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Eu sei muito bem do que você gosta. E como gosta. Sei o quanto você é gulosa e
o quanto você se transforma entre quatro paredes veladas. Sei como te provocar.
Conheço muito bem os lugares do teu corpo onde devo acariciar e beijar para te
deixar maluquinha, toda doida de prazer. Sei bem que curtes uma barba mal-feita
acariciando-lhe as bochechas. Sei que se contorces toda quando dou uns
beijinhos no seu pescocinho, e quando afasto com jeitinho o teu cabelo comprido
para beijar-lhe a nuca, sei que você geme baixinho quando faço isso. E sei
muito bem que cabelo é coisa muito séria para você. Tu curtes que eu o puxe
para baixo quando mordisco teus mamilos. Você grita de prazer quando eu o puxo enquanto
eu te como de quatro. Sabes mui bem que eu o puxava com cuidado, com todo o meu
amor, durante as estocadas, pois esses fios são preciosos para você. Você sabe
que eu sei disso. Você sabe também que eu sei o quanto você adora apanhar na
cama. Antes de te conhecer, eu não batia em mulher. Mas foi me envolver contigo
e, desde aí, descobri que isso é fonte inesgotável de gozo para você (e para
muitas outras por aí). No começo eu te batia na bunda. Você me pedia isso, lembra? E eu te obedecia,
batia de leve no começo. Depois você me pediu pra bater com mais força, não
desacatei, bati forte. Mas depois de um tempo bater na tua bunda não era mais o
suficiente para você. Ainda hoje me assusto quando me lembro da primeira vez
que você me pediu para te bater na cara. Fiquei meio que em baque diante
daquela ordem, diante daquela que era você. Mas não sei por que motivo, devido
ao momento, sei lá, ou por estar de frente pra você com aqueles olhinhos
pedintes, bati com força. Não dei tapa. Esmurrei. E não dei um. Dei três. Chocado
fiquei diante do que vi. Vi você de olho roxo, com o nariz quebrado, torto, e sangrando
muito, e sorrindo... Sorrindo!!! Você parecia estar em êxtase. Seus gemidos de
dor (ou de puro prazer) soavam satisfeitos, sinistros... Você gozou. Logo em
seguida me debrucei pra te abraçar, pra te beijar, mas você me repeliu, se
desencaixou de mim e se trancou no banheiro. Lá dentro, tu deves ter avaliado o
estrago, pois voltou pra mim não mais nua em pelo e sim enrolada numa toalha
branca suja de sangue fresco. Ali de pé, rente a cama, você me ordenou que
fosse embora. Mais um susto. Tentei argumentar, saber o motivo, tentei te
prestar assistência, mas você, irrevogável, só repetiu a minha sentença. E fui-me
embora. Cabisbaixo andei por entre os carros estacionados no teu condomínio,
tentando entender o que tinha acontecido. Andei pela calçada pensativo, rumo à
minha casa, condomínio próximo, à sete quadras. Parei naquela praça, outrora
cenário cúmplice do nosso namoro prematuro. Sentei no nosso banco, amigo íntimo
da gente de outros tempos. Não resisti, acendi um cigarro. Eh, eu sei muito bem
que tinha lhe dito que tinha parado, mas o momento em si exigia umas boas
tragadas. Dei várias. E quase no fim do maldito, praticamente com a bituca
começando a queimar as pontas dos meus dedos, eu finalmente percebi a minha
falha. Percebi o quanto eu tinha te decepcionado. Percebi que não tinha sido
homem o suficiente para você. Eu falhei em te matar, meu amor.
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