sábado, 9 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_SAFIR E TRÔNUS_CAPÍTULO XXX

"A fenda explodiu em forma de vulcão."

Criaturas bizarras foram se amontoando, se consumindo nas entranhas rochosas do planeta Soberano. Magma e trevas começaram a galgar espaço em direção à superfície. Calor e sangue se expandiram em combustão. A fenda explodiu em forma de vulcão. Criaturas sinistras, horrendas e famintas emergiram aos montes – o formigueiro, enfim, tinha ganhado a superfície. Os demônios se espalharam à caça desenfreada por carne humana e de outros seres-vivos que respiravam. Após a grande erupção, Trônus se tornou um lugar quase deserto, poucos demônios se mantiveram ou voltaram para lá. A Grande Fenda não tinha muito a oferecer. O planeta Soberano inteiro, mesmo em ruínas e em desespero, ainda era melhor opção de saciamento. Safir ia se desenvolvendo, prosperando, porém, nem a vida no Paraíso dura para sempre, Uióp tinha nascido, sem cabelo, olhos e gênero.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_SAFIR E TRÔNUS_CAPÍTULO XXIX

"Safir se enchia de anjos enquanto Trônus borbulhava de proto-demônios."

Coisinhas cintilantes cintilavam sobre a nuvem que era Safir, organismos celestes começavam a ganhar forma conforme a nuvem ganhava mais e mais altitude. Criaturas aladas foram se formando, se organizando em comunidades. Safir parecia próspera, os seres que lá se criavam se alimentavam de ar e plantas-arbóreas - a nuvem se solidificara ao ponto de desenvolver a própria flora-fluorescente num terreno flutuante sobre os desertos de Soberano. Safir, nesse período, era o verdadeiro Paraíso! Lá, não existia morte, o reino era de vida, um reino pairante sobre a desgraça advinda. Safir se enchia de anjos enquanto Trônus borbulhava de proto-demônios. Trônus se desenvolvia diferente, lá, os seres se comiam, se devoravam cientes da sua ruína. Um reino de sangue sujo e magma se foi formando nas profundezas do planeta.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_SAFIR E TRÔNUS_CAPÍTULO XXVIII

"... separando em dois aquilo que sempre fora um só."

Reino algum surge do nada. Safir e Trônus sempre existiram. Porém, quando a fome se tornou uma constante, as paragens ocultas abaixo do solo se revolveram quando esse solo se tornou infértil. Safir e Trônus eram um todo compartilhado, um algo unido em simbiose que crescia e se desenvolvia junto, uniforme. As movimentações das placas tectônicas ocasionaram uma ruptura, separando em dois aquilo que sempre fora um só. Uma parte decaiu mais a fundo no núcleo do planeta, sofrendo pressão e danação constantes; a outra parte desprendida se deparou com um amontoado de gases compactados sob o solo empobrecido e foi ficando cada vez mais leve, desprendida e livre da terra-mãe-morta. Safir surgiu num gêiser ácido a quilômetros de altura numa nuvem efervescente de esperança. Trônus se foi gerando coberto de magma, rancor e trevas.

sábado, 2 de novembro de 2019

SOBERANO: O PLANETA DA FOME_PARTE III_PÉTROS, QUINDJIN E RASTAFANNY_CAPÍTULO XXVII

"O espaço interno era amplo..."

Pétros e Rastafanny salivaram ao mesmo tempo ao verem a Quindjin. A baba de ambos tornava a cena a mais nojenta já vista, pois os dois estavam empapados de sangue e secreções deles mesmos e dos seres mortos por eles até ali. Já o cenário interno tinha outro aspecto. O espaço interno era amplo, dava para ver que alguém, ou coisa, utilizava aquela caverna como uma moradia de guerra – poucos objetos e instrumentos não muito distantes um do outro para serem recolhidos às pressas e de uma vez só. A última Quindjin estava repousada numa espécie de ninho improvisado com panos velhos e encardidos sobre um pequeno altar de sucata igualmente improvisado, mas, aparentemente, estável. Pétros e Rastafanny adentraram na caverna correndo. Pegaram na última Quindjin ao mesmo tempo. E ficaram se estranhando... Um olhando torto para o outro. Suas armas eles sacaram logo; lançaram, um no outro, projéteis sujos e enferrujados de munição. A luta corporal foi feia e sem moral – eles se mutilaram brutal e rapidamente quando as balas se extinguiram. Pétros e Rastafanny se mataram sem dó. Durante a luta, e até a morte, não perceberam Omotep, espremido e trêmulo, enfiado no teto.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

HIERARQUIA DIVINA

Foto: Patagonia, The Temple of Nature, de Kiran Khanzode, National Geographic Travel Photo Contest 2019

sabe-se lá como é
esse troço espiritual
que é mais uma espiral
do que só coisa de fé
há muitos mais muito acima
não só esses aí a cada esquina
há toda uma Plêiade
coisa assim tipo reunião
cada um lá é responsável
por algo daqui de baixo
então, não se espante
cada cultura
cada povo
têm lá seu deus particular

quanto ao meu
eu não conheço
ainda não o inventei
nem consultei um organograma