Minha mãe diria que você daria uma boa nora. Meu pai discutiria tua doutrina na cara dura. Sem usura minha vó ti aceitaria numa boa. Minha rola já fez sua escolha. Cabe a mim obedecê-la, então aceito tua buceta como única e derradeira companheira!!
sábado, 27 de outubro de 2012
Nego Santo Antônio
Ao
Jaderson,
colega do trampo e amigo
Jaderson,
colega do trampo e amigo
![]() |
| O Nego Santo Antônio (Foto: Bruno Oliveira) |
Para as desesperadas
presentes que almejam se casar, tenho uma boa-nova digna de nota: o Nego Santo
Antônio existe! Ele, diferente daquele pequenino de madeira entalhada, que fica
geralmente afogado de cabeça para baixo, consegue matrimônio em menos de um
ano; é fato. E, para que o fato de fato seja definitivamente consumado, não é
necessário interpelá-lo ou castigá-lo, basta encostar nele; tocá-lo mesmo, sem
receio ou afetação. Com o Nego Santo Antônio é assim: encostou, casou. Para
você que não me acredita, mencionarei coisinhas sobre sua vida peregrina. Nego
Santo Antônio é pai. Tem dois filhos o digníssimo. O primeiro foi um menino,
rechonchudinha criatura. O segundo foi menina, espevitada que só vendo. Porém,
curiosamente, essa é mais velha que aquele. E como se explica esse atentado à
lógica do tempo? Bem, digo apenas que o Nego Santo Antônio é arteiro,
artilheiro dos bons ele é; sempre mete um gol nos jogos carnais dos quais
participa – fértil goleador esse devoto. Este Nego Santo Antônio não tem
relações com peixes, mas as sereias o ouvem bem. Nego Santo Antônio é rei dos
xavecos; entretêm e diverte nos botecos da cidade sem o menor alarde. Pode não
ser lá tão eloquente aparentemente, mas carisma ele tem de sobra, isso lá ele tem
mesmo. Este meu santo, que vos apresento, não carrega Menino Jesus junto ao
peito esquerdo; não carrega livro ou cruz de baixo do braço, nem ramo de
açucena como referência, mas traz consigo a humildade no coração; ele é palhaço
da turma por vocação, e entrega a ti, sempre que lhe convier, uma rosa branca, umazinha
apenas – pura demonstração de inocência! Cidade alguma o tem como padroeiro,
mas isso é questão de tempo e dar-se-á um jeito. Pegue aqui o seu santinho do
Nego Santo Antônio! E por favor, minha gente, não o jogue na rua displicente,
pois santinho em grande quantidade mata; mata muita gente de vergonha e de desgraça. Venham! Venham todo mundo que quer casar num minuto!! Encostem nele
e, num segundo, o sonho casamenteiro é certeiro. Se no próximo Carnaval tu te
divorciarás, no Natal casada já estarás. Não é enganação ou promoção de
fachada, é a graça de graça do Nego Santo Antônio. Você que está aí encalhada,
que é zica do pântano, coisa mui ruim, se não me engano, saia dessa neste
instante. Nego Santo Antônio se garante. Vocês ouvirão por aí que ele é corno.
Mas, vocês estão ligados, nem santo novo e forte tem a sorte de fugir desse
quebranto. Mesmo assim, Nego Santo Antônio é um encanto, que canta as mazelas
da vida numa boa – desafinado sim, canta mal pra caralho esse aí, mas ultrapassa
o esperado, você sempre se surpreende com o danado, podes crer. De casório
marcado ele já está, mas disso eu não vou comentar porra nenhuma, má vá!!!
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
SSMS (77)
E lá se vai mais uma semana, e você nenhum telegrama. Mensagem alguma recebi, e assim me perdi em atacado. De bom-grado me ressenti, mas insisto em ti ter aqui!!
terça-feira, 16 de outubro de 2012
carência sua, minha Solidão
![]() |
| De boa na lagoa... (photo by: @cutewildbaby / @havenearth) |
estava eu à toa
de boa
na lagoa
de papo pro ar eu estava
quando a descarada apareceu
apareceu assim do nada
não me pediu licença coisa nenhuma
e foi logo entrando
no meu isolamento,
nadando ao meu encontro
visita indesejada era ela
ela era a carência se apresentando,
invadindo a Solidão do eremita aqui
aqui fiquei perplexo:
carência não se faz presente, é falta
Solidão sim é aquilo que a gente sente, é presença
carência é ausência
Solidão é presente
carência é passado, passa
carência vêm em doses homeopáticas
Solidão é superdosagem,
e mata,
se você não tiver cuidado
carência é que nem cárie, dói, incomoda,
pois descuidado foi outrora,
quem sente carência agora
carência sente quem deixa de amar
Solidão é que nem a imensidão do mar,
é azul,
é profundo
e escuro,
quem sabe mui bem disso é Epicuro
essa carência que vejo se aproximar,
escorre pobre e sinuosa,
nada gostosa
até a minha Solidão eminente
Solidão é constante, permanente
é um estado latente, entende?
Solidão fica em Pernambuco -
carência em estado bruto!
carência em estado bruto!
quem nasce em Solidão,
como eu,
é solidãoense,
quem nasce sem afeto,
na privação,
é carente
assim, querida amiga,
quando tua carência se revelou
só me mostrou
o quão solitário agora eu sou
metafísica alguma me adianta se
o sapo-rei aqui não tem
perereca nenhuma pra sorver
ou ao menos uma mosquinha sequer
pra belisquete
a carência profanou a minha quitinete
meu reino por uma periguete!!!
Nota:
O germe do poema acima veio de um bate-papo
despretensioso com minha amiga Bruna Rafaella, por isso este poema é para ela.
Toma um aí pra você, sua doida!!
domingo, 14 de outubro de 2012
o amor: outro causo
do quem
não ama a pessoa
do quem vos ama
do quem
não amachuca
do quem
não amais a pessoa
do quem não é amada
do quem
não ama a pessoa
do quem não ama a pessoa
do quem
não ama a pessoa
do quem
nãodemais pessoa
e
essa pessoa
essa pessoaaquém
magoada
fica -
mácula desamada
- mais uma
desgraça
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