terça-feira, 2 de outubro de 2012

O último dia de setembro

No último dia de setembro,
se bem me lembro,
não teve chuva
nem insolação.

No último dia de setembro,
encontrei um par de olhos verdes na Consolação.

Num bar noir eles me avistaram:
eu estava dançando, assim meio quebrado
não era break ou algo empalhado.
Era o meu corpo mesmo, desengonçado,
mas nada envergonhado.
Corado sim –
eu estava meio alterado...
Enfim, era realmente engraçado
de se ver.
O par de olhos verdes me viu,
sorriu
e chegou junto.
Todo delicado –
estava igualmente chapado.
Não me paquerou descaradamente,
mas puxou papo
e eu, puxei-o pro meu lado.
Conversávamos coisas
sem pé
nem cabeça
ao pé
do ouvido.
O barulho do recinto
era o nosso melhor aliado.
O par de olhos verdes se sentiu ameaçado,
quando eu o encarei – despudoradamente –
com minhas sinceras e maliciosas intenções,
ali refletidas no meu par de olhos castanhos reluzentes.

No último dia de setembro,
se bem me alembro,
línguas atrozes foram conquistadas,
saliva fresca foi, finalmente, comercializada
e o embargo, de muitos meses atrás,
foi anulado,
descabido e
reajustado
quando os pares se fecharam
em comum acordo acordado.
Mas sem medidas de austeridade –
os dois já tinham idade.

No último dia de setembro,
ambos saíram satisfeitos,
mesmo com os limites impostos
e importados.
A aliança, mesmo provisória,
foi um sucesso inesperado.
E quando a cúpula se findou,
durante o ato democrático,
já era amanhecer...
E nesse céu bem claro,
a ressaca não foi suficiente
pra esquecer aquele par
de olhos verdes:
outrora presente,
agora ausente,
no último dia de setembro.