sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CÓLERA

Não é banda, não é doença,
É o estado crítico atual.
Tá todo mundo dando pau
Em qualquer um aí de outra crença.

É crente? Diferente pensa?
Prepare-se para o bacanal
De ofensas, bombardeio do mal.
Ninguém mais respeita a diferença.

Os ânimos estão inflamados,
Tá todo mundo pilhado
Numa neurose rancorosa.

O discurso de ódio é rotina.
Há por aí muita gente desgostosa.
É a Cólera se tornando sina.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

QUANDO A CRIATURA SE ENXERGA A OBRA PRIMA DE DEUS

Eu me vejo no espelho
E não vejo nada de errado.
Eu me sinto abençoado
Toda vez que me vejo no espelho.

Não vejo defeitos, nem pêlos.
Sou perfeito! Fui criado!
Respiro bem, estou curado?
Eu estou vivo pra caralho!

E isso é o mais importante.
Estou bem, estou feliz,
Convivo bem com a cicatriz.

Não me sinto impotente.
No espelho, eu me vejo
E nele eu reconheço o desejo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SONO DA PORRA

Quem aí é homem sabe,
Depois de uma boa gozada,
O sono vem logo após a trepada.
O corpo amolece, não mais se cabe.

Com a mulher, idem, baby.
Ela, se realizada, fica encantada.
Se não, pobre coitada!
Fica a ver navios com pica mole.

Não importa a idade,
Todos dormem, sucumbem à porra!
Sono vem, vai-se à hora.

O odor impregna, cheiro de vontade.
Milhões de flagelos morrem
Enquanto dois corpos nus dormem.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

AULA DE HISTÓRIA

Pegue o livro didático
E o jogue fora.

Pixi a sala de aula
E não saia correndo.

Tua história é essa
Que você mesmo
Desenhou na parede.

Quer mesmo que todos
Fiquem cientes dela ou
Quer sair da sala de aula
E viver de vez fora da toca?

Para todas as respostas possíveis,
Apenas aqui um aviso amigo:
Não jogue fora o livro
Sem antes lê-lo.
;)


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

COMBOIO DO INFERNO

Amontoados uns sobre os outros,
Assalariados, desempregados e estudantes
Sofrem a agonia sem precedentes;
É a luta diária dos eleitos.

Dentro, aqui, não é pra poucos,
Cheio vai o bucho das serpentes
De aço e ferro escaldantes
Sangrando por terras afastadas só de cacos.

Seu destino é o centro do diabo,
Repleto de gente condenada sem saber,
Que respira ar seco e fede de doer.

Lá, o pandemônio é completo:
O comboio só mais cresce, segue ereto
Até adentrar fodido no próprio rabo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ABANDONADO

Partiu sem olhar pra trás,
A Esperança em desesperança
Correu a toda feito criança
Que foge com medo dos metais.

Da Vida, não vê mais graça
O Homem a desfaz
O Homem é Alcatraz
Por isso, partiu em desgraça.

Ela, a Esperança, foi-se embora
Seu tempo passou mal passado
O Homem, agora, vive curvado

Em si, conectado, desplugado de fora
Quando a Esperança se vai,
O Homem sozinho cai.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O MÊS DO GRITO

Mais um acaba
E é com gosto!
Agosto se vai
E que venha setembro!
Se bem me lembro,
Este mês é mais festeiro
Do que àquele agourento.
Agora, tudo andará nos eixos;
Chega de andar a esmo,
Sem dinheiro ou sem parceiro!
Setembro vem pra renovar.
Quem acredita nisso,
Pode continuar.
Setembro o libertará!
Pois então grite
A plenos pulmões!
Este mês é dos bufões.
Pedro I foi o primeiro,
Quem aí será o próximo?
Dica amiga:
Fique de olho no retórico.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

DOR

Por mais que a gente tente evitar,
Ela vem sem tardar,
Pois, sem ela, não estaríamos vivos,
Seríamos apenas espíritos

A vagar por aí à esmo...
Até quem já morreu quer senti-la,
Afinal, dor é vida!
E estando vivo tudo têm sentido.

A carne é sensorial,
É o objetivo do Mal
Para ofender seu criador.

Por isso, não seja tolo:
A dor é sinal de vida,
Sem ela, tu estas morto.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O CANDIDATO ETERNO

Eu o vejo por aí
Todo asseado,
Parece até que saiu do banho,
Tá sempre limpo e bem vestido
Até quando de gari se veste
Sem aparente compromisso.
Eu o vejo viajar um bocado
Aqui, na sua cidade,
Quase não aparece.
Porém, manda scrap
Via aplicativo e
Assim
O que presente não resolve,
O faz remotamente, diz.
Eu o vejo por aí afora
Ganhando títulos de outras cidades,
Que certamente ele nunca foi,
Se passa agora por elas,
É porque tem coligação de olho gordo
Nesse presidenciável de rodízio
Que roda a roda
Mas não ganha Jequiti.
Propaganda enganosa esse é!
Esse cara tá de cara
Na própria privada
Confabulando outros meios
De encher os bolsos de dinheiro
Dele e dos camaradas
Que moram no Morumbi
E que tão pouco de lixando pro Itaim.
Que não é o Bibi, veja bem,
É o Paulista, meu bem.
Ora, taí uma coisa que esse aí
Não é e nunca vai ser,
Porque paulistano genuíno
Trabalha para o seu sustento, claro
Mas pro familiar também
E sempre colabora
Com TODO MUNDO
Que aqui aporta
Pra sonhar, se desenvolver.
Esse eterno candidato
Tá mais pra bandeirante
Do que pra assentado.
Quem o acolher,
Já se prepare,
Pois, que nem aquele outro,
Esse vai nos abandonar
Pra alimentar
Sonhos enrustidos de presidencialismo.
Então, meu amigo cidadão,
Fique esperto e
Não dê bobeira.
O José já nos deixou,
Do João é só se lembrar
Daquela canção do Gil.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LITERAL

Quando digo que
Afoguei o ganso,
Afoguei-o mesmo,
O bicho penoso morreu.

Se eu digo que
Dei nó em pingo d’água,
Pois o dei mesmo,
Até dois, pra não soltar.

Agora, quando eu vejo/leio por aí,
Gente corrigindo
O que foi dito/escrito,

Logo sinto pena
Desse indivíduo
Carente de sulfito.