sábado, 23 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_WIZZ, XANDÃO, YUKI E ZARAMADAN_CAPÍTULO XXXVI

"Zaramadan conquistara o planeta inteiro..."

Tempos sombrios se estenderam por eras de trevas. Soberano morria. Os humanos remanescentes, que sobreviveram, se comiam ou eram devorados por demônios da fome esfomeados. Anjo algum os ajudava. Os seres alados tinham os próprios fardos... Terra fértil e água potável foram ficando escassos. Ar poluído e/ou em chamas dominava. Wizz e Yuki fizeram bem os seus trabalhos e foram consumidos por seu mestre. Zaramadan conquistara o planeta inteiro praticamente. Mas a lua vermelha, lá de cima dos céus cinzentos, fazia a sua vigília incessante. Seus raios alumiavam os que também teimavam em sobreviver, sejam eles humanos, anjos ou demônios. A lua vermelha estendia seus raios a todos. Zaramadan foi se enfraquecendo, perdendo terreno. A luz vermelho-sangue se intensificava cada vez mais quando se dava o alinhamento celeste dos três sóis de Soberano. Seus habitantes chamavam, e ainda chamam, esse raro alinhamento de Venidas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

SHIBARI

Imagem: magnusmundi.com


ata-me
assim
de um jeito
que eu goste

ata-me
facin
até o meu queixo
baixar até o peito

ata-me
quero ver o meu sangue
empapar toda essa corda
feita de medo e preconceitos

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_WIZZ, XANDÃO, YUKI E ZARAMADAN_CAPÍTULO XXXV

"Xandão se faz lua vermelha radiante nos céus."

Xandão era o amor corporificado no calor. Seu ar quente aquecia as almas dos infelizes, dava esperança e gerava vida. Xandão sempre fora isso, uma parte de Zaramadan que não seguia sua sina. Xandão era a vida que vinha depois da morte. Apesar dos humanos estarem acabando consigo mesmos e com o próprio planeta, Xandão teimava em protegê-los. Se Wizz e Yuki vinham em sinal de desgraça anunciada, Xandão se sobrepunha a eles em sinal de bonança grata. Porém, os humanos eram devotos fervorosos de Zaramadan. E esse, como um deus benevolente e fiel, perpetuou a morte em sua pior forma – a fome. E foi assim que se deu a quase aniquilação humana. Os humanos se matavam e levavam consigo o próprio planeta onde residiam. Os humanos escreviam o próprio e fatídico destino. Xandão, um dia, percebeu que, o que fazia, à revelia, não satisfazia. Zaramadan se estendia por todo o planeta, graças a Wizz e Yuki. Então, num grande e demorado suspiro, Xandão virou satélite. Tudo que ele fora, representava e acreditava se pôs em órbita do planeta Soberano. Xandão se faz lua vermelha radiante nos céus.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

acalento

Imagem: psicologiaanimal.com.br


quem o busque
no divã

quem o busque
até no Instagram

quem o sinta
numa igreja

quem o sinta
tomando uma cerveja

e há
quem o encontre
dentro de si mesmo

terça-feira, 19 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_WIZZ, XANDÃO, YUKI E ZARAMADAN_CAPÍTULO XXXIV

"Wizz trouxe Yuki..."

Tudo veio ao fim numa suave brisa. Era um dia qualquer como são todos. Tempo e hora não eram importantes. A brisa precedeu o vento, que veio faceiro atingindo as faces flácidas e despreocupadas dos habitantes de Soberano. O vento se intensificava, se tornava algo mais sólido e distinguível. O vento tinha a própria vontade, que era corporificada por Wizz. Wizz era o tudo ao redor, era o ar que estava dentro e fora dos seres de Soberano. Wizz era o prelúdio do fim. Wizz trouxe Yuki, que nada mais era do que uma versão mais fria dele mesmo. Yuki era o Inverno Eterno, causado, ironicamente, pelo aquecimento interno. Wizz e Yuki eram os arautos da morte; eles eram os braços e as pernas de Zaramadan. A era dos seres humanos em Soberano estava chegando ao fim. Sua ruína eminente foi alertada, porém, a mesma foi a muito ignorada. Os humanos dificilmente creem em si ou em outros da mesma espécie. Contudo, havia um de todos que teimava em acreditar nesses tolos, seu nome era Xandão.