sábado, 22 de junho de 2013

Porque não me revolto, segundo o meu analista

Diante do que vi não posso ficar calado. Por isso, aqui, neste espaço, minha voz será mais um monólogo, dentre os muitos aí já publicados e comentados. A grande questão da semana (ou da minha vida) é: por que não me revolto?

Nesses dias transcorridos presenciei diversas manifestações pelas ruas, ao vivo pela televisão e ao vivo também diante dos meus olhos (!). Eu apoio esse tipo de iniciativa. Sou a favor dos protestos em prol de uma mudança significativa. Se algo aí na sociedade, tanto na esfera pública quanto na privada não cheira lá muito bem, temos o direito e o dever de nos revoltar. Quem tem idade e consciência cívica suficientes sabe disso. Eu sei disso!

Mas então por que diabos eu (e você) não participei (participamos) da luta por mudança? Por que não protestei (protestamos) também? Por que não fiz (fizemos) parte daquele grupo, daquela massa de pessoas (jovens) que estavam indignados com as coisas erradas, absurdas que estavam (estão) acontecendo??

Covardia? Talvez.

Alienação? Não sei bem.

Não fui porque tinha de trabalhar. A necessidade, a obrigatoriedade de sustentar a minha família ecoou mais alto na minha consciência assalariada. Eu e você somos obrigados a trabalhar. Não conheço quem trabalhe por voluntariedade, por prazer único e verdadeiro de dedicar o seu precioso tempo numa atividade diária sem retorno financeiro. Quem trabalha, trabalha pra se manter vivo. Quem trabalha tem ciência da sua obrigação nesta vida. Agora, quem protesta é o que? “É vagabundo!” Uns aí dirão, pois quem está lá no meio d’um protesto “é quem não tem mais o que fazer”. Que tipo de pessoa, se for mesmo uma pessoa que alimenta esse tipo de discurso, diz essas coisas? Quem diz essas coisas parece se esquecer do poder que o ato de protesto tem. Se eu escrevo e você aí me lê é porque alguém no passado se revoltou. Todos nós somos filhos da revolução. E como todo filho, um momento ou outro dessa nossa vida de filhote, acabamos optando pelo discurso destoante dos nossos pais.

Não protestei porque não quis.

Não protestei porque fiquei com medo.

Sim, medo. Medo de o patrão descontar esses dias de revolta do meu holerite mensal. Prendi-me a essa obrigatoriedade por necessidade. Se me libertar agora, não poderei alimentar aqueles que me são queridos, meus dependentes.




...




É por isso então que não me revolto?

Convenhamos, dá pra perceber pelo meu discurso que você (eu) está insatisfeito com alguma coisa. Assim, você não precisa fazer parte de uma massa revoltada para legitimar a sua indignação. A sua revolta se dá, se mostra de uma outra forma. Suas objeções são de natureza interna. Seus protestos são mais íntimos.

Você não se revolta daquela forma porque sabe, inconscientemente, que aquela forma não condiz com você. Aquela forma de manifestação não é a sua praia, não é da sua natureza. Você é mais comedido. E isso não quer dizer que você seja acomodado. Não mesmo! Você é introspectivo. Você prefere o campo das ideias aos campos abertos da luta armada.

Sinceramente, eu tenho a convicção de que você não acha aquilo lá algo inútil, sem sentido. Tenho certeza que você vê aquilo e não participa porque prefere ficar só, no seu canto. Você não se sente bem em meio a multidão. Você prefere espaços vazios para poder preenchê-los com suas ideias. Você só é mais um idealista de livre arbítrio. Apenas isso e nada mais.

Por isso, não se sinta mal por não fazer parte daquele grupo de manifestantes. Você conhece o motivo da luta deles. Você só poderia se sentir verdadeiramente mal se abnegasse, se se omitisse diante da necessidade urgente. Você tomou partido, de certa forma, não tomou? Então, cabe só a você fazer a sua parte dentro da sua capacidade. Bola pra frente! Vai fundo. E não se preocupe tanto assim consigo mesmo.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Fofoca

Ah, fofoca...

Bendita sejas tu entre as mulheres (ou seria maldita sejas tu entre elas?).

Tu, fofoca, és inocente.

Culpadas são essas que disseminam certas ideias entre orelhas quentes.

Geralmente são embusteiras essas que reproduzem pareceres equivocados, que não são verdades, mas mais mentiras por cada metro quadrado (ou seriam inverdades de quarto conjugado?).

Toda fofoca é um causo mal contado?

Ou seria um caso não investigado?

Existe fofoca verdadeira, isso é fato.

Mas nem toda estória ouvida ao pé do ouvido é de fato vivida, a maioria é inventada de imediato, de improviso, ou friamente calculada e espalhada pra caluniar alguém que desagrada.

Ninguém gosta de fofoca.

Mas todos curtem uma feito paçoca.

Tem gente que é viciado nesse tipo de coisa.

E não falo aqui de viado, não.

Falo lá da gente maledicente atrás da porta, esses empertigados de tocaia (ou seriam lacraias salafrárias?).

