Se eu continuar nesta UTI, meu óbito é garantido, e soh sairei daqui pro IML. Careço urgentemente de um leito, da tua alcova! Hoje à noite tem vaga?! Salve-me!!
domingo, 31 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
SSMS (36)
Pro Paraná tu ñ devias ter ido, pra cá pra casa tu devias ter vindo. Pra lá tá sempre frio, pra cá tá sempre quente. Contente ñ fiquei, e tu ficaste? Riu? Buei.
Caixa de saída (4)
“Antônia”
Olá, cara Antônia!
E aí, mulher, comé que tu tá?
Puxa, faz mó tempão que a gente não se fala, que nós não nos correspondemos, não é mesmo? Deixamos de freqüentar a mesma academia, deixamos de transpirar juntinhos (desculpe-me desde já a gracinha) faz é meses e, ainda assim, mantivemos contato. Um contato tímido, é verdade, mesmo assim, um contato honesto, simpático e agradável. Entretanto, não trocamos recadinhos há uns bons meses. Tá certo que há uns bons meses eu não acesso o ORKUT. Praticamente abandonei-o. Mas você bem que poderia ter me enviado um e-mail ao menos, né não? Pôxa vida, mó saudade de tu. Sério. Apreciava pra caramba os nossos papos curtos, ligeiramente insanos até. Temos que voltar à atividade, à pro-atividade, minha filha!
Você anda muito ocupada? Será mesmo que não dá pra dar uma saidinha? Bem que poderíamos combinar pra bater um papo, bebermos um chope, ou uma cervejinha, ou uma água com gás mesmo, depois dos nossos expedientes, que tal? Por que não? Garanto o bom-humor. Pense bem a respeito, sim? Prezo tua amizade e tua presença física também, claro.
Eh isso. Fico no aguardo então das tuas respostas.
Beijo na bochecha direita e um forte abraço aí procê.
BRO
Olá, cara Antônia!
E aí, mulher, comé que tu tá?
Puxa, faz mó tempão que a gente não se fala, que nós não nos correspondemos, não é mesmo? Deixamos de freqüentar a mesma academia, deixamos de transpirar juntinhos (desculpe-me desde já a gracinha) faz é meses e, ainda assim, mantivemos contato. Um contato tímido, é verdade, mesmo assim, um contato honesto, simpático e agradável. Entretanto, não trocamos recadinhos há uns bons meses. Tá certo que há uns bons meses eu não acesso o ORKUT. Praticamente abandonei-o. Mas você bem que poderia ter me enviado um e-mail ao menos, né não? Pôxa vida, mó saudade de tu. Sério. Apreciava pra caramba os nossos papos curtos, ligeiramente insanos até. Temos que voltar à atividade, à pro-atividade, minha filha!
Você anda muito ocupada? Será mesmo que não dá pra dar uma saidinha? Bem que poderíamos combinar pra bater um papo, bebermos um chope, ou uma cervejinha, ou uma água com gás mesmo, depois dos nossos expedientes, que tal? Por que não? Garanto o bom-humor. Pense bem a respeito, sim? Prezo tua amizade e tua presença física também, claro.
Eh isso. Fico no aguardo então das tuas respostas.
Beijo na bochecha direita e um forte abraço aí procê.
