segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O olhar da cadela no cio

Nem sempre escrevo sobre aquilo que me incomoda, apesar de andar muito incomodado com certas coisas que por aí ando vendo, sabendo a respeito... Tem vezes também, raras vezes, que tenho vontade de escrever sobre coisas que me agradam. Escrever é uma dessas coisas. Mas o que tenho guardado cá na cachola, e que gostaria de libertar nestas linhas libertárias, é um olhar muito peculiar, é um olhar libertino. Já ouvi por aí que é nos olhos das pessoas que a alma dessas reside. Não tenho certeza se isso é realmente verdade, crendo que temos algo de imaterial dentro da gente ou se isso é mais uma especulação imobiliária, vá lá. Mas, fato é, que nos glóbulos oculares vemos as reais intenções daquela pessoa que estamos observando. O olhar entrega os pensamentos da pessoa vista. E quando digo olhar me refiro também às pálpebras, aos cílios, às sobrancelhas e à testa. A boca igualmente contribui para a decifração do olhar avistado. Já o nariz, mesmo ali no meio de tudo isso, não contribui satisfatoriamente. Está lá mais de penetra mesmo. Sem participação efetiva. Apenas um olhar pode entregar uma pessoa. Mas quando essa pessoa já está entregue, de corpo e alma precisamente, o olhar que nos é ofertado, é um olhar de pura e maliciosa intimidade. É um olhar sacana. E você que me lê sabe muito bem como é esse olhar. É aquele olhar meio fechadinho, semicerrado, geralmente de lado, soslaio e sempre acompanhado de uma testa levemente franzida e um sorrisinho arqueado de um dos lados dos lábios. Quando é que vemos esse olhar provocativo, hein? Bem, podemos vê-lo em várias situações diferentes, mas a que tenho cá fixa na minha memória é um olhar feminino direcionado diretamente a mim na posição cachorrinho, ou, se preferir de outro jeito, numa angulação de quatro bem proporcionado. As feministas, as moralistas e os acionistas que me desculpem, mas quando a gente, homem, põe de quatro uma mulher, a coisa invoca o nosso lado mais animal, primitivo e bruto mesmo. Tâmo ali numa posição ancestral. Metendo pau na mulher amada, sem dó nem piedade, porém, tem vezes, às vezes, que metemos gentilmente, devagarzinho... São dois animais gemendo e suando com gosto, e pra valer, durante esse ato libidinoso. E é você que enraba que tem a melhor visão da coisa. Você vê o longo dorso da pequena; você tem as ancas dela nas palmas das mãos; você penetra aquela bunda com emoção. Uns dizem que essa posição é de humilhação. Outros dizem que você está subjugando a mulherzinha querida. Mas isso aí é intriga da oposição. Quem diz isso não aprecia a coisa, não curte o ato democrático em si. De quatro o troço engrena. É a consumação plena da confiança alheia. E quando a guria te olha, com aquele olhar, quando tu tá penetrando-a de quadro com o seu caralho, aquele olhar, é o mais terno, delicioso e malicioso olhar de aprovação, de cumplicidade e aceitação que você verá na tua breve e depravada vida. Você tá ali, fudendo ela de quadro, e ela fica te olhando, te provocando, te encarando, como se estivesse dizendo tudo sem dizer nada. Contudo, há mulheres que dizem mesmo algumas coisas, umas provocações sem pudor algum, sabe? Do tipo: Me come, desgraçado!!! Fode direito essa porra!!! Me fode com força, caralho!!! Vai!!! Mais forte!!! Vai, amor!!! Aí, meu caro, você a obedece, que nem um cachorrinho bonzinho. Afinal, é ela quem manda. Aí, amigão, você morde os lábios, cerra seus olhinhos, ajeita o quadril e envia a vara na desgraçada. A vagabunda da tua esposa ordena e você obedece. Quem disse que a vida de cão é foda? O olhar da cadela no cio é o melhor amigo do homem. Melhor que isso só urinar junto dela na rua de madrugada, pode crê.