Fofoca a gente não mata feito barata.

Fofoca tá mais pra lagartixa na parede.

Dessas que lhe cortam o rabo, mas ele volta a crescer mais claro e mais longo (coisa medonha).

Bicho peçonhento não morre com facilidade e a fofoca é um bicho desse tipo.

Fofoca é lambisgoia, parlapateia e se contorce toda sobre as línguas venenosas.

E esse veneno, que escorre das bocas podres feito chorume, é fértil sem dúvida alguma, porém, aniquila, esteriliza qualquer boa reputação aí à vista.

Fofoca é réptil que devora suas vítimas dando mordidinhas, não a devora de uma vez, não.

Fofoca não é fofa; não é foca de circo itinerante com bola colorida no focinho.

A fofoca é circulante.

A fofoca é foda!

É o cuzinho queimado nas rodinhas das meninas; é batata assando fora do forno; é indecência demais até para um libertino.

Quem faz fofoca não sabe fazer outra coisa.

Não sabe sequer cuidar da própria vida. Talvez nem tenha vida.

Todo fofoqueiro (ou fofoqueira) é meio zumbi.

É um morto que não morre, que está em decomposição, fedendo pra chuchu, e que teima, insiste pra caralho, numa coisa que não é nem tão importante assim!

Fofoqueiro é pipoqueiro que não vende pipoca.

Aliás, quem fofoca é que nem pipoca que caiu no chão.

É aquela, sabe, que a gente não come, e quando é pisada, gruda no nosso pé.

Um saco tudo isso.

domingo, 2 de junho de 2013

Anotações de um bebum introvertido (6)


Sexo tem que ser sem vergonha.





Cara, um homem de ferro não é nada comparado a uma mulher de fogo.





Ah, maldita sina açucarídea! Sempre atraio os olhares esfomeados das gordinhas!!





Ah, esses atordoantes olhos apaixonados que me lançam... Se soubessem o quanto eles ferem minha dissimulada timidez.





Dessas mulheres que passam, fito seus semblantes de preocupação em busca do que há de aflição em seus corações, mas não vejo nada, apenas uma parede opaca.





Só se ama uma vez, mas sempre pedimos replay.





É triste. Realmente é muito triste uma gatinha só de olhos no seu celular de estimação... A paquera já era. 





terça-feira, 21 de maio de 2013

Quando eu me confesso sai, mais ou menos, estas coisas:


Meu destino é pecar
debaixo do altar
ou do confessionário salutar

Minha sina é sorrir
diante da Morte porvir
(aquela que insiste em sorrir pra mim)

A vida toda eu lutei
pra não esmorecer
ou me arrepender
de todas as coisas,
inúmeras coisas,
que fiz consciente
ou meio inconsequente...

Não sou lacaio do acaso
faço tudo que faço
de bom-grado
e deixo meu recado
por onde passo,
marcado,
sem atraso
ou
desculpinha
indecente
de causo

Eu até vislumbro as consequências
de meus atos,
mas, contudo, porém, entretanto
nos altos e
arautos meus desta
vidinha minha citadina
- cretina em cidadela –
sem cinderela,
não arredo meios
ou aperto arreios
pra fazer aquilo tudo que
deve ser feito;
não de qualquer jeito, claro
mas feito,
bem feito,
diacho!

A feitura é minha arquitetura,
minha alma-gêmea,
que geme,
complacentemente,
diante do coro
ou coral
corado e
abismado
cá mesmo neste nosso
metro quadrado
encubado
ou,
simplesmente,
endiabrado

terça-feira, 14 de maio de 2013

Aprendendo a cozinhar


passei o mês assado
bem passado passei o mês
que passou
e não voltou
apenas passei
mas chorei também

passado quando volta não faz bem
mesmo que esse bem,
outrora meu bem,
fazia-nos um bem danado
no passado,
é claro
hoje,
é desalmado,
desgraçado,
tipo um mal necessário

sim,
um mal necessário
pois quando volta o antes morto e enterrado,
a gente finalmente percebe
o quão idiota a gente foi;
a gente cai em si diante da bobagem que a gente
mesmo alimentava
e teimava
em estar acompanhada,
sempre desavergonhada

perceber isso é muito bom!
se tocar nos faz um grande bem
sacar claramente aquilo que
a gente tanto quer na pessoa que não tem aquilo que
a gente tanto quer
é maravilhoso!
gostoso mesmo
melhor que isso é ver aquilo (que a gente tanto quer)
naquela outra (pessoa) que não tinha
nada haver com isso ou aquilo outro

passei tempo demais no desgosto,
passei do ponto,
de novo,
mas valeu a pena cada minuto a mais,
sabe

hoje,
eu sei que aquilo que pegava fogo,
e me queimou,
esfriou e se extinguiu
queimado estou
mas
mesmo nas cinzas
ainda vejo o Amor



e Ele queima devagar,
sem presa pra cozinhar,
e o cheiro dele é delicioso!

já, já o
silvo,
sorvo e
sirvo
de novo
de
novo e
de novo
e