terça-feira, 7 de agosto de 2018

PLANALTO

Imagem: www.fontanka.ru

Muitos correm para lá,
Afinal, lá querem estar
Nem tão difícil é pra chegar
Basta mandar bala!

O tiroteio a todos cala,
Pois ninguém se diz barbeirar
Tudo lá é tipo lupanar
De vermes em vala.

Acaso tu vês solução?
Tu crês no poder do voto?
Pare e pense, coração.

Tudo isso é tipo loto
Quem ganha não é façanha;
Se ganha, é barganha!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

FRIO

Foto: www.distance-fromto.com

Na inércia da vida
Quem treme, tudo a teme
Se dor sente, geme
Solidão é ferida

Da dor não há saída
Pensa quem não tem crime
Se culpado(a), some
Prisão não, se cuida

É mera tentativa
De se mostrar quente
Na real, dente

Sangue na gengiva
É de frio que bate
Sozinho, até late

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

PROJETO JOIA

Há muito gesto uma ideia. Uma ideia de respeito e admiração. Essa ideia, como todas que costumo ter, custa a se desenvolver. Toda ideia tem um tempo. E eu respeito esse tempo. Assim, quando eu percebo que a ideia quer finalmente sair e ganhar o mundo, eu a deixo ir. Essa, que agora sai, é a mais recente, isto é, tem só uns dois anos de gestação. A ideia em si não é nova, é resenha. Resenhas existem aos bocados aí no continuum do play das redes sociais. Tem muita gente boa por aí soltando o verbo e os emojis sobre os livros que leem ou vão ler. Isso é bom! Jovens falando de livro é coisa sempre interessante de se ver. Contudo, a ideia que libero agora tem outro enfoque. Primeiro, a resenha não será em vídeo. Eh, cara, não adianta. Eu não dou pra coisa. Prefiro a boa e velha escrita. Se todo mundo posta vídeo ou foto, eu posto texto. Sou assim. Acho que me saio melhor assim. Segundo, não é qualquer livro que será resenhado por mim. Não senhor! É uma joia. Daí o nome do projeto. Acho que o nome é auto-explicativo, por isso não vou enrolar tanto sobre isso aqui. Meus objetos de trabalho serão livros que contém aquilo que não se costuma encontrar com facilidade por aí. São obras raras, singulares em seus temas e conteúdo. Curiosamente, as primeiras três que quero aqui resenhar tratam sobre a cidade de São Paulo — cidade querida e odiada onde vivo e morro todos os dias. São obras que conheci de vista ou de falar a muito tempo, mas só agora bateu aquele desejo e oportunidade de dividir a minha visão sobre elas. São verdadeiras joias e eu quero que você entenda o porquê.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Poetrix: Safra (6)

A RESPOSTA: CASO

fazia pouco caso
fez graça na praça
coçado, se casou



LUPA

via a desculpa
não percebeu a mentira
enganado por traíra



ENGANO

fulano era o tal
procurado foi, negou
beltrano deu um show
  


VIDA FÁCIL

deu e se envolveu
deu no que deu:
perdeu o laço



TACITURNO

encostado num canto
na cabeça, chifres faustianos
desce a lágrima e o pano



ERRO

sem querer, querendo
faz do certo, errado
por dinheiro



RATO

come a sopa
bebe a teta
do leite, faz emenda



AVESTRUZ

esconde a cabeça
o corpo, mostra-o nu
quem passa, só vê o cu



BOLOTA VAI DORMIR

acolcheia a cama
dá duas voltinhas
dorme bem sem pedigree

  

DUALINA

não se engane, trouxa
se és o escolhido, pegue
Voldemort não é sereia




Obs.: poetrix NÃO selecionados para o VIII Concurso Internacional de Poetrix do MIP - Movimento Internacional Poetrix.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

VENENO

das bocas tolas
escorre a bancarrota
de fala torta
cheia de querelas

quem diz chorumelas
acha-se a proveta
mas é veris capeta
das páginas amarelas

quem assim insiste
perece antes da hora,
pois, se abre, não resiste

e perde de vez a cura
se engasga toda e morre
do próprio toma porre