quarta-feira, 15 de junho de 2022

CREPUSCULAR

Imagem: medium.com

Ao pôr do sol

Sempre me ponho em frente à janela

Da sala

Pois é a maior da casa

Lá parado

Em vejo o sol se pôr aos poucos

Como se morresse

O (dia) branco se torna amarelo

Como se morresse

O amarelo se torna alaranjado

Como se morresse

O alaranjado se torna vermelho (sangue)

Como se morresse

E

Pouco antes do breu imperar nos céus

Eu abaixo as cortinas

Bem aos poucos

Pois

No firmamento

Não há mais uma miríade de estrelas


terça-feira, 14 de junho de 2022

FAZENDO CAFÉ

Imagem: villacafe.com.br

Quando faço café

Todo dia

É para dois:

Dois copos e meio de água

Duas colheres de sopa bem cheias

 

Quando faço café

Todo dia

Utilizo filtro de papel —

O de plástico-burocrático não me satisfaz

 

Quando faço café

Todo dia

O café

Às vezes sai forte — ideal

Às vezes sai fraco — mandei mal...

 

Quando faço café

Todo dia

Não importa o clima:

Chuva, sol, frio ou tiros de AR-15

Ainda fico ali

Ao lado da cafeteira

Sentindo o café passar

  

terça-feira, 24 de maio de 2022

A VERDADEIRA FACE DO MUNDO

Imagem: youtube.com

Às vezes me pego pensando

Na possibilidade real de um mundo melhor

Sem fome, sem guerras, sem desgraças

Apenas cada um aí vivendo sua vida digna

Crescendo, aprendendo e engordando

Sorrindo mais,

Chorando menos


Às vezes me pego pensando

E quando paro e enfim vejo

A verdadeira face do mundo

Eu me entristeço

...


quinta-feira, 28 de abril de 2022

terça-feira, 26 de abril de 2022

BARULHOS DOMÉSTICOS

A Casa da Baba Yaga / coleccionmuseoruso.es


Em casa

Num feriado

A gente sente mais

A casa da gente

 

Sozinho só

Ou acompanhado

O silêncio é raro

O barulho é fato:

 

Só sozinha

A geladeira geme

Estrala!

Emite uns sons estranhos

Às vezes parece que tem uma moto lá dentro!

 

A máquina de lavar então

Toda vez parece que quer fugir!

É só liga-la e pronto:

Um dia desses

Bancando a marginal

Ela vai atravessar sozinha a parede de drywall!

 

A televisão também

Sempre estala

Uns barulhos lá internos

Quando está desligada

Parece até que está protestando

Quando a gente decide ler

Em vez de ver tevê

 

Outros barulhos

A gente sempre ouve

Do piso

Das paredes

Do teto

Do vizinho

...

Vixe!

Desse aí (de cima) a gente sempre ouve

Vizinho sempre faz muito barulho

A gente é que não

A gente só ouve e se incomoda

Às vezes, bate até uma revolta

É cada barulho barulhento, viu!

Ou ouviu?

 

Enfim

Não tem lugar melhor

Do que A Casa própria da gente mesmo

Lá a gente vive

E Ela também!