sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SSMS - Secret Short Message Service (1)

Q a brisa noturna de hoje acaricie teus pêlos negros; Q a brisa morna de amanhã te core e q conforte este teu peito calejado, mas tão almejado por ser tão teu!!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Maturidade e a Mamãe (desenvolvimento)

- Quando você cresce, ou seja, quando você fica mais velho, você começa a perceber certas sutilezas da vida. Por exemplo: quando eu era pequeno, sempre cumprimentava a Mamãe com um beijo. Hoje, com meus vinte e poucos anos, já não me arrisco a fazer isso. Digo arrisco porque quando me atrevo a beijá-la, e esse deslize geralmente ocorre quando estou desligado da minha própria existência, ela, a Mamãe, pede-me DINHEIRO. Sim, digo a verdade. Mau encosto meus lábios filiais na maça direita dela e ela já dispara uma ordem fulminante: “Me dá R$ ..., aí!”. Por isso, não beijo mais a Mamãe... Ah, e nem se atreva a pensar que sou um sovina desgraçado e desnaturado, desconfiado leitor! Não deixo de beijá-la só porque ela “cobra” de mim o gesto afetuoso. Não a beijo mais por princípios, só por isso. Sim, princípios. Imagine: sou filho único, já recebi muito carinho, admito. Hoje, porém, afirmo, não recebo mais manifestações táteis de afeto. Um dos poucos gestos maternais que ainda recebo é ter comida preparada sempre à minha disposição e roupa lavada e passada, além, é claro, do teto que me abriga. TUDO isso já é prova suficiente de amor materno, podem dizer uns aí. Contudo, há outra coisa a levar em consideração: a convivência. Percebo que quanto mais fico mais velho, mais a Mamãe não me suporta. Ela me acha um chato, e sempre quando perguntam de mim, ela “carinhosamente” emprega esse adjetivo no lugar do meu nome. Ela SEMPRE diz: “Aquele chato ainda tá lá.” O chato dito com ênfase, entende? Por isso o itálico. Enfim, pode parecer até represália, mas não, é princípio. Como posso ser amável com alguém que me odeia? Sim, ela me odeia. Tenho provas! Hoje em dia, ela não sabe mais o que e nem como falar comigo. Aliás, conversar é algo que não praticamos há muito tempo. Ela me vê como a um estranho. Ela não me reconhece mais. E eu também não a reconheço... Bem, acho que isso já diz tudo. Mas, quando será que esse estranhamento começou a se manifestar? –

sábado, 22 de agosto de 2009

Fragmentos do cotidiano (1) e (2)

... Às vezes acho que minha mãe só quer saber do meu dinheiro, sabe? Ela fica ali, de espreita, de olhos miúdos e fixos enquanto conto as cédulas que recebo quinzenalmente. Acho muito estranho essa atitude dela. E, pensando bem, acho que ela sempre fez isso, desde quando comecei a trabalhar regularmente, desde o primeiro registro em carteira, entende? Não sei por que só agora reparei nisso... Bem, quando ela me pede um pouco pra fazer umas compras básicas no mercadinho, até que lhe dou o pouco e, sabe, ela fica tão satisfeita... tão contente... Também acho muito estranho essa atitude dela. Admito, meu caro, ultimamente desconfio muito de minha mamãezinha. Sinto que ela não me vê mais como ‘o filho’ e sim como ‘a garantia’. Como se eu fosse um Fundo Monetário Familiar, só que sem agiotagem e com possibilidades de bônus adicional ilimitado! (gargalhadas) Não, não tenho seguro de vida. Fique tranqüilo, colega des-con-FIADO, acho que ela não planeja matar o único filho, ou seja, EU, afinal, pelo que parece, sou mais valioso vivo e trabalhando, né?! (risinhos) Enfim, talvez seja só impressão distorcida minha, estou ficando mais velho e as responsabilidades adúlteras (sorrisinho sarcástico, meio que de lado) começam a cutucar o ego... Mas, uma hipótese surge na minha cachola neste instante... E se eu ficar desempregado?! Será que ela continuaria com a mesma atitude atípica apercebida? Hum... Eh, curioso pensar nisso neste século vinte e um... nesta alcova universal...

...

Sabe aquele cara do subsolo? Pois então, simpatizo-me tanto com ele! Sei mui bem como é ser escravo da própria consciência moral e social. Também sou um mentiroso e um indecente. Também sofro com essa dualidade que esmigalha, torce e sacode o cerebelo. Eh, também, quando escrevo, sou inverossímil, porque é bem mais decente e vital. Enfim, sou um belo (de metido mesmo) calhorda que contradiz os próprios anseios e sem perspectiva estratosférica. Tenho dúvidas constantes! Estou nessa inanição faz é tempo!... O ócio recente é um problema (será mesmo um problema?) que não consigo administrar. Não dou conta mais da minha própria vida. Aliás, acho que nunca dei conta realmente. Creio (agora) que ninguém dê. Sempre vivi assim, a esmo e a tropeços... Tenho que ter um rumo prefixado? Rumo é obrigatório?! Ficar aí à toa não é uma escolha? Posso realmente escolher?... Posso...

