terça-feira, 12 de outubro de 2010

Super-borboleta!

Beleza diurna da primavera, também vagueia serelepe por aí nas noites boêmias de veraneio. Porém, poucos têm o privilégio de percebê-la. Ela é dada, mas não de graça! Há a necessidade, quase subordinativa, de exibir-lhe a arcada dentária. Ela aprecia dentes perolados, sorrisos sinceros. Preza dotes raros – virtudes masculinas de séculos passados. Adora rociar-se meigamente nas orelhas alheias, mantendo o pudor, claro, dando a dica sutil do que realmente tá querendo. E assim vai batendo suas asinhas no batente, após o expediente, até que suas curvas sinuosas, até que suas cores agulhadamente impressas penetrem a pupila dos olhos brilhantes de seus ditos algozes, amoitados na penumbra delirante. Borboleta curte mangar de suas vítimas, brincar, fazer cócegas. Diverte-se facilmente. Dança pelo ar até o dia clarear, até o sol resplandecer. O cóccix é a sua casucha, e somente quando o algodão negro a encobre completamente é que ela finalmente repousa suas pequenas asas. Bem, isso lá não dura muito tempo, pois a borboleta, a borboletinha, pra voar foi feita, a danadinha. E provoca: - Vem me pegar, mané!