho e brocha?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

EMENDAS DA MEIA-NOITE

Do calvário alegam vir
Pra por em ordem um país,
Mas, o que se vê, faz rir
Pra não chorar chafariz.

Tudo parece por um triz;
Todos eles temem cair.
Afinal, tem gente aí que se faz juiz.
Porém, desencanto morno, vão ruir...

Na calada da noite fazem acordos,
Delações premiadas ganham fórum;
Tudo é encenado em grandes auditoriums!

O que se vê só se vê cacos, quebrados.
O verdadeiro espetáculo não é arbitrário!
Lá, o jogo é jogado sem estagiário.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

VERMES

Vejo-os ao meu redor
Em estado vil de decomposição,
Criaturas peçonhentas em ação,
Fazendo o que fazem de melhor:

Extinguindo a carne até o pó,
Impregnando o ar sem consideração,
Apenas o fedor há em elevação.
Condenado estou e na pior.

Danado assim sem me mexer,
Penso no que fiz pra acabar ali
E não consigo entender o exercer

Que é agir livre até aqui
Pra acabar assim sem esperança
Enquanto os sem cabeça enchem a pança.