BRO
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Tentações sobre a mesa
Ah, a rotina no escritório! Coisa vulgar, torpe, mas ao mesmo tempo instigante e até deliciosa. Coisa curiosa é perceber o que cada colega de sala, o que cada colega ao lado põe, deposita sobre sua mesinha de trabalho diário. Além, é claro, da papelada obrigatória, do trabalhinho burocrático, há coisinhas particulares que merecem uns minutinhos de boa observação. Cada colega têm um porta-treco diferente, e cada um o enfeita a seu gosto. Marcação de território, talvez. Exposição da própria identidade. Fora os adesivos e os recadinhos pra si mesmos que eles colam em derredor do monitor led. Cá pra nós, tem umas telas aí que mais parecem girassóis de tantos papeizinhos aí colados. E, ao longo do dia, a pobre “flor” é desfolhada, mutilada paulatinamente pra no dia seguinte ser recomposta, logo de manhãzinha; e assim é todo o dia, toda semana, todo mês, todo ano. Fotografias ainda são comuns ver sobre as mesas de escritório, é clássico, algo saudosista, digamos, pois, nesta Era do Cristal-Líquido, onde fotos são vistas graças à energia elétrica, porta-retratos de madeira (ou mesmo de acrílico) são artigos antigos, praticamente coisa pra colecionadores esquisitos. Geralmente são fotos da família – da(o) esposa / esposo e dos filhos, ou da filha, ou do filho. Raro é ver fotos da namorada ou do namorado, dependendo do caso, ou do acaso. Por que será? O dono ou dona da mesa não quer olhos cobiçosos sobre o que lhe é tão estimado, querido e imprescindível? Talvez. Provavelmente. Mas, tais olhos, são inevitáveis. Ainda mais inevitáveis quando há, sobre a mesa de trabalho, um singelo e transparente potinho cheio de balas coloridas. Quem, em sã consciência, é capaz de tamanha maldade? Bem, o meu colega do cubículo ao lado é. E por que ele é mau? Veja bem, entenda, a porra do potinho é transparente! Comé que o cara tem a moral de colocar cá ao meu lado um potinho transparente cheio de balas?! É uma tentação constante. E se eu fosse diabético, hein? Seria uma tortura diária. E o pior é que todo dia quando chego, e todo dia quando vou-me embora, o potinho tá cheio! O desgraçado o reabastece todo dia. Assim num dá. E ele, o cara cá do meu lado, nunca, nesses cinco anos, nunca ofereceu as balinhas a mim. Pra ninguém, pô! E o potinho fica lá, sobre a mesa, e sempre no mesmo lugar, entre a caixa dos documentos pra dar entrada e a caixa dos documentos pra dar saída. E como brilha aquele recipiente! É de cristal, sem dúvida. E tal material manufaturado certamente intensifica as cores das guloseimas lá abrigadas. Consigo, à boa distância, vislumbrar aquele brilho doce. Parece até um farol. De perto é possível focar o granulado alvo, os torrões cristalizados do açúcar usado naquelas bolotas aglutinativas... Vou pegar aquele potinho. Agora. Já! Não tem ninguém aqui na sala. Os cubículos estão vazios. Todos foram almoçar. Fui mais cedo. Acabei de chegar. E o potinho lá brilhando, reluzindo doces possibilidades... Peguei-o. É meu! Meu precioso. Desrosqueio a tampa lentamente; não faço barulho. O silêncio da sala é prazeroso e frio – o ar-condicionado, meu cúmplice, me refrigera os nervos. O pote está aberto, finalmente. Aromas almiscarados são, enfim, libertados. Tremo discretamente de ansiedade. Respiração agitada. Gemo de prazer, mesmo tentando contê-lo. Delicadamente apanho uma bala vermelha. Sua maciez é delirante, sua porosidade sacarídea me lembra o meu toque gentil dado recentemente nas coxas da estagiária novata... Delícia! Prazer concretizado. Sabor saboroso na minha saliva. Ah, como é bom atender minhas vontades. Ah, como é bom sair da rotina!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Super-borboleta!
Beleza diurna da primavera, também vagueia serelepe por aí nas noites boêmias de veraneio. Porém, poucos têm o privilégio de percebê-la. Ela é dada, mas não de graça! Há a necessidade, quase subordinativa, de exibir-lhe a arcada dentária. Ela aprecia dentes perolados, sorrisos sinceros. Preza dotes raros – virtudes masculinas de séculos passados. Adora rociar-se meigamente nas orelhas alheias, mantendo o pudor, claro, dando a dica sutil do que realmente tá querendo. E assim vai batendo suas asinhas no batente, após o expediente, até que suas curvas sinuosas, até que suas cores agulhadamente impressas penetrem a pupila dos olhos brilhantes de seus ditos algozes, amoitados na penumbra delirante. Borboleta curte mangar de suas vítimas, brincar, fazer cócegas. Diverte-se facilmente. Dança pelo ar até o dia clarear, até o sol resplandecer. O cóccix é a sua casucha, e somente quando o algodão negro a encobre completamente é que ela finalmente repousa suas pequenas asas. Bem, isso lá não dura muito tempo, pois a borboleta, a borboletinha, pra voar foi feita, a danadinha. E provoca: - Vem me pegar, mané!
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