Mas, contudo, se finalmente me topar com a miserável, com a minha cara metade feminina (sim, acredito que seja fêmea. Não tolero homens, acho-os repulsivo demais, e, não sou homofóbico, deixo já avisado. Tento ser politicamente correto ainda, sabe?), enfim, continuando, se encontra-la não a humilharei tanto, que nem aquele cara do subsolo, não a afastarei de mim definitivamente. Sou carente, confesso. Sou covarde também, irmão! Sou romântico (espécie mui rara ultimamente) (e tenho orgulho danado disso). Eu a possuirei de imediato (minha futura e a definitiva guria), a comerei viva todos os dias, até ficar enjoado, até que doa os cornos, até que a gula libidinosa me enfarte!!! (suspiros asmáticos)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A filha da mãe (parágrafo único)

Chega de papo furado! Você aí, cara leitora! Sim!... Você mesma. Senta cá no meu colo e me responde uma coisa: tu conheces a filha que tens? Não, não... Não diga “claro!” tão afoitamente. Veja bem, meus avós costumavam contratar uma moça, moradora dos arredores, sabe? E ela limpava a casa deles assim, às vezes, pois eles, solidários que são, ajudam seus íntimos. Pois bem, um dia desses, bem recente mesmo, coisa fresca, a tal moça levou uma de suas filhas para ajudá-la no árduo serviço de limpeza. Ela, a moça, tem duas pequenas, uma de quase quinze e uma outra de quase treze. Ela levou a mais nova. Meus avós estavam curtindo uma praia juntos, coisas da idade, entende? E quando voltaram, além de encontrarem o pequeno apartamento impecavelmente limpo e organizado, se deram conta da falta dum bolo de notas... A grana tinha desaparecido, que nem pirulito na mão de criança. Suspeitaram da Memória. Mas, esta, a do meu avô, foi enfática: Estava lá do lado do televisor, sim! Não teve jeito, ligaram pra moça e ela ficou de sondar suas crias. Vai ver derrubou e colocou em outro lugar, disse minha adorável avó. E veja só, cara leitora, como é que são as coisas dessa vida imprevista! De madrugada, a moça ligou para os meus avós, e como moravam bem próximos, foram a pé até a casa dela, coisa de duas quadras. Ela insistiu que eles fossem lá. E na pequena casa do mutirão, a Vergonha ganhou um corpo raquítico, pálido e de olhos torpes: a caçula tinha pegado o dinheiro! Peguei mamãe, disse a guria, diante de todo mundo. Mas por que minha filha? Porque eu quis! A mãe ficou arrasada, disse que pagaria o que a pequena tinha gastado, aos poucos, é claro. Sim! A pequena gastou parte do dinheiro surrupiado, comprou uns cadernos, umas canetas e até pagou umas contas atrasadas. Disse que tinha achado “o bolo” ali, bem em frente de casa. A mãe era digna, sabe? Trabalhadeira mesmo. Se tinha orgulho, acho que tinha, de ser humilde e de ter tudo que tinha graças ao seu trabalho honesto e puxado, teve-o esmigalhado pela atitude da pequena. Eh, minha fia!... Não conhecemos os filhos que pomos no mundo... Ah, outra coisa curiosa: meu avô tinha uns devedes pornográficos naquele cantinho do televisor. A de quase treze os pegou também! Ele não prestou queixa... Agora, dá cá uma bicota, vai!

sábado, 11 de abril de 2009

Bem-vindo à Era do Caos!

Em tempos de Crise é comum ver nos noticiários televisivos alguns absurdos curiosos que assolam esta primeira década do século XXI. Quem aí não viu que tão roubando até o cabelo das pessoas?! Pobre das evangélicas orgulhosas de suas longas madeixas sacras até o sacro! Quem aí não ouviu falar de um time europeu que está em greve? Não estão pagando seus salários astronômicos e, por causa disso, não batem bola com seus adoráveis adversários. Tem até seqüestradores que seqüestram por engano! E policias que seqüestram traficantes, que usam a delegacia como cativeiro e ainda libertam os cativos mediante o pagamento do resgate!!! Absurdo? Não... É a Era do Caos.

Ainda tem país aí, antigo devedor do FMI, sabe? E que agora está virando credor do Fundo. Crêem nisso, meus filhos? Só resta saber de onde colherão esse dinheiro... Bom, fabricar é fácil, certo? A Casa da Moeda fabrica o que mesmo? Se o New United States of América pode produzir trilhões de dólares e injetá-lo na economia local (mundial), por que esses novos credores também não podem? Ah, são subdesenvolvidos, é verdade. São do Terceiro Mundo, né? É um mundo paralelo aos seus demais “superiores”... Bem, se essa tal Crise nos ensinou algo, foi justamente o impacto que ela provocou. Ela provou que não somos tão diferentes assim. Todos têm os mesmos problemas, o que apenas diferencia um do outro é a proporção.

Mas, é a Era do Caos! Se há milhões de desempregados por aí, gente perdendo tudo e mais um pouco, também há gente lucrando com a dita recessão. Quem aí não ouviu falar duma adega que está vendendo uma safra a preço mais em conta? Quem aí não leu os recordes de venda dos ovos de Páscoa? Tem produtos alimentícios que não eram comprados, por serem de qualidade inferior diziam, e que agora vendem que é uma beleza! Crise para muitos, Oportunismo para poucos! É chegada a hora catastrófica de subverter os sentidos da lógica.

Eh... Resolva teus problemas e resolverá os do Mundo.