sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dois encontros de dois

Eles se conheceram graças à amiga dele. Ela era prima dessa. Começaram se falando por telefone. Ele falando gracinhas, jogando charme, arquitetando um xaveco, todo simpático. Ela ouvia, ria, gargalhava e desabafava sobre Ele suas experiências frustradas. Naquele primeiro papo telefônico já estavam íntimos. Prometeram manter contato, e cumpriram. Falavam-se toda semana. Conversavam mais e mais e sobre muitas outras coisas. Curtiam o papo um do outro. Quando finalmente se conheceram pessoalmente, Ele estava trepado numa árvore, todo sorridente. Ela, lá do chão de terra, admirava-o com os olhos arregalados e com os lábios inquietos. Já no chão, num só pulo, Ele abraçou Ela. Um abraço bem apertado. Fogoso. Ficaram se olhando ainda um bom tempo antes de se agarrarem atrás da moita mais distante. Lá, lábios foram tocados, chupados e mordiscados. Bumbuns foram apertados, várias vezes. Malharam-se em pé mesmo, o tempo era escasso, os desejos, afoitos e crescentes, salientes. Após esse dia, ainda ficaram se correspondendo via telefone fixo, mas o tempo, entre uma ligação e outra, tornou-se maior, tornou-se menos freqüente, desfreqüente. Combinaram-se de se encontrar novamente meses depois (dentro do mesmo ano). Ela ligou de surpresa. Combinaram tudo às pressas, de última hora, no calor do momento, e num domingo. A saudade finalmente se fez presente. Ele foi até Ela. Chegou atrasado, mas foi, conforme prometido. No ponto marcado desembarcado se agarraram com pudor, não extrapolaram. De lá, foram pra uma pracinha próxima – era fim de tarde. Sentados um do lado do outro papearam, pouco, pra logo em seguida se tocarem, se chuparem, se mordiscarem. Só que dessa vez um batom mais aromático e uma manteiga de cacau reluzente participaram cumplicentemente do ato. Esses não agüentaram por muito tempo, a avidez dos amantes era feroz, ambos se dissolveram nas salivas libidinosas. As carícias estavam mais sérias. Apesar do discreto chuvisco que caia, o calor corpóreo dos dois só aumentava. Ele e Ela estavam a sós na pracinha. Da rua, provavelmente, não era possível perceber as fricções frenéticas. Talvez fosse possível e mui visível ver a bolinação mútua. Zíperes foram lentamente abertos, mas nada foi exposto, apenas apalpado. Esse encontro durou horas – o tempo abundava-se juntinho deles. Ele e Ela foram abraçados até o ponto de despedida. Antes de chegar lá, passaram a pé em frente a vários motéis. Pensaram, mas não entraram – já era muito tarde. Ele embarcou de volta pra casa dele, Ela ficou lá, parada, por alguns segundos. E foi embora pra sua casa. Sozinha, mais uma vez. A garoa tépida transformou-se em chuva. Chuva fria, pesada, dessa que até machuca, dói quando atinge a pele. Ele e Ela nunca mais se falaram, ou se viram. Verão.