| Imagem: br.freepik.com |
E nessa ânsia
De nos encaixar
Em doutrinas
Que se cria com crina
Acabamos não fazendo nada
de importante:
Quem têm fome
Ainda passa fome;
Quem não têm emprego
Ainda não trabalha;
Quem vive
Ainda morre sem viver.
É uma salinha
Quase um depósito
Quem tem a chave
O abre
A luz é logo acesa
Antes em pleno escuro
Um grande embrulho é
revelado
De lençóis brancos
De hospital
Ele é feito
Ao desatar os nós
(Quem coragem tem ao fazer
isso)
Se depara com um plástico
Há um zíper ali
Abri-lo é o fim
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| Imagem: "O Fim do Mundo" (1851-53), de John Martin |
O clima anda louco
Desregulado pra geral
Culpa nossa, óbvio
Aquecimento global
Perdidos nesse meio
Meio-ambiente terreno
Percebemos o erro
Tarde demais desespero
E
De repente assim
Numa toada
Ou notícia de desgraça
Ficamos cientes
Dumas paradas
Que extrapolam o nosso
imaginário:
Diacho!
Seres ditos extintos
Começam a aparecer
Doenças erradicadas
Voltam a nos fazer morrer
Furacões, erupções,
enchentes
Tornam-se coisa comum
Assunto trivial de telejornal
Como as inúmeras mortes em
hospital
Tudo isso aí dito
São sinais do Novo
Espírito
Que retorna já causando pranto
Eh, os titãs estão voltando...
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| Foto: @robsrw / canaltech.com.br |
Parecia outra coisa à
vista,
Mas não, era Ela mesma:
risca!
Emprenhada em selvas da
África
A Coruja-Águia enfim se
agiganta!
Se mostrando por inteira,
atesta
Nossa grande
ignorância-jeca.
Em 150 anos não A viram:
eca!
Já logo A julgaram
extinta!
E Ela assim nos olhando...
De costas nos encarando...
Com olhos peludos e
sombrios...
Nos faz perceber tão
pequenos
Perante a fauna dos
Eternos,
Que não vêem mais nossos brios.