sexta-feira, 13 de maio de 2011

Conhecida da vizinhança

Ela não me encara de manhãzinha bem cedo. Aparentemente ignora minha existência, mesmo eu a encarando todos os dias. Ela é atraente, e eu pelo jeito não. Pegamos transportes distintos, cada um vai para um lado. Mas, às vezes, acabamos nos encontrando no Paraíso, no Metrô Paraíso, ou melhor, eu acabo encontrando-a. Ela me ignora, mas insiste em pisar no meu pé, e nem pede desculpas, nem se quer olha pra minha cara! Ela desce na estação Trianon-Masp acompanhada duma amiga, e as duas papeiam muito, sempre. E eu sempre acabo na Consolação, e sozinho. De volta do batente, à noitinha, às vezes também a vejo, e ela continua não me vendo. Ela fica lá de plantão em frente do portão. Ela espera... Aí eu a vejo sorrir, aí sim eu ouço sua voz. Ela tem um filho, e só tem olhos e ouvidos para ele. Menino de sorte.